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Cripto

Como você pode virar um minerador de criptomoedas

Apesar de não ser necessário nenhum tipo de diploma para minerar, entrar nesse universo demanda habilidades, além de recursos materiais e financeiros

Tempo de leitura: 4 minutos

São Paulo — Com a expansão do mercado de criptomoedas, cada vez mais aumenta o número de pessoas interessadas pelo assunto. Além das expressões e termos específicos da área, um dos tópicos que gera mais curiosidade é a mineração de criptomoedas. Muitos buscam entender não apenas a atividade em si, mas como ela pode ser feita, já que é uma atividade rentável.

A mineração de bitcoins é o processo que possibilita que os Bitcoins (e outras criptos) entrem e permaneçam em circulação na Blockchain - que é uma espécie de banco de dados onde ficam registradas as transações feitas por criptografia. É através dessa atividade que as transações são confirmadas pela rede. Para que ela seja feita, a máquina precisa resolver um problema matemático computacional extremamente complexo.

O primeiro computador que encontrar a solução para o problema matemático recebe o próximo bloco de Bitcoins e o processo começa novamente. Após realizar essa tarefa, o minerador é recompensado com uma fração de Bitcoins para a sua carteira.

Apesar de não ser necessário nenhum tipo de diploma para minerar, entrar nesse universo demanda habilidades e recursos materiais. Primeiro, é necessário desembolsar uma boa quantia de dinheiro. Isso porque para minerar, é necessário um bom computador com configurações avançadas o suficiente para realizar esse tipo de tarefa, que demanda muito esforço dos processadores.

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Hoje em dia, em sites como a Amazon, é possível encontrar hardwares específicos para mineração de Bitcoins, por exemplo. Os valores variam de centenas a até milhares de reais. Isso por si só já torna a atividade um investimento e, ao mesmo tempo, um obstáculo, levando em conta o alto custo de equipamentos de informática especificamente no Brasil. Um equipamento considerado eficiente hoje pode ser encontrado entre US$ 10 a 15 mil dólares. (entre R$ 54,4 mil e R$ 82 mil, pela cotação atual)

Com a máquina em mãos devidamente instalada, basta o usuário fazer o download do software da rede blockchain do Bitcoin para ter acesso a plataforma. Para mineração de Bitcoins, algumas das opções de softwares são o CGMiner, BFGMiner e o MultiMiner.

Desafios

À primeira vista, o caminho pode parecer simples para alguns, mas nem tanto. Além dos custos dos equipamentos, os mineradores precisam lidar com os gastos de manutenção da atividade, como eletricidade e refrigeração, dado o alto consumo de energia das máquinas.

Com o alto custo da energia elétrica no Brasil, a viabilidade da atividade acaba sendo prejudicada. Não à toa, “temos menos de 1% dos mineradores do mundo”, pontua Thales Inada, especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Spiti. O lucro depende do quanto você investiu nas suas máquinas”, completa.

“Por isso que os grandes mineradores estão em locais de energia muito barata e compram grandes quantidades do fornecedor das máquinas de mineração”, diz André Franco, analista de criptomoedas da Empiricus.

Outro desafio específico para a mineração é o hashrate (taxa de mineração), que é a chance de um minerador ser o primeiro a descobrir a solução para um problema. Ela é mensurada pelo potencial de mineração em relação à rede como um todo e é medida em terahashes por segundo (TH/s). Isso torna a atividade de mineração mais competitiva.

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Entretanto, quanto maior o hashrate total da rede, mais segura é considerada a blockchain. Isso porque os altos valores demonstram que mais pessoas estão trabalhando na rede, logo, isso pode dificultar qualquer tipo de violação.

Retorno

Agora, se você sonha alto e quer faturar bastante com isso, precisará de mais de uma máquina. Mas não duas ou três, talvez, várias. “Para ser um negócio rentável é necessário ter milhares delas”, diz Inada, que diz que para se ter um bom retorno financeiro, o ideal é um investimento que gire em torno de R$ 500 mil reais.

Contudo, quanto maior o número de máquinas, maiores os custos de manutenção e, consequentemente, menores os retornos, o que impõe riscos ao investimento, como em qualquer outro tipo de negócio. “Você de fato precisa de uma escala industrial para fazer algo como profissão”, ressalta Franco.

Os últimos acontecimentos no universo cripto favoreceram muitos mineradores ao redor do mundo. A recente proibição da China a qualquer tipo de operação e investimento em criptomoedas fez com que um número significativo de mineradores saíssem da rede, dado que o país representava a maior parcela de atividade cripto no mundo.

Isso levou a uma queda no hashrate e a uma redução na competitividade, o que, por sua vez, gerou lucros maiores para os mineradores que permaneceram.

“Como hobby, pode ser até que você encontre algum protocolo de mineração que seja fácil de executar com um computador de casa”, diz Franco. “Mas isso é muito mais uma questão de você acreditar nesse protocolo ou não para no futuro você conseguir colher os bons frutos, assim como a pessoa que acreditou no Bitcoin lá atrás, mas que hoje com o próprio computador não conseguiria minerar”, completa.

Igor Sodré

Igor Sodré

Jornalista com formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com experiência na cobertura de cultura e economia, tendo como foco mercado financeiro e companhias. Passou pela Bloomberg News e TradersClub.