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O que você precisa saber sobre a decisão de distribuir R$ 2,41 por ação da Petrobras

No 1º balanço sob comando de Luna e Silva, investidores levaram a melhor sobre a base do presidente. Mas há pressões dentro do próprio governo para mudar isso

Petrobras: distribuição bilionária de dividendos
04 de Agosto, 2021 | 08:46 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

A Petrobras vai pagar R$ 2,41 para cada ação em poder de seus investidores a título de antecipação de dividendos graças ao lucro do segundo trimestre, anunciado na noite desta terça-feira (4).

Se considerado apenas o preço do fechamento (PETR4: R$ 26,28) antes do balanço, isso representaria um yield de 9,1% decorrente de único anúncio.

Ao todo, a distribuição dos R$ 31,6 bilhões aos acionistas ocorrerá a título de antecipação de dividendos de 2021 da seguinte forma:

  • 1) a primeira parcela (R$ 21 bilhões) será paga na forma de dividendos em 18 de agosto (R$ 1,6099 por ação). A data de corte é dia 16.
  • 2) a segunda de R$ 10,6 bilhões (R$ 0,8126 por ação) será paga em dezembro. Ainda não está decidido se o valor remanescente será distribuído em forma de dividendos ou JCP (sobre o qual incide imposto de renda).

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: Este foi o primeiro balanço da empresa sob a presidência do general Joaquim Luna e Silva desde abril, quando assumiu após uma sequência de desgastes entre o presidente Jair Bolsonaro e o antecessor, Roberto Castello Branco, cuja gota d’água foram reajustes no preço do diesel.

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Luna e Silva vem cumprindo o mesmo programa de Castello Branco até agora. Ele vem sendo contrário a subsídios no preço do combustível – o que irrita parte da base do presidente, como caminhoneiros, por exemplo – e conduzido a saída da estatal dos setores como refinarias e distribuição para manter o foco em projetos mais lucrativos no pré-sal.

O montante de dividendos anunciado agora indica que, pelo menos temporariamente, os investidores sobre a política eleitoral. A União deve receber ao menos R$ 11,5 bilhões.

CONTEXTO: A substituição de Castello Branco por Luna e Silva não arrefeceu, no entanto, pressões de setores do próprio governo para usar a Petrobras para beneficiar a base eleitoral do presidente. Caminhoneiros, que votaram em peso em Bolsonaro em 2018, queixam-se a toda hora do preço do diesel.

O preço do botijão de gás de cozinha, superior a R$ 100 em algumas regiões, é outra fonte de incômodo político já que corrói parte importante da renda das famílias mais pobres. Rogério Marinho, poderoso ministro do Desenvolvimento Regional que tem forte interlocução no Congresso, vem vocalizando esta insatisfação dentro do governo – e sendo um contraponto a Paulo Guedes (Economia).

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Em uma entrevista a uma rádio de Natal, sua base eleitoral, Marinho defendeu uma mudança na política de preços da Petrobras em termos duros.

“O governo precisa repensar a política de preços em relação à Petrobras, que foi importante em um momento, e não é mais. Quando a Petrobras foi assaltada pelo Partido dos Trabalhadores e por seus comandados, houve uma necessidade, e o Temer fez isso, de estabelecer uma paridade internacional para resgatar a credibilidade da empresa. Nesse momento, não”, disse o ministro à Rádio 96 FM no dia 16 de julho.

Marinho disse que a política da Petrobras beneficia apenas os acionistas da empresa. “Como está pagando e prospectando o barril de petróleo por 20 dólares, mas vendendo por 78? Os acionistas estão muito bem, obrigado, mas a população não. O presidente tem essa sensibilidade.”

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.