Startup de IA que ajuda empresas a criar ‘próprios ChatGPTs’ prevê IPO em 2027

Em entrevista à Bloomberg Línea, Guillermo Rauchele, CEO e fundador da Vecel, explica que o mercado potencial passou de 30 milhões de pessoas para 300 milhões de pessoas: ‘As empresas vão querer criar seus próprios ChatGPTs. E a Vercel torna isso muito fácil’, disse

Por

Bloomberg Línea — A Vercel, startup de infraestrutura digital na qual são hospedadas e alimentadas aplicações de inteligência artificial como Meta.ai , de Mark Zuckerberg, e o Claude, da Anthropic, está se preparando para abrir o capital.

“Acredito que o IPO será no ano que vem. O importante é estarmos preparados, não nos apressarmos e encontrarmos o momento perfeito, seja em termos de evolução da empresa ou dos mercados”, afirmou o CEO e fundador, o argentino Guillermo Rauch, em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: A Anthropic recebe ofertas de investidores que avaliariam a empresa em US$ 800 bilhões

A empresa, avaliada em US$ 9,3 bilhões após uma rodada de financiamento da Série F de US$ 300 milhões liderada pela Accel em setembro passado, atingiu recentemente a marca de US$ 300 milhões em faturamento anual.

Além disso, conforme relatado pela a Forbes em março, a run rate da Vercel atingiu US$ 340 milhões no final de fevereiro de 2026, contra US$ 100 milhões no início de 2024, de acordo com informações publicadas pela Tech Crunch.

E Rauch afirmou que os números de receita aceleraram ainda mais no final do primeiro trimestre de 2026.

“Atualmente nove em cada dez ferramentas escolhidas pela IA para criar uma aplicação web foram sido desenvolvidas pela Vercel”, disse.

O interesse pela abertura de capital da Vercel disparou após sua recente entrevista ao TechCrunch, afirmou o empresário.

“Tenho a caixa de entrada cheia de manifestações de interesse. Estamos muito animados com a entrada na bolsa, mas obviamente o timing depende dos mercados e da preparação da empresa”.

Leia também: Os planos da Humand com US$ 66 milhões e o apoio de Galperin: “Temos runway infinito”

De plataforma para desenvolvedores a infraestrutura para agentes

Quando a Vercel foi fundada, há dez anos, o foco eram páginas e aplicativos da web. Hoje, o negócio se transformou na criação de infraestrutura para agentes de inteligência artificial.

“As empresas vão querer criar seus próprios ChatGPTs. E a Vercel torna isso muito fácil”, afirmou Rauch.

Em outras palavras, a Vercel aposta que, à medida que mais aplicativos forem criados por agentes em vez de humanos, a empresa será a melhor opção para hospedar tudo o que eles desenvolverem.

O mercado potencial já passou de 30 milhões de desenvolvedores para 300 milhões de pessoas, segundo Rauch, levando em conta que qualquer pessoa com conhecimento pode criar e implantar software graças a ferramentas como o Claude Code e o Codex da OpenAI.

“Desde o CEO até o estagiário, todos podem criar e implementar software”, disse Rauch.

“O que está acontecendo é que o setor está passando por uma nova transformação: nós nos posicionamos como uma das empresas pioneiras”.

Leia também: A OpenAI lança modelo de segurança cibernética para competir com o Mythos da Anthropic

IA à frente do pensamento humano

Rauch foi categórico quanto ao estado atual da inteligência artificial: ele afirmou que a IA já superou a inteligência humana geral em vários setores.

“Em certos aspectos, já temos superinteligência”, afirmou.

Na Vercel, eles usam a palavra “superinteligência” muito mais do que “AGI” (inteligência artificial geral), e, em particular, o conceito de “superinteligência de software”.

Assim como os aviões não foram projetados para se mover à velocidade de um ser humano, mas para superá-la, os modelos de IA já ultrapassaram o ser humano em tudo o que é verificável.

“Quando analisamos os testes que aplicamos aos modelos, percebemos que já superamos o ser humano em quase tudo”, afirmou ele.

‘Nova alfabetização’

Em meio à volatilidade que as ações das empresas de software, muitas delas com equipes numerosas, o argentino destacou que todas as semanas recebe CEOs que lhe contam que estão reconstruindo suas empresas do zero com equipes mínimas.

Ele mencionou, especificamente, o caso de um diretor de tecnologia cuja empresa conta com dezenas de milhares de engenheiros e que lhe disse que, para reconstruí-la com IA, não precisa de mais de 100.

No entanto, quanto ao impacto líquido da IA no emprego, Rauch se mostra otimista. Ele afirmou que saber lidar com agentes de IA é “a nova alfabetização” e que as pessoas que se adaptarem terão uma vantagem desproporcional.

“Os engenheiros da Vercel que sabem usar a IA muito bem não são apenas um pouco melhores do que a média. Eles são 100 vezes melhores do que a média”, afirmou.

Na Vercel, estão surgindo novos cargos que antes não existiam — especialistas em pesquisa, engenharia de agentes — e Rauch disse que já conta com equipes que, usando agentes, criam dezenas de projetos por semana, algo impensável há alguns anos.

E deu outro exemplo concreto: a Vercel dobrou todos os seus números em três meses após o sucesso do Claude Code, sem contratar novos engenheiros de infraestrutura ou de suporte.

Leia também: Kaszek prevê aberturas de capital em 3 anos: a IA leva as startups à lucratividade em poucos meses

Segurança cibernética

Questionado sobre as preocupações com a segurança geradas por Claude Mythos, Rauch disse que haverá IA empregada para o ataque e IA empregada para a defesa, e que esse será um dos maiores mercados do mundo.

Ele destacou que o maior problema hoje é que os modelos são tão bons em encontrar vulnerabilidades no código que os humanos não conseguem dar conta de processá-las, como reconheceu recentemente a empresa do sistema operacional Linux.

Rauch investiu na Grego AI, uma startup argentina de segurança cibernética que desenvolve um agente que já identificou vulnerabilidades em contratos inteligentes. São lacunas que poderiam representar perdas de dezenas de milhões de dólares.

“Quando você direciona os agentes para problemas muito específicos, eles sempre encontram algo interessante”, afirmou.

Sobre os ataques, ele alertou que a engenharia social está sendo automatizada por meio da IA e que a Vercel recebe centenas de tentativas por dia direcionadas aos seus executivos.

A startup já detectou, por exemplo, redes de entrevistas de emprego falsas operadas a partir da Coreia do Norte, criadas para obter acesso aos sistemas internos das empresas.

Oportunidades em energia e tech

Para o empreendedor, a Argentina tem uma oportunidade concreta de se posicionar na infraestrutura global de IA graças à sua oferta energética.

Rauch esteve em contato com os CEOs da Crusoe e da Cerebras — duas empresas que fornecem hardware de inferência para a OpenAI — e afirmou que um deles já está colaborando com o governo da Guiana para obter acesso a energia barata.

“Eu gostaria de criar um vínculo mais direto entre as empresas de energia na Argentina e esses CEOs. A Argentina poderia dar o próximo salto em eficiência em treinamento ou inferência”, afirmou.

Para além da energia, o país tem a oportunidade de lançar negócios diretamente ligados à tecnologia, como é o caso do Mercado Livre, grande cliente da Vercel, e a Basement Studio, um estúdio de design de Mar del Plata que cria ferramentas que competem com a Adobe e se tornam virais no X.

Rauch avalia ainda que a Argentina, com a adoção em massa do WhatsApp e das mensagens de voz, já está culturalmente adaptada à linguagem da IA.

“A linguagem da IA consiste simplesmente em poder conversar com um agente. E a grande oportunidade será que os empreendedores tenham novas ideias sobre esses agentes para o dia a dia”, considerou.

Leia mais

Bemobi acelera virada para meios de pagamentos após aquisição da Paytime

IA reduz barreiras e amplia alcance de startups brasileiras, diz executivo da Anthropic