Bloomberg — O Agibank entrou com pedido de oferta pública inicial de ações na NYSE (New York Stock Exchange) nesta quarta-feira e pretende captar cerca de US$ 1 bilhão, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
A fintech brasileira, que foi avaliada em R$ 9,3 bilhões (US$ 1,7 bilhão) em sua última rodada de captação em dezembro de 2024, entrou com a documentação para o IPO depois de obter autorização do INSS para retomar a concessão de crédito consignado - empréstimos com desconto em folha de pagamento para trabalhadores aposentados -, um de seus principais negócios.
A decisão, anunciada no Diário Oficial em 12 de janeiro, eliminou um obstáculo importante que ameaçava adiar a oferta.
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O sistema de previdência social do país citou “irregularidades graves” quando suspendeu os novos empréstimos consignados do Agibank para aposentados em dezembro passado.
O Agibank, fundada por Marciano Testa no início dos anos 2000, não quis comentar. O empreendedor segue como principal acionista e é presidente do conselho. Glauber Marques Correa é o CEO.
A Lumina Capital Management, gestora fundada pelo ex-executivo do Morgan Stanley Daniel Goldberg, investiu cerca de R$ 400 milhões na rodada de financiamento de 2024 do Agibank.
A Lumina tem uma participação de cerca de 4% no Agibank, e Goldberg entrou para o conselho de administração.
O Agibank, que também recebeu cerca de R$ 400 milhões em uma injeção de capital da Vinci Compass em 2020, combina uma plataforma digital com cerca de 1.100 “hubs inteligentes” físicos que ajudam os clientes com suas necessidades financeiras.
A empresa tinha mais de 6,4 milhões de clientes ativos, com foco na baixa renda, em todo o país em setembro, um aumento de 77,2% em relação ao ano anterior.
Teve um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão nos 12 meses encerrados em setembro, com um retorno sobre o patrimônio líquido médio de 40,9%.
O Goldman Sachs é o banco líder na coordenação do IPO, seguido pelo Morgan Stanley. O Citigroup, o BTG Pactual, o Itau BBA, o Bradesco BBI, o Santander e a XP também estão na operação.
O Agibank é a segunda fintech brasileira a entrar com pedido de IPO nos EUA neste mês: o PicPay, a plataforma digital de propriedade da J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, entrou com a documentação em 5 de janeiro.
As listagens planejadas podem interromper um hiato de anos de empresas brasileiras e latino-americanas em bolsas em Nova York.
Praticamente não houve IPOs de empresas brasileiras desde 2021, quando a Nubank abriu seu capital em uma listagem de grande sucesso na NYSE.
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