Viridis obtém R$ 77,5 milhões do BNDES para projeto de terras raras no Brasil

Mineradora também negocia com a BNDESPar uma participação acionária e espera concluir em até seis semanas o restante do financiamento para o projeto, segundo seu CEO, Rafael Moreno

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Bloomberg — A Viridis Mining and Minerals obteve financiamento do governo brasileiro para um projeto de terras raras, à medida que o país busca explorar melhor as maiores reservas mundiais fora da China.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma linha de crédito de R$ 77,5 milhões (cerca de US$ 15 milhões) com prazo de 16 anos para financiar um centro de pesquisa e uma planta de demonstração recém-inaugurada do projeto Colossus, afirmou o CEO da Viridis, Rafael Moreno.

O Brasil se junta aos EUA no apoio com recursos públicos a projetos de minerais essenciais, à medida que os governos buscam diminuir o domínio da China sobre as cadeias de suprimentos de materiais cruciais para a defesa e tecnologias avançadas.

O Colossus, no sudeste do Brasil, estava entre os 56 projetos pré-selecionados no ano passado para receber um financiamento de 5 bilhões de reais do BNDES e da agência governamental Finep, com o objetivo de desenvolver as cadeias de abastecimento de minerais críticos do Brasil.

No mês passado, a Viridis, listada na bolsa australiana, garantiu novo financiamento para o projeto de US$ 449 milhões, liderado por um compromisso de capital de US$ 75 milhões da One Investment Management — a gestora de investimentos alternativos cofundada pelo ex-executivo da Softbank, Rajeev Misra.

A Viridis informou que o acordo ultrapassou o valor necessário para cobrir a parcela de capital próprio de 30% prevista para o projeto.

A linha de crédito do BNDES reduz a necessidade de financiamento restante para financiar integralmente a construção do Colossus para cerca de US$ 280 milhões.

A Viridis continua em negociações com o BNDES — bem como com instituições na Europa, Austrália e Canadá — para avançar com um financiamento de dívida em maior escala para sua usina comercial, cujo início da produção está previsto para o segundo semestre de 2028.

“Esperamos finalizar no próximo mês, no máximo em seis semanas, o restante do financiamento”, disse Moreno, acrescentando que também há discussões com a BNDESPar, braço de participações do BNDES, para uma participação acionária na empresa.

A desenvolvedora sediada em Perth acaba de dar um passo fundamental ao apresentar um estudo de viabilidade final. Os bancos agora realizarão sua própria due diligence antes de apresentar as propostas de financiamento, disse Moreno.

A Viridis conta com cartas de apoio não vinculativas da Export Finance Australia, da Export Development Canada e da Bpifrance.

O Banco Europeu de Investimento e a Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento dos EUA também visitaram as instalações da empresa, segundo Moreno.

Acordo de Compra com a Solvay

Um futuro acordo de fornecimento com a produtora química europeia Solvay SA deve ajudar a abrir caminho para o apoio europeu.

A Viridis e a Solvay pretendem assinar, até o final de setembro, um contrato definitivo de compra de concentrados mistos de terras raras leves e pesadas.

Isso ocorre num momento em que os países ocidentais buscam reduzir sua dependência da China no que diz respeito às terras raras utilizadas em ímãs potentes, essenciais para equipamentos de defesa, veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos avançados.

Moreno afirmou que a Colossus fornecerá cerca de 75% do carbonato misto de terras raras para a fábrica da Solvay em La Rochelle, na França, por cinco anos — com possibilidade de prorrogação por mais cinco. Ainda não foi decidido para onde irão os 25% restantes.

Embora o acordo com a Solvay não inclua um preço mínimo, a Viridis está em negociações com a União Europeia para obter um mecanismo de apoio aos preços “que está progredindo bem nos bastidores”, afirmou ele.

A unidade da Solvay é uma das maiores fábricas de separação de terras raras fora da China e, segundo a empresa, uma das poucas no mundo capazes de processar todas as terras raras em escala industrial.

Na semana passada, o Congresso do Brasil aprovou um projeto de lei sobre minerais críticos que confere ao governo maior controle sobre transações de mineração, incluindo acordos de fornecimento.

Embora o país esteja ansioso pelos investimentos necessários para concretizar seu potencial como potência em minerais críticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deseja desenvolver toda a cadeia de suprimentos, em vez de simplesmente exportar matérias-primas.

Nesse sentido, a planta comercial Colossus utilizará a tecnologia da Solvay para um circuito de refino projetado para remover o lantânio, de menor valor, aumentando a concentração de metais magnéticos mais valiosos.

A Colossus terá uma produção média anual de 2.967 toneladas de óxidos magnéticos de terras raras.

Países desde a Austrália e os EUA até a África estão investindo na produção de terras raras, e “há apenas um número muito limitado de parceiros de comercialização no mundo”, afirmou ele.

“Portanto, se o Brasil perder agora a oportunidade de colocar as minas em produção, como poderá construir o restante da cadeia de valor?”

--Com a colaboração de Jorge Valero.

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