Segura atrai Andreessen Horowitz e Kaszek em rodada seed de R$ 45 milhões

Fundada por engenheiros brasileiros, startup de seguros desenvolve solução de IA para automatizar o processo entre seguradoras e corretores; startup mira ter 10 mil profissionais em sua base até o fim de 2026

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Bloomberg Línea — A Segura, startup brasileira que desenvolve infraestrutura de inteligência artificial (IA) para o setor de seguros, atraiu dois gigantes de capital de risco, a Andreessen Horowitz (a16z) e a Kaszek, em uma rodada seed de R$ 45 milhões.

A aporte, anunciado nesta segunda-feira (27), também contou com a participação da Big_Bets.

A insurtech foi fundada por um trio de engenheiros formados pela PUC-Rio. Após um período na Akad Seguros, da GP Investimentos, Pedro Nobrega, Luis Alberto (Bebeto) Nogueira e Lucca Buffara perceberam que a tecnologia no setor de seguros funciona bem da porta para dentro, mas havia espaço para criar uma ponte da “porta para fora” com os corretores.

Diferente de insurtechs que tentaram eliminar o intermediário, a Segura foi estruturada com a convicção de que o corretor é essencial. “O seguro é um produto de confiança. Você quer comprar de alguém que conhece e confia. O corretor vai continuar existindo com IA e vai ser mais importante do que nunca, assim como em outras indústrias”, afirma Luís Alberto Nogueira, CEO e cofundador da Segura, também conhecido como Bebeto.

Atualmente, o mercado brasileiro conta com cerca de 164 mil corretores licenciados, responsáveis por mais de 80% das vendas do setor. Com operação iniciada em março de 2025, a Segura atende cerca de 3.000 corretores e projeta chegar a 10.000 até o final de 2026.

O ecossistema da startup gira em torno da Helena, uma assistente inteligente que automatiza processos que antes levavam horas ou dias. A partir da interação entre os corretores e as seguradoras, a tecnologia permite acesso a informações técnicas de apólices, condições gerais e históricos de interações e que o corretor possa emitir segundas vias de boleto, fazer endossos e cotações complexas via IA.

O mais novo produto da insurtech é o “Conversas”, lançado nas últimas semanas para fechar o tripé da relação. Com um modelo de ‘concierge digital’ do corretor, ele atende as demandas dos clientes finais junto às seguradoras.

Os produtos são integrados ao WhatsApp e a startup integra o WhatsApp AI Startups Hub, programa da Meta que reúne startups brasileiras com aplicações de inteligência artificial.

No modelo de negócio, a ferramenta é gratuita para os corretores. A monetização da Segura vem das seguradoras, que pagam pela volumetria dos processos. A startup não abre números de faturamento nem a projeção de crescimento para este ano.

Segundo Bebeto, a tecnologia “reduz muito” o custo operacional das seguradoras para gerir milhares de parceiros. O CEO, porém, não informou quais os percentuais médios de ganhos. Entre os clientes da plataforma, estão empresas como Bradesco Seguros, Youse e Icatu.

Com o novo aporte, a estratégia dos fundadores é investir em recrutamento de profissionais de AI para aprimorar a tecnologia. “Para construir isso, você precisa de um time ‘faixa preta’ em IA. Não é qualquer engenheiro. Precisamos de pessoas que entendam de infraestrutura, modelos, otimização”, diz o CEO, que tem ido em busca de brasileiros que estão hoje em universidades americanas.

Segundo Bebeto, o domínio técnico e o efeito o efeito de rede gerado com integração com o ecossistema funcionam o “moat” da startup, a barreira para se defender contra a rápida evolução tecnológica e novos entrantes.

“Nós temos um domínio informação que é muito complexo e estamos construindo isso com milhares de corretores e com as seguradoras. É bem difícil alguém se propor a fazer isso se não for um grupo muito faixa preta”, afirma.

A rodada de investimentos ainda reuniu investidores anjo como Assaf Wand (fundador da Hippo), Marcelo Blay (fundador da Minuto Seguros), Fersen Lambranho (Chairman da GP Investimentos), Anderson Thees (managing partner da Redpoint Eventures), a família Almeida Braga (controladora da Icatu) e empreendedores como Larissa Maranhão (Brex), Mário Augusto Sá (NG Cash) e Lucas Lameiras (Fanatic).

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