A Evertec já investiu US$ 1 bilhão em M&As no Brasil. O CEO global diz que quer mais

Em pouco mais de dois anos, a companhia de tecnologia para o mercado financeiro adquiriu a Sinqia, a PaySmart, a Tecnobank e a Dimensa, e pretende continuar investindo de olho em ganhar escala rapidamente, disse Mac Schuessler à Bloomberg Línea

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Bloomberg Línea — Uma desconhecida no Brasil até 2023, a porto-riquenha Evertec transformou o país em um dos seus maiores mercados em menos de três anos ao investir cerca de US$ 1 bilhão em fusões e aquisições (M&As).

A companhia de tecnologia para o mercado financeiro adquiriu em 2023 a Sinqia, outrora a smallcap queridinha entre os investidores locais, a PaySmart, a Tecnobank e, mais recentemente, a Dimensa, um joint-venture entre a B3 e a Totvs.

Em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea, o americano Mac Schuessler, CEO global da empresa desde 2015, detalhou a lógica por trás dessa aposta bilionária e os próximos passos que moldarão o futuro da companhia na América Latina.

Segundo ele, o Brasil é um mercado grande e atraente, e a Evertec pretende comprar mais empresas no país.

“O Brasil é o melhor mercado da região porque você consegue ganhar escala rapidamente. É um mercado aberto, com profissionais talentosos. Continuaremos investindo enquanto enxergarmos oportunidades”, disse Schuessler.

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O grupo fechou o ano de 2025 com receita de US$ 931,8 milhões, alta de 10,2% em relação ao ano anterior, e ficou mais perto de chegar ao seu primeiro US$ 1 bilhão.

Em parte, a expansão é atribuída no balanço ao “forte crescimento” da operação no Brasil, que avança a partir de estratégias de cross-sell e aumento do tíquete médio nos mais de 1.000 clientes que estão no portfólio no país.

A decisão de investir cerca de US$ 1 bilhão no mercado brasileiro não é aleatória. Schuessler aponta algumas razões estratégicas fundamentais. “O Brasil é ótimo porque, em primeiro lugar, é de longe o maior mercado. É um dos maiores do mundo, não apenas o maior da América Latina”, afirmou o CEO.

Ele diz que vê o país também como um lugar que se destaca pela inovação, por ditar tendências e pela maturidade dos negócios, o que facilita processos de encontrar e adquirir negócios.

O país representa cerca de 30% do PIB da América Latina, e a entrada no mercado brasileiro foi um processo natural para acelerar os negócios da companhia.

A Evertec foi criada no fim dos anos 1990 dentro do Banco Popular de Porto Rico, funcionando no backoffice das operações da instituição.

Com o passar dos anos, o banco fez o spin-off da divisão, e a nova empresa passou a oferecer os seus softwares de pagamentos em diversos países da América Latina.

Em 2013, a empresa fez a sua listagem na Bolsa de Nova York, com o ticker EVTC, e desde então tem acelerado uma jornada de aquisições para escalar os seus produtos e ganhar participação em diferentes mercados.

Dos softwares de processamento de pagamentos e outsourcing, a companhia avançou por vários outros serviços.

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No operação brasileira, os produtos de pagamento se conectaram com softwares de consórcios, core banking, asset management, investimentos, digital - com serviços como onboarding e assinatura eletrônica -, oriundos da Sinqia.

Além disso, a empresa adicionou a tecnologia de registro digital de contratos de financiamento de veículos da TecnoBank e a plataforma de gestão de fundos e análise de crédito, canais digitais e processamento de cartões da Dimensa.

A integração da Dimensa, compra por R$ 950 milhões em fevereiro, é uma prioridade imediata. A chegada da companhia representa a entrada da Evertec em uma vertical, a de seguros, além de fortalecer sua presença em fundos e bancos.

“Os clientes existentes da Dimensa estão animados que a companhia fará parte da Evertec porque já provamos nos últimos dois anos que, o que quer que compremos, modernizamos”, disse o CEO.

No Brasil, a Evertec é liderada por Claudio Prado, que tem feito um trabalho para arrumar a casa, encontrar sinergias entre os negócios e modernizar os ativos. A própria Sinqia foi constituída a partir de um total de 26 aquisições.

“Estamos investindo de duas maneiras. Uma é modernizando as plataformas existentes. Estamos tentando tornar o software que nossos clientes usam melhor”, disse Schuessler.

“O que estamos fazendo é atualizar esses sistemas para que funcionem mais rapidamente, possam lidar com mais transações e sejam mais fáceis de interagir.”

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Segundo o CEO, a companhia tem como prioridade garantir que os clientes brasileiros estejam satisfeitos e que as plataformas sejam modernizadas para o mercado local. “Não queremos ficar distraídos pensando em exportar os produtos agora”, afirmou.

Num segundo momento, pode vir a avançar com esses produtos para outros mercados, passo que deu com soluções como o digital onboarding e produtos de consórcio, oriundos da Sinqia.

Em outra direção, o grupo busca trazer para o Brasil tecnologias desenvolvidas em outros países, como a GrandData, uma empresa mexicana adquirida em 2024 que utiliza inteligência artificial para análise de crédito e tem clientes como Nubank e o Mercado Livre.

“Temos poucas soluções de pagamentos aqui. Estamos tentando identificar quais soluções temos à disposição em países como Chile, Colômbia, Costa Rica ou Porto Rico que podemos trazer para o Brasil, em vez de termos que comprar algo, por exemplo”, disse.

Após este primeiro ciclo de investimentos, com o Brasil movimentando em torno de 20% a 25% do faturamento após a entrada da Dimensa, a perspectiva do CEO é fazer novas aquisições.

“Quando compramos a Sinqia, passamos o ano realmente focados em fazer a coisa certa. Com a Dimensa, é a mesma coisa. É o nosso foco principal. Mas continuaremos de olho e, com o tempo, continuaremos comprando empresas no Brasil. E esperamos que também em outros países, como fizemos no México”, afirmou o CEO global.

As aquisições da companhia são financiadas com caixa próprio e emissão de dívida. De acordo com números do balanço anual, a Evertec está operando numa relação de dívida líquida/ebitda de 2,09 vezes, com dívida de longo prazo de pouco mais de US$ 1 bilhão. O Ebitda ficou em US$ 373,38 milhões.

“O fluxo de caixa tanto do negócio atual quanto do que foi adquirido é mais do que suficiente. Nunca tivemos uma dívida muito alta. Às vezes subimos para três vezes (alavancagem), depois baixamos para menos de duas, e voltamos a subir”, afirmou o CEO. “Somos muito conversadores.”

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