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Internacional

Recuperação das ações do Japão após Olimpíadas depende do combate à Covid-19

Decisão de realizar os Jogos Olímpicos mesmo em meio à pandemia afetou aprovação do atual governo, o que pode levar à instabilidade política e atrasar recuperação econômica

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Bloomberg — A sombra dos Jogos Olímpicos pairou sobre o mercado de ações do Japão por meses, com alguns temendo o desastre da Covid-19 e outros esperando que a conquista de medalhas ajudasse o país a superar mentalmente a pandemia.

Com menos de uma semana para o fim dos Jogos, as próprias Olimpíadas devem ser consideradas uma conquista. As interrupções relacionadas à Covid foram mínimas, e os atletas do Japão conquistaram um recorde de 20 medalhas de ouro.

Contudo, a perspectiva do mercado é mista, com analistas de opiniões divididas no que diz respeito à possibilidade de as ações japonesas – que geralmente são impulsionadas com a conquista de medalhas – se recuperarem nos próximos meses à medida que o ritmo da vacinação aumenta. A alternativa é que uma onda crescente de casos de Covid e a desilusão pública com o manejo da pandemia levem à instabilidade política, piorando o desempenho inferior dos benchmarks das ações do Japão.

Em um ano normal, o ouro olímpico estimularia os mercados. Akiyoshi Takumori, economista-chefe da Sumitomo Mitsui DS Asset Management, observou que, durante décadas, o índice Nikkei 225 aumentou durante quase todas as Olimpíadas em que o Japão alcançou medalhas de ouro na casa das dezenas.

Mas desta vez, os Jogos começaram no meio de um aumento recorde de coronavírus, com o público já cansado dos estados de emergência cada vez mais ineficazes. O primeiro-ministro Yoshihide Suga apostou sua reputação no manejo seguro dos Jogos Olímpicos e do vírus e vai disputar a liderança do partido em setembro, antes das eleições gerais no final do ano.

“Com as Olimpíadas e os casos aumentando durante esse tempo, existe o risco de que o governo Suga fique atrelado a essa imagem de descontrole da pandemia”, disse Tomoichiro Kubota, analista sênior de mercado da Matsui Securities Co. em Tóquio.

Alguns investidores alertam sobre o que isso significa para cenários que pressupõem uma recuperação no final do ano. O Nikkei 225 subiu apenas 0,5% no ano, ficando entre os benchmarks de mercados desenvolvidos monitorados pela Bloomberg com o pior desempenho.

“Na pior das hipóteses, os economistas podem ter de repensar o cenário de recuperação econômica no final do ano”, disse Hiroshi Namioka, estrategista-chefe da T&D Asset Management Co. “O índice de aprovação do governo Suga pode cair ainda mais com o fato de que os Jogos Olímpicos foram realizados apesar dos problemas relacionados a isso, o que pode afetar as ações japonesas”.

Ainda assim, com Tóquio registrando um total de apenas cinco mortes relacionadas a Covid na última semana – em uma população de 14 milhões – alguns dizem que a cidade pode estar aprendendo a viver com grandes índices de infecção.

“As pessoas estão focando mais nos números de casos graves e mortes, embora os programas de TV passem outra ideia”, disse Tetsuo Seshimo, gerente de fundos da Saison Asset Management Co. “A situação é totalmente diferente do ano passado.”

Isso tudo graças ao aumento das inoculações, com mais de 75% da população acima de 65 anos agora totalmente vacinada. Embora pesquisas ainda indiquem que a maioria está insatisfeita com a situação, o governo espera que mais de 40% da população geral tenha tomado as duas doses quando o atual estado de emergência acabar – no final de agosto.

Fatores externos, que afetaram fortemente as ações do Japão neste ano, também devem ser um contabilizados. O aperto regulatório da China poderia proporcionar uma pausa aos investidores estrangeiros no país, beneficiando o Japão, enquanto os analistas Masashi Akutsu e Hikaru Yasuda da SMBC Nikko Securities Inc. preveem que o Japão se beneficiará com dados de empregos mais sólidos nos EUA e uma queda no IPC.

“As perspectivas de setembro também estão melhorando no Japão”, escreveram em uma nota de 29 de julho, citando a expectativa de que mais de 50% da população será vacinada até setembro, bem como a probabilidade de estímulo antes das eleições. “Tudo isso preparou o terreno para a recuperação doméstica de setembro a outubro e até dezembro.”

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