Bloomberg Línea — Ninguém transita melhor no mundo de IA do que Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, a companhia mais valiosa do mundo atualmente, com um valor de mercado de US$ 4,6 trilhões.
Na CES desde ano, o CEO de 62 anos é uma figura-chave e transita com desenvoltura entre eventos. Desde o próprio da Nvidia aos de parceiros como a Siemens e a Lenovo.
O grande apelo presente no discurso do executivo taiwanese-americano é a IA física (ou physical AI), com o avanço da tão esperada conexão entre robótica e software. No keynote speech da CES, na segunda (5), Huang afirmou que “o momento ChatGPT da robótica chegou”.
Em entrevista coletiva para a imprensa no dia seguinte (6), o executivo afirmou que os robôs com habilidades humanas devem chegar ainda neste ano ao mercado.
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“A tecnologia está evoluindo muito rapidamente”, afirmou Huang, ao defender avanços em áreas como mobilidade, articulação, habilidades motoras finas e cognição.
O profissional conquistou uma áurea de guru de tecnologia nos últimos anos ao exercer um papel de liderança no mercado de IA.
“Nós não usamos apenas nossos olhos, também usamos o tato”, disse. ”E os robôs tem apenas olhos, portanto, ele precisa ter tato. Essas habilidades motoras finas são difíceis, difíceis de desenvolver, mas estamos criando tecnologia nessa área e vejo que o resto da indústria também está.”
Para o executivo, a evolução dos processos com inteligência artificial se traduzirá não na perda de postos de trabalho mas, ao longo do tempo, em uma força de trabalho complementar em vários setores em que já há escassez de profissionais.
Trata-se de déficit que tende a aumentar diante da queda da taxa de natalidade ao longo dos últimos anos em diferentes partes do mundo.
‘Nós, como população, não seremos mais capazes de sustentar as economias que gostaríamos de ter”, afirmou Huang. Os “imigrantes de IA”, na visão do executivo, ocuparão esse papel de “chão de fábrica” e farão os trabalhos que os humanos optarem por não fazer.
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O pensamento acompanha um modelo de raciocínio similar ao que ocorre há anos em países desenvolvidos.
No caso, saem os imigrantes de países pobres ou em desenvolvimento e entram os humanoides. Uma perspectiva que soa bastante otimista frente aos desafios pelos quais passam ainda uma parte considerável da população mundial.
Para o CEO da Nvidia, a “revolução da robótica” tende a impulsionar a economia e a abrir caminho para a criação de mais vagas para contratar mais pessoas.
“Precisamos que a inflação permaneça baixa para que mais empregos sejam criados e o custo de vida seja mais acessível.”
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