Bloomberg Línea Brasil — O mercado brasileiro de startups de Inteligência Artificial (IA) foi o principal polo de atração de capital na América Latina entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. No intervalo, o Brasil capturou 74% do total de US$ 2,7 bilhões investidos em IA na região, totalizando US$ 2 bilhões distribuídos por 174 rodadas de investimento.
Os dados são de um levantamento feito pelo Sling Hub, em parceria com a Oracle. Durante o período de 12 meses, as startups na América Latina receberam US$ 9,3 bilhões. Ou seja, a IA representou 29,03% do total.
Os estudo usa como parâmetro os conceitos de AI first, quando a IA está no centro dos produtos e serviços da startup, e AI-Enabled, em que a IA é usada para melhorar as ofertas da startup.
Seguindo o padrão do ecossistema, as fintechs são as principais destinatárias dos recursos, com 79% do volume investido. Na sequência, aparecem healthtech, 4%, agritech e deep tech, ambas com 3%.
Os números foram impulsionados em grande parte por captações de dívida da CloudWalk, dona da InfinitePay, que levantou dois FIDCs nos valores de US$ 788 milhões e US$ 549 milhões.
Entre os estágios de maturidade das startups, prevaleceram investimentos em rodadas que o estudo coloca como “séries desconhecidas”, com 35% no Brasil. Pré-seed, com 20%, seed, com 19%, e anjo, 7%, aparecem na sequência.
Quando consideradas as captações em equity, a Solinftec, com US$ 52,8 milhões, foi quem levou o maior cheque numa rodada série D, liderada pela YvY Capital, de Paulo Guedes, em parceria com a gestora de private equity Rise | Life-Centered Investments. A agtech desenvolve produtos tecnológicos para o campo, entre robôs para identificar pragas e IAs que rodam como sistemas operacionais.
O pódio dos investimentos em IA foi completado pela legaltech Enter, com US$ 36,8 milhões, que usa agentes de IA para analisar e interpretar decisões judiciais. E ainda a Velotax, com US$ 23,5 milhões, que nasceu a partir de uma proposta de simplificar a declaração do Imposto de Renda e tem avançado pelo ecossistema financeiro.
A Bossa Invest liderou entre os fundos que mais participaram de rodadas, somando 18, de acordo com o levantamento. Anjos do Brasil, com 8, Canary, 7, e Domo.VC e Norte Ventures, com 6, fecham a lista.
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