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Finanças pessoais

O que fazer quando o mercado está volátil e perde referencial de preço

Estratégia de longo prazo, ainda que óbvia, é esquecida por muitos gestores. “No limite é tentar comprar uma moeda de um real por 50 centavos”, diz Caio Lewkowicz, gestor de portfólios

Tempo de leitura: 2 minutos

São Paulo — A busca de papéis resilientes a longo prazo e que apresentem fundamentos fortes num horizonte de três a cinco anos pode oferecer margem de segurança para investidores quando o mercado está volátil e a maioria dos agentes perde a referência de preço.

“Sempre tentamos comprar por um valor abaixo do que achamos que vale, que é onde entra a questão de margem de segurança”, conta. “No limite, é comprar uma moeda de um real por cinquenta centavos. Nem sempre conseguimos tudo isso, mas tentamos compor o portfólio dessa forma”, afirmou Caio Lewkowicz, gestor de portfólio e sócio da Tarpon.

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Por que isso é importante? O gestor conta que o objetivo dos fundos é sempre buscar por um portfólio bem equilibrado, contando com uma parte que dependa mais da atividade macroeconômica e outras menos expostas. O leque do fundo Wahoo, por exemplo, conta ainda com papéis ligados ao agronegócio, como Kepler Weber e Brasil Agro, e companhias de utilities, que garantem a parte mais defensiva.

“Em momentos de volatilidade, o mercado perde um pouco o referencial de preço e valor; ou seja, a relação de quanto de fato vale o ativo e quanto está sendo negociado na bolsa. Nesses momentos, costumam aparecer muitas oportunidades de investimento.”

Contexto: Lewkowicz relembra que, no início da pandemia de covid-19, muitos papéis da bolsa caíram em magnitudes parecidas. Inicialmente, o primeiro passo dos gestores da Tarpon foi estudar se as empresas conseguiriam atravessar os desdobramentos do vírus; depois, tentaram adiantar como as empresas seriam afetadas; por último, buscaram quais ações seriam beneficiadas por aquela situação. Isso fez com que aumentassem suas exposições a papéis que se mostraram bastante resilientes após o susto inicial - como Arcos Dorados, responsável pela operação do McDonald’s na América Latina, ele exemplifica.

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Já na pandemia, o papel da Locaweb foi incluído no Wahoo, um dos fundos da gestora. “Era um IPO recente, a ação ainda tinha caído, e o mercado não tinha percebido o potencial. A Locaweb tem uma parte de digitalizar o pequeno e médio varejista, que consegue montar um e-commerce em 10 minutos, já conectado a todos os principais marketplaces. Os varejistas precisaram se digitalizar muito rápido nesse período, e a Locaweb pegou todo esse movimento de digitalização, que já era tendência e a pandemia acelerou.”

E daqui para frente? As ofertas iniciais de ações no Brasil estão em um momento quente. Só no primeiro semestre, a B3 registrou 28 aberturas de capital, o mesmo número de todo o ano de 2020, somando R$ 66,1 bilhões.

“Queremos estar em empresas e setores que tenham bom desempenho, independente do cenário macropolítico”, explica o gestor. “O próximo ano será eleitoral, e provavelmente mais volátil. Anos eleitorais trazem ainda ruídos políticos. Nosso papel é usar a volatilidade a nosso favor.”

A Tarpon trabalha com dois fundos, ambos voltados para o longo prazo e para públicos diversos:

  • O GT, que engloba empresas pequenas e médias, fechou para novas captações recentemente ao tocar o R$ 1 bilhão.
  • Já o Wahoo, criado em outubro de 2019, voltado para empresas maiores, está em R$ 250 milhões e tem capacidade para R$ 4 bilhões.
  • A gestora de 19 anos administra, no momento, cerca de R$ 7 bilhões no total, incluindo os outros polos além desses fundos. De acordo com o sócio, o lançamento de novos fundos não está no radar, já que esses dois já abrangem “todo um universo da bolsa”.
Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

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