Bloomberg — A Argentina planeja realizar uma cúpula ainda em setembro com líderes da América Latina e do Caribe, segundo pessoas a par do assunto, em um esforço para criar uma estratégia regional de combate à mudança climática para as negociações globais em novembro.
O governo do presidente Alberto Fernández quer trazer o enviado dos EUA para o clima, John Kerry, ao evento em Buenos Aires, segundo as pessoas, que pediram para não serem identificadas. Os convites estão sendo enviados aos presidentes, embora seja mais provável que a conversa ocorra em nível ministerial e seja virtual, disseram as pessoas.
A assessoria de imprensa de Kerry não respondeu a pedidos de comentário.
Os planos para a cúpula ainda estão sendo finalizados e continuam sujeitos a restrições de viagens relacionadas à pandemia e questões sanitárias, disseram as pessoas. A América Latina responde por cerca de 25% das mortes globais por Covid-19, apesar de possuir apenas 8% da população mundial. A recessão do ano passado foi a pior da região desde o início do século 19.
Chile, Costa Rica e Colômbia se inscreveram como coorganizadores do evento climático, segundo uma autoridade do governo Biden, que também pediu para não ser identificada. Barbados e República Dominicana são coorganizadores adicionais, enquanto o México planeja participar, disseram outras fontes.
A cúpula tem como objetivo criar um fórum para chegar a um acordo sobre uma agenda climática coordenada para a mesa das negociações da COP26, apoiadas pelas Nações Unidas e programadas para ocorrer em Glasgow, na Escócia, no início de novembro, segundo a autoridade dos EUA. Também se destina a dar sequência ao encontro virtual de 40 líderes mundiais que Biden organizou no final de abril.
A Argentina apresentou a ideia da cúpula da América Latina a Kerry, que foi receptivo, segundo uma pessoa a par dos planos.
Para a Argentina, assumir a liderança climática também serve a outro propósito, alinhando Fernández com o presidente dos EUA, Joe Biden, em uma prioridade para o governo americano. Isso é importante porque a Argentina precisa do apoio do governo Biden, pois se prepara para reprogramar os pagamentos do empréstimo recorde de US$ 45 bilhões devido ao Fundo Monetário Internacional.
Os EUA serão a chave para obter a aprovação de um novo programa do FMI, porque é o maior acionista do Fundo. Com isso, Fernández busca fortalecer o relacionamento bilateral com o governo Biden, segundo duas pessoas.
Fernández também quer viajar a Washington para se encontrar pessoalmente com Biden este ano, embora o plano ainda esteja em estágio preliminar, disseram duas pessoas.
Os preparativos para a cúpula do clima devem ser o principal tópico de discussão na sexta-feira, quando o assessor de Segurança Nacional de Biden, Jake Sullivan, e Juán Gonzalez, diretor sênior para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional, visitam Buenos Aires e se encontram com Fernández, bem como com o ministro da Economia, Martín Guzmán, e com o ministro de Relações Exteriores, Felipe Solá, segundo as pessoas. A viagem é a primeira de Sullivan à região.
Outros tópicos da agenda da reunião de sexta-feira incluem ideias para fortalecer o setor de manufatura e a produção na América Latina. A delegação dos Estados Unidos, que inclui Ricardo Zúñiga, funcionário do Departamento de Estado, também deve discutir os problemas enfrentados pelo Triângulo Norte da América Central (Honduras, El Salvador e Guatemala). A região enfrenta violência, pobreza, fome e efeitos da mudança climática, fatores que incentivam a migração ilegal para os EUA.
Os assessores de Biden viajaram para Brasília na quinta-feira, onde Sullivan se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. A agenda incluiu temas como parceria estratégica, estabilidade regional, objetivos climáticos e colaboração em infraestrutura digital, além de soluções para a recuperação da pandemia, de acordo com a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Emily Horne.
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