Mercados

Dados macroeconômicos encabeçam a pauta dos mercados nos EUA e na Europa

Investidores querem saber como a inflação pode balizar as decisões de bancos centrais sobre juros; bolsas europeias sobem e futuros em NY replicam movimento

além da inflação, situação da Evergrande e como crise energética ao redor do globo repercutirá na economia
27 de Setembro, 2021 | 06:39 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Barcelona, Espanha — A semana que começa está carregada de dados que ajudarão o mercado traçar projeções para o crescimento econômico e para a política monetária dos bancos centrais ao redor do globo. Na Europa, as bolsas operam em alta, movimento seguido também pelos futuros de ações em Wall Street.

  • Na Europa, a notícia de destaque no fim de semana foi a contenda apertada nas eleições federais alemãs de ontem.
  • O Partido Social Democrata (SPD) recebeu 25,7% dos votos, ligeiramente superior que os 24,1% conquistados pela coalizão da União Democrática Cristã (CDU), partido de Angela Merkel, e da União Social Cristã (CSU).

Embora a notícia não repercuta sobremaneira nas transações em bolsa, pois a vitória do SPD não deve representar uma mudança significativa de curso na maior economia do continente, é acompanhada pelos analistas por representar o final de um ciclo de 16 anos com Merkel no poder. Muitas coalizões de governo são possíveis e este processo pode levar um tempo até ser concluído.

Para as operações em bolsa, o foco voltará a ser dirigido à inflação. Dados inflacionários que serão divulgados esta semana devem mostrar taxas claramente acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE) em todas as principais economias, com a Alemanha um pouco abaixo de 4% e o número da zona do euro previsto em 3,3%.

  • Os funcionários do BCE têm repetidamente dito que o pico será, em grande parte, transitório, uma visão que pode ser reiterada pelos formuladores de políticas, incluindo a presidente Christine Lagarde, durante o fórum virtual de Sintra do Banco Central, que começa amanhã.

Também na terça o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e a secretário do Tesouro, Janet Yellen, testemunharão em uma audiência do Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos. Na quarta, a coalização que governa o Japão vota para escolher um novo líder, que poderá ser o próximo primeiro-ministro.

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Na quinta, uma audiência do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos EUA sobre o Fed colocará em discussão a resposta do Tesouro dos EUA à pandemia. Para o mesmo dia estão previstos o PMI de manufatura da China, sendo que no dia seguinte os EUA divulgarão o mesmo indicador para a sua economia.

Além dos dados macroeconômicos, o mercado continua no aguardo de notícias vindas da China sobre a crise de dívida da Evergrande e os próximos capítulos das restrições regulatórias por parte do governo asiático.

Os mercados acionários na Europa se comportam desta maneira:

  • o Stoxx 600 Europe Index subia 0,37%, para 464 pontos às 11h30 CEST (6:30h no horário de Brasília)
  • o alemão DAX ganhava 0,95%, para 15.679 pontos
  • em Paris, o CAC 40 avançava 0,68%, situando-se nos 6.683 pontos
  • o londrino FTSE 100 valorizava-se 0,36%, aos 7.076 pontos
  • o IBEX 35 subia 1,06%, para 8.967 pontos

Futuros de ações nos EUA

  • o S&P 500 futuro ganhava 0,33% às 11h30 CEST (6:30h no horário de Brasília), para os 4.460 pontos
  • os contratos indexados ao índice Dow Jones valorizavam-se 0,48%, somando 34.839 pontos
  • os contratos futuros indexados ao índice Nasdaq subiam 0,11%, para 15.335 pontos

Como fechou Wall Street na sexta-feira

O S&P 500 fechou com 0,15% de alta (4.455 pontos), enquanto o Dow Jones Industrial subiu 0,10% (34.798 pontos). Já o Nasdaq 100 encerrou o dia com ligeira queda, de 0,03, marcando 15.047 pontos.

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Mercados asiáticos

O índice de Xangai caiu 0,84%, para os 3.582 pontos. No Japão, Nikkei 225 mostrou 0,03% de depreciação, aos 30.240 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng terminou com alta de 0,07%, situando-se nos 24.208 pontos.

Na sexta-feira, os mercados globais repercutiram o posicionamento do governo chinês de que todas as transações com criptomoedas são ilegais e devem ser proibidas, o sinal mais claro até agora de sua determinação em reprimir o setor.

Além da capacidade de a promotora imobiliária Evergrande honrar suas dívidas, o mercado avalia a possibilidade de uma crise no fornecimento de energia atingir a economia chinesa. Quase metade das 23 províncias da China não cumpriram as metas de economia de energia estabelecidas por Pequim e agora estão sob pressão para conter o uso de energia.

Ler mais: China: Racionamento de energia pode ser novo choque após Evergrande

Confira o comportamento de outros mercados na manhã de hoje:

Petróleo

  • em Nova York, os contratos futuros de petróleo subiam 1,35% às 11h30 CEST (6:30h no horário de Brasília), para US$ 74,98 por barril, chegando a superam a barreira dos US$ 75. Os negócios com a commodity são puxados para cima ante os sinais de que o mercado de petróleo bruto está se contraindo em meio a uma crise global de energia.

Moedas

  • o euro caía 0,19%, para US$ 1,1699 – parte do movimento pode ser explicado pela dúvida sobre como serão as novas coalizões do governo alemão e quando a nova administração começará a trabalhar, iniciando um ciclo que se encerra com 16 anos de mandato de Angela Merkel.
  • o iene valorizava-se 0,19%, para US$ 110,95
  • a libra esterlina tinha 0,10% de alta, cotada a US$ 1,3690

Ouro

  • o ouro futuro subia 0,04%, para US$ 1.752 a onça troy

Cripto

  • o bitcoin recuperava parte da perda das sessões e ganhava 0,52%, para US$ 43,835 mil.

Leia mais: China anuncia que todas transações com criptomoedas são ilegais


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-- Com informações da Bloomberg News


Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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