Bloomberg Línea — Na corrida da IA agêntica, o Brasil tem se tornado um destino frequente para startups que, nos últimos quatro anos, foram avaliadas em bilhões de dólares e procuram novos mercados para além dos seus países-sede.
O caso mais recente é o da HappyRobot, startup fundada no Vale do Silício, na Califórnia, que constrói agentes de IA para atuar em operações de grandes empresas, em processos de alta complexidade e volume de comunicação.
O negócio criado pelos espanhóis Pablo Palafox, CEO, Javier Palafox, COO, Luis Paarup, CTO e abriu um escritório na Vila Olímpia, em São Paulo, nos últimos meses, com uma equipe de cinco pessoas. A meta é chegar a cerca de 35 profissionais no primeiro trimestre de 2027.
A América Latina, onde a HappyRobot conta também com um escritório no México, é uma das apostas para a expansão da startup, presente fisicamente em 10 mercados. Em agosto, a empresa levantou US$ 150 milhões em uma Série C que a avaliou em US$ 1,2 bilhão, numa rodada liderada pela Prysm Capital. Com o aporte, o total captado ultrapassa US$ 200 milhões.
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A HappyRobot atende mais de 150 clientes globalmente, entre eles DHL, Uber e Naturgy. “Não é um agente de IA respondendo a uma pergunta ou outra, é um agente fazendo de fato um trabalho de ponta a ponta”, afirma André Leite, que comanda a operação comercial no Brasil e fez parte do time fundador da healthtech Alice.
A plataforma é multicanal e orquestra ligações, WhatsApp, e-mail e SMS, com acesso ao histórico do cliente e integração a sistemas legados.
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Da estrada ao varejo
A startup nasceu resolvendo problemas de logística, estabelecendo, por exemplo, a comunicação entre caminhoneiros e centros de distribuição, recalculando rotas e rastreando entregas. Segundo o executivo, a HappyRobot atende nove das dez maiores empresas de frete dos Estados Unidos.
“Quando vi, na prática, um agente resolvendo um problema de uma grande enterprise, e não só uma demo, a minha cabeça explodiu”, disse Lucas Coelho, responsável pela área de implementações. O executivo passou seis anos no Vale do Silício, com passagens por Amazon e Google, e conheceu a startup antes de fazer as malas para retornar ao Brasil.
Da logística, a tese avançou por outros mercados e cases de usos como atendimento ao cliente, vendas, cobrança, recrutamento e agendamento em saúde. No Brasil, as quatro frentes iniciais são logística, telecomunicações, serviços de energia e financeiros.
O fator Brasil
Para Leite, a aposta no país se apoia em dois pilares: o tamanho da economia, a maior da América Latina, e o que ele enxerga como um mercado mal atendido.
“As grandes empresas do Brasil hoje estão mal atendidas em transformação agêntica”, afirmou, citando casos de empresas que tentam construir internamente e outras que não encontraram o parceiro adequado.
“Fazer a IA responder uma pergunta é algo muito simples. Colocar um agente em produção, executando o trabalho de ponta a ponta, é aí que mora a grande dificuldade”, disse.
De acordo com os executivos, a Happy Robot encontrou no país uma demanda em alta. Sem abrir números, eles afirmam que já há operações em andamento e uma série de provas de conceito em fase de aceleração. O valor do investimento no país e as metas de receita não foram divulgados.
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A startup compete em um mercado onde recentemente outras empresas chegaram ao Brasil, como a israelense Wonderful e, em certa medida, a americana Decagon.
A HappyRobot diz se diferenciar por variados fatores, segundo os executivos. Entre eles, ser uma plataforma agnóstica a setores e a casos de uso, contar com times técnicos instalados no cliente e oferecer governança e a escala de produto exigidas por grandes empresas.
Assim como concorrentes, o modelo depende dos Forward Deployed Engineers (FDE), engenheiros que integram a plataforma aos sistemas do cliente, em empresas que costumam operar 20 ou 30 sistemas legados.
Os times de implantação variam de uma a cinco pessoas, chegando a oito ou dez em projetos mais complexos, acompanhados por deployment strategists, responsáveis pelo escopo e pela expansão da conta.
O modelo de cobrança é feito projeto a projeto, combinando duas variáveis: a volumetria atendida e a camada de serviço, com o time em campo. Os contratos duram, em geral, ao menos um ano.
A promessa é de time to value curto: o primeiro agente em produção em até quatro semanas, com retorno mensurável. “Não faz sentido fazer se não gera retorno para o cliente”, disse Leite, que lembra que o KPI mais importante nem sempre é o financeiro, já que melhorar o NPS por meio da padronização do atendimento também pesa.