Diretor da CIA quer acelerar adoção de IA e diz que decisão final seguirá com pessoas

O diretor da CIA, John Ratcliffe, anunciou planos para aumentar o uso de inteligência artificial e computação quântica na agência, destacando a importância dessas tecnologias nas mudanças da geopolítica global

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Bloomberg — O diretor da CIA, John Ratcliffe, prometeu intensificar os esforços da agência para implementar inteligência artificial e computação quântica, ressaltando que os rápidos avanços nas tecnologias emergentes estão mudando a natureza da geopolítica.

Em uma rara declaração pública na terça-feira (30), Ratcliffe prometeu realizar mudanças organizacionais na Agência Central de Inteligência para ampliar a adoção de tecnologias de ponta.

Ele alertou que os Estados Unidos devem agir rapidamente, pois os rivais do país também estão buscando a IA, comparando suas capacidades a “armas nucleares digitais” que estão “reescrevendo a realidade dos conflitos”.

“O avanço mundial das ferramentas de IA só continuará a elevar os riscos em nossa competição com todos os adversários dos Estados Unidos”, afirmou Ratcliffe em uma conferência de tecnologia em Washington organizada pela unidade de Serviços da Web da Amazon.com (AMZN), que foi a primeira grande desenvolvedora de IA a firmar um acordo para fornecer à CIA computação em nuvem segura.

A CIA realizou cerca de 400 contratações de serviços de tecnologia nos últimos seis meses, com o objetivo de concluir a maioria dos acordos no mesmo prazo semestral, disse ele. Isso reduziria o que antes era um processo de até 24 meses, seguido por uma análise de segurança de nove meses, acrescentou.

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Embora Ratcliffe não tenha citado nomes de novos contratados, ele elogiou as capacidades da SpaceX e disse que havia convidado Elon Musk para visitar a CIA no início de seu mandato, juntamente com executivos da Amazon, do Google e da Dell.

Para acelerar a adoção, Ratcliffe afirmou que a CIA fortaleceu a comunicação com parceiros privados, implementou uma nova estrutura de aquisições e trabalhou para padronizar os dados em toda a agência.

Seus comentários ecoaram as declarações do secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, em janeiro, quando anunciou mudanças organizacionais no Pentágono para acelerar a implantação da IA nas Forças Armadas.

A iniciativa do Pentágono levantou questões sobre como utilizar a IA de forma ética em combate, especialmente com as Forças Armadas dos EUA empregando-a durante operações contra o Irã.

As negociações contratuais do Pentágono com empresas de IA desencadearam uma acirrada disputa entre a Anthropic e autoridades de defesa sobre medidas de segurança adicionais que a empresa tem buscado para o uso militar de seus produtos.

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Em março, o Departamento de Defesa decidiu descartar a startup e a declarou um risco para a cadeia de suprimentos, uma designação que a Anthropic está tentando reverter na Justiça.

Meses depois, o presidente Donald Trump emitiu um memorando sobre IA para agências de defesa e segurança nacional que aborda algumas das tensões fundamentais entre a Anthropic e o Pentágono.

As declarações de Ratcliffe estiveram amplamente alinhadas com o memorando de Trump, que incluía um apelo para que as agências adotassem rapidamente uma variedade de fornecedores, ao mesmo tempo em que buscavam garantias de que o acesso à sua tecnologia não seria interrompido. As diretrizes, no entanto, não responderam diretamente à questão de quanto envolvimento humano seria necessário no uso de ferramentas de IA.

No início deste mês, o Departamento de Defesa abriu as portas para um uso mais amplo da IA na seleção de alvos de combate, segundo reportagem da Bloomberg News. Os princípios revisados do Pentágono prevêem permitir que a IA inicie ações sob monitoramento humano, em uma mudança em relação à prática atual, na qual os seres humanos dão o primeiro passo.

Em suas declarações, Ratcliffe afirmou que a CIA continuaria sendo orientada pela tomada de decisão humana, mesmo ao adotar a IA, enfatizando que “somente as pessoas podem decidir qual é o caminho certo a seguir”. Ainda assim, ele exortou os EUA a assumirem riscos na busca por essa tecnologia emergente.

“Vamos assumir riscos calculados, vamos experimentar e, então, vamos corrigir o rumo à medida que avançamos”, disse ele. “Mais agentes da CIA terão que se sentir tão à vontade lidando com linhas de código quanto lidam com ativos humanos e fontes.”

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