Bloomberg Línea — No competitivo mercado brasileiro de benefícios, a Flash não quer mais ser apenas o “cartão flexível” que desafiou o status quo.
Em uma fase de maturidade operacional, a startup liderada por Ricardo Salem e pelos irmãos Pedro e Guilherme Lane agora mira a liderança do setor, ancorada em uma estratégia de plataforma all-in-one e na digitalização agressiva da jornada do colaborador.
Desde o aporte de US$ 100 milhões recebido há quatro anos, em rodada série C liderada pelos fundos Battery Ventures e Whale Rock, a empresa escalou a operação mais de 15 vezes.
Mais do que volume, segundo os sócios Ricardo Salem e Pedro Lane, a busca foi por eficiência: a Flash gera caixa e opera com uma estrutura de capital que lhe permite autofinanciar sua expansão em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Dos seus 1.300 funcionários, metade está alocada em frentes de geração de receita, refletindo o apetite por market share frente a empresas como Alelo, Sodexo, Ticket e VR.
Para dar a dimensão da batalha na qual a Flash está inserida, as quatro as líderes do setor detêm cerca de 80% de participação no setor.
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O ânimo da empresa acompanha o novo decreto do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), editado pelo governo federal em novembro, e pelas decisões judiciais que se seguiram.
Regras como o estabelecimento de um teto de 3,6% para a cobrança pelas credenciadoras do PAT dos restaurantes e demais estabelecimentos comerciais e o prazo limite de até 15 dias para fazer o repasse dos pagamentos aos estabelecimentos entraram em vigor em fevereiro.
E, em maio, as empresas com mais de 500.000 usuários precisam migrar para o regime aberto, que permite o uso do cartão bandeirados, fora da rede própria da operadora.
O fim das práticas de rebate — as bonificações financeiras pagas pelas operadoras para atrair grandes contratos de RH — também tem alterado os unit economics do setor, beneficiando as novatas como a Flash, Caju e Swile.
Com o teto de remuneração para emissores, a Flash acredita que o diferencial competitivo agora reside no produto, e não na capacidade de “devolver dinheiro” no fechamento do contrato.
“Janeiro já tinha sido o melhor mês da história da Flash, agora foi fevereiro e nós continuamos acelerando em termos de novos bookings”, diz Salem. “Estamos perseguindo nos próximos anos virar o líder de mercado de benefícios”, que projeta chegar à liderança nos próximos quatro anos.
A empresa terminou o ano de 2025 com crescimento de 100% em receita e número de vidas e projeta o mesmo ritmo de expansão para 2026.
A tese central para buscar o crescimento no mercado vem a partir da oferta integrada de produtos de serviços. Além dos benefícios, os clientes podem podem ter no app a gestão de gastos corporativos e de viagens (que está relançado) e fazer a Gestão de Pessoas (HR Tech), com módulos que vão da admissão digital e controle de ponto a avaliações de performance.
“O RH gasta horas semanais em um trabalho manual propenso a erros. Quando você integra tudo, elimina essa tarefa e traz inteligência”, afirma Salem. Segundo dados de mercado, as PMEs brasileiras utilizam, em média, sete sistemas fragmentados para gerir seus funcionários.
Atualmente, cerca de 20% da base de 60 mil empresas já utiliza mais de um produto da plataforma, um indicador chave de cross-selling que a companhia pretende acelerar. E 32% dos novos clientes entram consumindo mais de um produto.
“Estamos virando essa plataforma integrada da gestão da jornada do trabalhador da empresa”, diz Lane. ”E estamos aumentando muito o investimento de Pesquisa e Desenvolvimento, engenharia e novos produtos."
Segundo os sócios, essas verticais ainda representam pouco do negócio, mas estão acelerando. A ambição, ao longo do tempo, é que elas respondam por 50% de toda a receita.
A empresa prevê investir R$ 400 milhões em 2026, valor 60% superior ao desembolsado em 2025. Os recursos serão destinados para as áreas de tecnologia e inovação, marketing, vendas e desenvolvimento de novos produtos.
Este ano, a Flash pretende ainda fortalecer a vertical de fintech - ou embedded finance, onde atua com um modelo B2B2C. “Estamos dobrando as apostas nessas várias iniciativas, em especial, porque o bloco puxador aqui é benefício, está voando”, diz Lane. Mensalmente, a companhia tem registrado a entrada de 2 mil novos clientes.
A agressividade da companhia pode ser ilustrada pelo seu calendário de eventos ao longo do ano: serão 56, num ano que conta com 53 semanas.
Mais do que isso, segundo os sócios, 2026 é um ano em que todos os pontos do negócios estão sendo rediscutidos para que a companhia possa capturar os maiores ganhos.
Isso inclui desde novas aquisições, como as feitas em 2022 com a ExpenseOn e, em 2023, com a FolhaCerta, e uma nova captação.
“Os nossos investidores internos quanto externos ficam o tempo todo batendo na porta e nós conversando para discutir possíveis aportes. E o ponto é: nós faremos quando o capital for necessário para acelerar mais ainda”, afirma Salem.
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