Startup de vacinação domiciliar chega a São Paulo e mira liderança nacional até 2030

Fundada em 2021 por dois médicos, healthtech soma 110 funcionários e prevê 100 mil atendimentos por ano na capital paulista no médio prazo e quer alcançar R$ 70 mi em receita

Por

Bloomberg Línea Brasil — Startup capixaba de saúde domiciliar, a Nina Saúde inicia em agosto sua operação em São Paulo, o maior mercado consumidor do país. A entrada começa por três bairros da capital paulista, Moema, Itaim Bibi e Vila Olímpia.

A healthtech investiu R$ 500 mil na estruturação da operação paulista, valor destinado à montagem da unidade física — onde ficam armazenados os imunizantes — e a ações iniciais de marketing.

A equipe local deve começar enxuta, concentrada na ponta operacional e de enfermagem. Toda a estrutura administrativa permanece centralizada na sede da empresa, em Vitória (ES), modelo que a companhia usa em todas as praças onde atua.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Fundada em 2021 pelo médico nefrologista Felipe Paste, ao lado do diretor médico e infectologista Bil Randerson Bassetti, a Nina Saúde nasceu da percepção, durante a pandemia, de que parte relevante do atendimento de saúde poderia migrar para dentro de casa — não apenas para pacientes acamados ou de alta renda, público tradicional da saúde domiciliar, mas para uma parcela maior da população em busca de conveniência e segurança.

“Hoje, o nosso foco é vacinação, e o nosso objetivo é ser a maior empresa de vacinação do Brasil até 2030”, afirmou Paste, CEO da Nina, em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo dados da consultoria IQVia, a Nina ocupa hoje a 5ª posição entre clínicas de imunização no país e figura entre as dez primeiras ao considerar o mercado de vacinação como um todo.

O público pediátrico responde por cerca de 90% dos atendimentos da Nina Saúde, que tem o tíquete médio por atendimento em torno de R$ 800,00.

No Brasil, a participação do segmento pediátrico supera os 60% do volume total de doses distribuídas no mercado nacional, com os bebês recebendo imunizantes quase mensalmente no primeiro ano de vida.

O modelo de negócio de vacinação opera hoje majoritariamente fora dos planos de saúde — vacinas não fazem parte do rol obrigatório da ANS —, o que torna o pagamento particular a regra.

“Quando a pessoa está pagando do próprio bolso, que não é nem pelo plano de saúde, isso é ainda mais importante”, diz Paste sobre o peso da experiência do cliente nesse modelo.

A expansão para outros serviços, como infusão de medicamentos e coleta de exames, prevista para o médio prazo, deve mudar esse cenário e aproximar a empresa dos convênios.

Leia também: Além de Brasil e México: BlaBlaCar faz sua maior expansão e entra em 8 países em LatAm

Crescimento e expansão

A Nina opera em um mercado onde também estão startups como a Beep Saúde, que começou em saúde e expandiu para outros serviços de saúde domiciliar, como a coleta de exames.

Neste mercado, também está a Isa Lab, que captou R$ 160 milhões no ano passado, na maior rodada de uma healthtech latino-americana.

“Para nós, o foco é muito importante. Preferimos consolidar muito bem em vacinas, porque isso já cria a marca e, a partir daí, conseguimos acoplar um novo serviço numa marca que já é conhecida, que já tem a equipe treinada”, disse.

Diferente dos seus pares, a Nina atraiu menos recursos do venture capital desde a fundação. Soma R$ 2 milhões, levantados em 2022, em rodada com a GVAngels, Bossa Invest e Incubate Fund. Para expandir os produtos, o Paste conta que a startup segue em conversas para viabilizar novas captações.

A Nina fechou 2025 com R$ 40 milhões e projeta chegar a R$ 70 milhões em 2026, salto de 75% e em linha com o ritmo dos últimos anos.

O crescimento, de acordo com o CEO, é oriundo de dois fatores centrais: a expansão geográfica combinada ao ganho de participação nos mercados onde a empresa já atua, e o investimento em tecnologia proprietária.

Com um time de 110 funcionários, incluindo os times de enfermagem, tecnologia, marketing e áreas administrativas, a startup opera em cinco estados mais o Distrito Federal, com unidades em cidades como Brasília, Porto Alegre, Curitiba e Goiânia. Rio Grande do Sul e Paraná foram os estados mais recentes a receber a operação.

Leia também: C&A aposta em marca própria de athleisure: ‘Nova avenida de crescimento’, diz CEO

Ao desembarcar em São Paulo, a estimativa é de que agregar o equivalente 100 mil atendimentos por ano no médio prazo, à medida que expande o atendimento por outras regiões e cidades do estado.

A estratégia para ganhar capilaridade no mercado paulistano passará por parceria com médicos e influenciadores digitais, um playbook que a startup tem empregado em outras regiões.