Scala aposta em ‘cidade’ de data centers para atrair investimentos em IA ao Brasil

Em entrevista à Bloomberg News, o vice-presidente sênior Luciano Fialho afirma que a primeira fase da Scala AI City, na região de Porto Alegre, deve começar no fim deste ano; ‘Brasil tem uma janela de oportunidade’, diz Fialho

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Bloomberg — A brasileira Scala Data Centers apresentou um projeto do tamanho de uma cidade a empresas de tecnologia estrangeiras, enquanto o Brasil corre para capturar investimentos impulsionados pela inteligência artificial (IA) e capitalizar sua vantagem geopolítica.

A construção da primeira fase da Scala AI City deve começar no fim deste ano, disse o vice-presidente sênior Luciano Fialho em entrevista à Bloomberg News.

A Scala, apoiada pela DigitalBridge, negocia com gigantes de tecnologia americanos e chineses para garantir um hyperscaler para usar as instalações com servidores de IA e chips de alto desempenho, disse Fialho.

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A turbulência no Oriente Médio evidenciou a atratividade do Brasil como um país distante das principais zonas de conflito, disse o executivo da desenvolvedora brasileira de data centers.

“O Brasil tem uma janela de oportunidade”, disse Fialho. “É uma grande oportunidade para o país se posicionar e atrair bilhões em investimentos.”

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A primeira fase custaria à Scala cerca de US$ 500 milhões em infraestrutura, enquanto um hyperscaler gastaria um múltiplo desse valor em equipamentos de computação para inteligência artificial, disse ele.

Provedores de nuvem americanos e chineses poderiam usar instalações separadas na Scala AI City sem comprometer a segurança dos dados, afirmou.

A Scala obteve aprovação para conexão de energia de até 5 gigawatts para o projeto Scala AI City na região de Porto Alegre — potência equivalente ao consumo de São Paulo ou Londres. Um gigawatt equivale a um reator nuclear tradicional.

A abundância de energia renovável, a maior quantidade de cabos de fibra óptica de alta velocidade da América do Sul e uma rede elétrica nacional interligada fazem do Brasil o país mais bem posicionado da região para aproveitar o boom global de data centers.

Ataques de drones a data centers em países como Irã, Emirados Árabes Unidos e Bahrein começam a forçar uma revisão sobre onde as empresas instalam infraestruturas críticas.

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Governos estaduais e municipais no Brasil disputam investimentos em data centers como forma de impulsionar as economias locais e criar polos tecnológicos. Esse entusiasmo contrasta fortemente com partes dos Estados Unidos, onde os data centers enfrentam resistência crescente por causa da demanda de energia, uso do solo e ruído.

“É um projeto que vai impulsionar ainda mais nossa economia e consolidar o estado como referência em tecnologia e inovação no Brasil e na América Latina”, disse Leandro Evaldt, secretário de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, onde a Scala AI City está localizada.

A Scala foi criada pela DigitalBridge em 2020 após a gestora de investimentos adquirir ativos de data centers da brasileira UOL Diveo. O conglomerado japonês SoftBank concordou em adquirir a DigitalBridge por cerca de US$ 3 bilhões como parte de uma expansão em data centers e inteligência artificial.

A empresa também planeja expandir outros projetos de data centers no Brasil neste ano, incluindo um campus em São Paulo onde investiu cerca de R$ 12 bilhões e continuará crescendo até atingir 600 megawatts.

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