Ibovespa reverte queda e fecha no azul após nota de recuo de Bolsonaro

Comunicado do presidente dizendo que não teve intenção de agredir Poderes repercutiu positivamente nos últimos minutos do mercado

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São Paulo — Após registrar perdas durante a tarde, o Ibovespa reverteu o movimento e encerrou o pregão desta quinta-feira (9) em alta, depois de o mercado ser surpreendido com uma nota do presidente Jair Bolsonaro, na qual ameniza ameaças que fez ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante atos de 7 de setembro. A declaração também refletiu no dólar, que aprofundou a queda no final do dia. Até então, os principais drivers do dia eram os dados negativos do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados hoje cedo, que preocuparam ainda mais os investidores e fizeram as taxas do DI dispararem, e as preocupações quanto às paralisações dos caminhoneiros.

  • Na bolsa, apesar do encerramento positivo, o bloqueio das estradas, que começou nas manifestações do feriado, pesou nas negociações durante a maior parte do dia, com temores sobre uma possível crise de desabastecimento. O clima volátil no exterior e a queda dos papéis da Vale (VALE3) também contaminaram o índice.
  • O câmbio mostrou instabilidade, tendendo mais para a queda, que foi acentuada após as declarações de Bolsonaro, enquanto as taxas do DI subiram até mais de 60 pontos, após o IPCA mostrar uma aceleração de 0,83% em agosto, a maior para o mês desde o ano 2000, puxado majoritariamente pelos combustíveis.

Contexto

Em sua nota, o presidente afirmou que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e esclarecer que suas palavras “por vezes contundente, decorrem do calor do momento e dos embates”. Também acrescentou: “a harmonia entre eles [Poderes] não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.”

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o “passo atrás de Bolsonaro diminui riscos e acalma, marginalmente, os ânimos que sugeriram rupturas”. Entretanto, Sanchez pontua que, em sua visão, o movimento não é “algo suficiente para abarcar novos ou ex-eleitores”, mas sim o “início de uma reconsideração que, pelo menos, pode voltar a trazer à mesa perspectivas sobre reformas, ainda que diminutas, neste momento se afastam do 0% de chance de avançarem”.

  • Câmbio: Perto do fechamento, o dólar operava em queda de 1,80%, a R$ 5,22
  • Bolsa: O Ibovespa fechou em alta de 1,72%, a 115.360 pontos
    • Lideraram os ganhos em pontos Weg (WEGE3), B3 (B3SA3) e Petrobras (PETR4). As ações da Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e Bradespar (BRAP4) foram destaques negativos
  • Destaques da bolsa: A ação da Vale, que tem o maior peso no mercado acionário brasileiro, cravou uma nova cotação mínima no período de 30 dias, chegando a R$ 93,17, uma queda de 1,96%. O movimento ocorre após a companhia anunciar um corte na previsão de investimentos (Capex) para 2021, de US$ 5,8 bilhões para US$ 5,4 bilhões, e ainda sinalizar que essas projeções podem sofrer novas alterações.
  • Juros: A taxa para janeiro de 2022 subiu 44 pontos, a 7,4%, enquanto as para janeiro de 2023 avançou 46 pontos, a 9,245%
  • Exterior: Em Nova York, os principais índices fecharam em queda. O Dow Jones caiu 0,43%, o S&P 500, 0,46% e o Nasdaq, 0,25%
  • Bitcoin: Perto do fim do dia, a criptomoeda operava em leve queda de 0,14%, a US$ 46.313

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