De garagem a império de US$ 4 trilhões em tecnologia: a trajetória da Apple em 50 anos

Empresa fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak em 1976 construiu ecossistema integrado de hardware, software e serviços e hoje é a segunda maior do mundo em valor de mercado

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Bloomberg Línea — Nesta quarta-feira, 1º de abril, a Apple (AAPL) completa 50 anos. A empresa foi fundada em 1º de abril de 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne em uma garagem em Cupertino, Califórnia, numa época em que a informática era uma ferramenta exclusivamente industrial.

Hoje, sua capitalização de mercado gira em torno de US$ 4 trilhões, sendo a segunda empresa mais valiosa do mundo.

Em cinco décadas, a Apple passou de vender computadores artesanais a construir um ecossistema integrado de hardware, software e serviços, com receitas que , segundo as estimativas, devem atingir cerca de US$ 465,37 bilhões no final de 2026.

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O primeiro trimestre fiscal deste ano foi encerrado com receitas de US$ 143,8 bilhões, uma margem bruta de 48,2% — uma das mais altas da história da empresa — e um segmento de Serviços que atingiu US$ 30 bilhões no trimestre.

Na China, as vendas do iPhone 17 cresceram 38% em relação ao ano anterior.

O caminho não foi linear. A empresa passou pela saída de seu cofundador em 1985, uma situação próxima da insolvência técnica em meados dos anos 90 — com um prejuízo líquido de US$ 1,045 bilhão e um valor de mercado de apenas US$ 4,003 bilhões em 1997 — e produtos que não conseguiram se consolidar, entre eles o Apple Newton e o console Pippin. Em cada caso, a empresa encontrou uma maneira de se reerguer.

Após a morte de Steve Jobs, em 2011, Tim Cook assumiu a liderança e direcionou a estratégia para a eficiência operacional, as recompras massivas de ações e a geração de receitas recorrentes por meio do ecossistema de serviços.

Hoje, a Apple também está implementando um plano de sucessão: a aposentadoria de veteranos como Jeff Williams e a contratação de Jennifer Newstead — ex-Meta — como diretora de assuntos jurídicos e governamentais são sinais de que a empresa está se preparando para uma era de maior escrutínio regulatório.

No âmbito tecnológico, a empresa aposta na inteligência artificial processada diretamente no dispositivo, sem enviar dados para a nuvem.

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A atualização do iOS 26.4, prevista para o segundo semestre do ano, integrará uma nova versão da Siri com processamento híbrido entre a nuvem e o dispositivo local. Para setembro, espera-se o lançamento do iPhone 18 Pro, com tecnologia de 2 nanômetros, e um possível iPhone dobrável.

Momentos decisivos

Nos últimos 30 anos, houve oito momentos que redefiniram de forma decisiva o rumo da empresa, de acordo com o relatório da XTB publicado por ocasião do aniversário.

  • O primeiro foi o retorno de Jobs em 1997, quando a Apple estava à beira da falência. Jobs negociou um investimento de US$ 150 milhões com a Microsoft e eliminou 70% do catálogo de produtos. As ações estavam cotadas a US$ 0,15.
  • O segundo foi o lançamento do iPod e do iTunes em 2001, momento em que a Apple deixou de ser exclusivamente uma empresa de computadores. Foi aí que surgiu o ecossistema fechado de hardware, software e conteúdo digital. O preço das ações chegou a US$ 0,39.
  • O terceiro foi o iPhone, em 2007. O aparelho revolucionou o setor de telefonia e criou uma plataforma de distribuição — a App Store — com uma comissão de 30% sobre bilhões em transações. As ações chegaram a US$ 3,06.
  • O quarto marco foi o lançamento da App Store em 2008, com 2 milhões de aplicativos e 500 milhões de usuários ativos. Trocar de iPhone passou a significar perder aplicativos, fotos, mensagens e hábitos. O preço das ações chegou a US$ 4,83.
  • O quinto marco foi o lançamento do Apple Silicon em 2017, quando Tim Cook iniciou a ruptura com a Intel. Os chips da série A do iPhone demonstraram que a Apple era capaz de superar a Qualcomm e lançaram as bases para o chip M1. As ações estavam cotadas a US$ 30,34.
  • O sexto marco foi o lançamento do chip M1 em 2020, que superou o desempenho por watt da Intel. A Apple passou a controlar toda a pilha: hardware, chip, sistema operacional e aplicativos. A margem bruta do Mac subiu cerca de 20 pontos. O preço das ações passou de US$ 77 para US$ 131.
  • O sétimo foi o lançamento do Apple Vision Pro em 2023 e o lançamento do Apple Intelligence, o sistema de inteligência artificial integrado ao dispositivo, cujo principal diferencial em relação à estratégia de nuvem do Google e da Microsoft é a privacidade. O preço das ações subiu de US$ 144 para US$ 184.
  • O oitavo é o período de 2025–2026, no qual o segmento de Serviços ultrapassou US$ 100 bilhões anuais e a Apple Intelligence foi integrada a todo o ecossistema. O preço das ações subiu de US$ 236 para US$ 250.

A gênese

Segundo explica a XTB, a Apple surgiu num contexto em que a informática era uma ferramenta exclusivamente industrial. Após a saída prematura de Wayne (um dos fundadores da empresa), o capital obtido com a venda de bens pessoais permitiu financiar o Apple I, mas foi o Apple II, em 1977, que consolidou a viabilidade financeira da empresa, vendendo milhões de unidades em uma década.

A abertura de capital em dezembro de 1980, com um preço de US$ 22 por ação, gerou mais capital do que qualquer outra oferta pública desde a Ford em 1956 e elevou a avaliação da Apple para mais de US$ 1,7 bilhão logo no primeiro dia.

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“No entanto, o lançamento do Macintosh, em 1984, foi o momento em que a Apple definiu seu espírito rebelde”, observa a XTB. Foi então que surgiu o comercial “1984”, dirigido por Ridley Scott, que quase não chegou a ser exibido porque a diretoria o considerou muito abstrato e caro, chegando a pedir à agência de publicidade que revendesse o espaço comprado no Super Bowl.

A agência recorreu a um artifício para não ter que vender o tempo de veiculação, e o anúncio se tornou um marco cultural que catapultou o Macintosh ao sucesso.

Apesar do sucesso de marketing, o Macintosh enfrentou dificuldades financeiras iniciais devido ao seu alto preço em comparação com os clones da IBM, o que agravou as tensões entre Jobs e o então CEO, John Sculley.