Bloomberg — A Huawei e a Xiaomi elevaram as apostas no mercado de smartphones da China poucos dias antes da primeira incursão da Apple na categoria dos dobráveis.
A Huawei revelou na segunda-feira (7) a mais recente edição de seu aparelho ultrapremium de tripla dobra, o Mate XT 2, que tem dois mecanismos de dobra.
Sucessor do Mate XT lançado dois anos atrás, o novo aparelho aumenta a complexidade da engenharia, bem como o preço: para 19.999 iuanes (US$ 2.980), ou cerca de 10% a mais.
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O líder do negócio de consumo da empresa, Richard Yu, disse que a alta no custo se deve em parte à crescente dificuldade de obter memória.
Em outro sinal do aperto no fornecimento de memória atingindo as especificações, o Mate XT 2 — que funciona como um smartphone comum que pode se desdobrar num tablet de 10,2 polegadas — vem com 16 GB de memória e 256 GB de armazenamento em sua edição mais básica, quantidades relativamente modestas para um produto premium.
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O novo aparelho dobrável é significativo por inaugurar a filosofia de design de chips LogicFolding da Huawei, com seu processador Kirin 9050 Pro sendo o primeiro chip desenvolvido sob esse programa.
A chefe de semicondutores da Huawei, He Tingbo, revelou no início deste ano o caminho alternativo para desenvolver semicondutores de ponta, voltado a contornar as restrições lideradas pelos Estados Unidos que barram o acesso da empresa a ferramentas avançadas de litografia.
Antes do lançamento do telefone de tripla dobra, He publicou um artigo rebatendo a preocupação de que sua tecnologia levaria ao superaquecimento e disse que o novo chip reduziu significativamente o consumo de energia.
“O chip era mais frio que seu antecessor, mesmo tendo 55% mais transistores por milímetro quadrado e entregando uma redução de até 66% no consumo de energia em algumas tarefas-chave”, escreveu He no artigo.
O Mate XT 2 estará disponível para compra na China a partir de sábado.
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Mais tarde também nesta segunda-feira, o presidente-executivo da Xiaomi, Lei Jun, revelou o Xiaomi 18 Fold, outro dobrável desenvolvido na China, conforme os fabricantes locais buscam maior autossuficiência.
Partindo de 10.999 iuanes na versão de 256 GB, o aparelho funcionará com memória produzida pela chinesa CXMT e com o processador Xring O3 da Xiaomi. Ele traz um design semelhante a um passaporte, parecido com o que se espera que seja a aparência do primeiro iPhone dobrável da Apple.
“Neste momento, a memória está muito cara. Então nosso preço não é barato, mas é definitivamente um bom custo-benefício”, disse Lei num evento glamouroso em Pequim que reuniu mais de 3 mil participantes.
Os lançamentos de duas das principais marcas da China ressalta a ameaça e a oportunidade que a entrada da Apple no nicho, mas premium, segmento dos dobráveis representa.
Com preço esperado acima de US$ 2.000, o iPhone dobrável trará nova atenção a esses aparelhos, que os fabricantes chineses e a líder global de embarques Samsung Electronics vendem há anos. Na China, os dobráveis têm sido um ponto positivo resiliente num mercado em outros aspectos em declínio.
“A Apple tem a maior base instalada de aparelhos premium do mundo. Seu dobrável venderá bem e conquistará participação de mercado rapidamente”, disse o analista da Counterpoint Ivan Lam.
Ele espera que o novo aparelho estimule uma adoção mais ampla entre os consumidores, com efeitos de transbordamento que elevam a demanda também pelos aparelhos dos rivais.
O lucro da Xiaomi caiu por três trimestres consecutivos, conforme a empresa trabalhou para reduzir os embarques de aparelhos de baixo custo que dão prejuízo.
A Huawei, embora ainda registre crescimento nos embarques, também viu seu lucro cair no primeiro semestre, em parte porque a empresa foi forçada a estocar mais componentes para se defender dos custos crescentes de memória.
A Huawei se juntou à Xiaomi e à Honor Device numa nova rodada de altas de preço no início deste mês, reportou a mídia local.
Os smartphones caminham para sua pior contração já registrada neste ano, com os embarques provavelmente caindo 14%, mostram os dados da Counterpoint.
Os fabricantes chineses de smartphones estão entre os mais atingidos devido à sua exposição desproporcional a aparelhos de baixo custo, os menos capazes de absorver o custo dos preços disparados dos componentes.
Para escapar desse aperto e elevar os preços de venda, a maioria das marcas agora promove intensamente suas linhas premium, como os dobráveis.
Sair alguns dias antes do vistoso evento de novos produtos da Apple na quarta-feira dá às marcas a chance de dominar os holofotes ao menos momentaneamente.
A Apple poderia conquistar um quarto do mercado global de dobráveis neste ano e reivindicar a primeira posição com uma participação de 41% no ano que vem, segundo projeções da Smart Analytics Global.
-- Com a colaboração de Gao Yuan.
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