Mudança de regras de quarentena em Hong Kong cria caos em hotéis

Taxa média de reservas em hotéis destinados para quarentena em setembro era de cerca de 70% antes do anúncio de extensão do período de reclusão obrigatória

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Bloomberg — Cerca de 30 minutos depois de Hong Kong reverter sua política de quarentena de sete dias, os telefones da rede Ovolo Hotels não paravam de tocar. A operadora de duas instalações do programa de quarentena obrigatório da cidade também recebeu mais de 850 e-mails, enquanto viajantes desesperados buscavam mudar suas reservas.

A nova decisão de Hong Kong - menos de dois meses depois de relaxar um dos regimes de fronteira mais rigorosos do mundo para frear a Covid-19 - atrapalha planos de viagem e traz caos aos hotéis semanas antes do início do ano letivo e do fim do período de férias de verão.

Segundo autoridades, a crescente preocupação com a variante delta levou à reversão na terça-feira de uma nova regra que permitia que residentes vacinados retornassem de países de médio risco para fazer quarentena em um hotel por apenas uma semana, metade do tempo normalmente necessário. No dia anterior, países como Estados Unidos, Espanha e França foram classificados como de alto risco, exigindo quarentena mais longa, de 21 dias.

Algumas das pessoas que ligavam precisavam estender as reservas, enquanto outras queriam cancelá-las, disse Sonesh Mool, gerente de operações da rede Ovolo. A rápida mudança torna o trabalho mais desafiador, disse.

A mudança reacende críticas à abordagem de Hong Kong para a reabertura, que foi dividida entre tentar recuperar parte de sua conectividade global e manter os casos da Covid perto de zero, a única maneira de reabrir a fronteira com a China continental. Com as infecções limitadas nos últimos meses e vacinação em andamento, as mudanças desta semana surpreenderam e foram consideradas regressivas por associações de empresas. Enquanto isso, Singapura, rival regional de Hong Kong, planeja retomar algumas conexões de viagens já no próximo mês.

Ao contrário de outros países com abordagem semelhante de fronteiras fechadas e tolerância zero, como China continental, Austrália e Nova Zelândia, o governo de Hong Kong não aloca quartos de hotéis de quarentena para viajantes que chegam. São os indivíduos que precisam garantir seus quartos, enquanto os hotéis definem seus preços. Por isso, mudanças repentinas das políticas causam confusão, com algumas pessoas impossibilitadas de embarcar porque não conseguem garantir uma reserva adequada.

A mudança “cria transtornos para quase todos que retornam da Europa, não importa qual seja a categoria”, disse Frederik Gollob, presidente da Câmara de Comércio Europeia em Hong Kong. A situação está “uma bagunça” e “todo mundo que dirige as operações de hotéis em Hong Kong está enlouquecido. Cada um tem que adaptar seus próprios arranjos.”

A taxa média de reservas em hotéis destinados para quarentena em setembro - antes das mudanças serem anunciadas - é de cerca de 70%, disse o Departamento de Alimentos e Saúde da cidade na terça-feira.

Ainda não se sabe o impacto das medidas, disse o departamento do governo. “Continuaremos a monitorar de perto a demanda por quartos de hotéis e a considerar a necessidade de liberar cerca de 1.500 quartos para quarentena individuais se e onde for necessário”, disse o departamento.

Mathew Phan reservou um voo de Hong Kong para os EUA apenas quatro dias antes da mudança na segunda-feira, que classificou 15 países com alto risco.

O analista financeiro agora terá de passar três semanas trancado em um quarto de hotel quando voltar dos EUA, onde fará um curso em outubro. Phan ecoou a irritação de muitos com as mudanças inesperadas, que inundaram o Facebook e outros grupos nas redes sociais para coordenar o complicado sistema de quarentena.

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