Bloomberg — Um medicamento experimental para doenças pulmonares, desenvolvido com o uso de inteligência artificial (IA), mostrou-se promissor na reversão dos sinais biológicos do envelhecimento, indicando um potencial de uso mais amplo do tratamento, segundo sua desenvolvedora.
Em um estudo de fase intermediária, o medicamento rentosertib, da Insilico Medicine, ajudou a reduzir a idade biológica, conforme medido por seis diferentes “relógios de envelhecimento” que examinam alterações químicas no organismo, de acordo com uma análise publicada na revista Nature Biotechnology nesta segunda-feira (7).
Aqueles que receberam um placebo apresentaram pouca alteração em sua idade biológica nos mesmos indicadores, informou a empresa listada na bolsa de Hong Kong.
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“Se sua idade biológica for menor, é provável que você venha a falecer mais tarde”, afirmou o diretor executivo da startup de descoberta de medicamentos com IA, Alex Zhavoronkov, em entrevista à Bloomberg News.
Ele alertou que os resultados ainda são preliminares e que os efeitos a longo prazo do medicamento sobre a saúde em grupos maiores de pessoas ainda são desconhecidos. A análise incluiu 42 pacientes com uma doença pulmonar crônica.
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Os relógios de envelhecimento são ferramentas que estimam a idade biológica de uma pessoa, em oposição à idade cronológica, refletindo o quão bem suas células e tecidos estão funcionando.
Os seis relógios de envelhecimento utilizados no estudo — desenvolvidos por equipes da Insilico, da Universidade de Harvard, da Universidade de Pequim, na China, e de outras instituições — utilizam, cada um, métricas e métodos diferentes.
Embora os entusiastas da longevidade há muito tenham adotado a reutilização de medicamentos existentes para retardar o envelhecimento, os esforços para desenvolver novos medicamentos antienvelhecimento frequentemente terminaram em fracasso.
No entanto, com o advento dos tratamentos com GLP-1, cujos benefícios agora parecem se estender muito além da perda de peso e do diabetes, as principais empresas farmacêuticas estão demonstrando cada vez mais interesse nessa área.
Empresas como a Insilico optaram por se concentrar em terapias de dupla finalidade, capazes de combater doenças relacionadas à idade e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas a viverem mais tempo.
O estudo mais recente faz parte de um ensaio de Fase 2 que também avaliou a eficácia do rentosertib no tratamento da fibrose pulmonar idiopática. O rentosertib encontra-se atualmente em um ensaio clínico em fase avançada na China para essa doença pulmonar incurável.
A Insilico planeja realizar análises semelhantes para pelo menos metade dos medicamentos em seu pipeline.
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A IA promete reduzir os prazos de pesquisa de medicamentos, aumentar as chances de sucesso e propor ideias que os seres humanos, de outra forma, talvez não tivessem.
A Insilico identificou inicialmente o alvo por trás do rentosertib como um fator implicado no envelhecimento, utilizando uma ferramenta de IA que vasculha grandes quantidades de dados para classificar alvos potenciais.
Em seguida, projetou e aperfeiçoou o medicamento utilizando outra ferramenta que analisa moléculas virtualmente e sugere maneiras de otimizá-las.
Para sua análise, a Insilico coletou amostras de sangue de pacientes em vários momentos durante o ensaio clínico e estabeleceu parceria com pesquisadores externos para analisar alterações nas proteínas.
Quatro semanas após a dose inicial, os pacientes que tomavam o rentosertib viram sua idade biológica média cair em até seis anos, embora o benefício tenha diminuído posteriormente no ensaio.
O estudo oferece um modelo para o desenvolvimento futuro de medicamentos antienvelhecimento, afirmou Zhavoronkov.
Embora atualmente seja impossível obter aprovação regulatória especificamente para o envelhecimento, ele sugeriu que os resultados abririam caminho para que médicos prescrevessem ou testassem o rentosertib para o envelhecimento — ou doenças relacionadas à idade — assim que o medicamento fosse aprovado para outros usos.
-- Com a colaboração de Joanne Wong.
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