Bloomberg — A Pernod Ricard espera atingir apenas o limite inferior da faixa prevista para o crescimento das vendas nos próximos anos, devido à persistente fraqueza no principal mercado da empresa francesa de bebidas nos Estados Unidos.
A fabricante da vodca Absolut e do uísque Jameson previu que as vendas líquidas orgânicas provavelmente ficarão próximas do limite inferior de uma faixa esperada de 3% a 6% entre 2027 e 2029, de acordo com um comunicado divulgado nesta quinta-feira (27). A empresa citou a demanda moderada nos EUA, que representam cerca de um terço de seus negócios, como motivo para a revisão das perspectivas.
As vendas gerais recuaram pelo terceiro ano consecutivo, caindo 3,9% nos 12 meses até junho, informou a empresa. Esse recuo foi maior do que o esperado pelos analistas, com a China e os EUA — que também foram afetados pela redução de estoques — liderando a queda.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A turbulência decorrente do conflito no Oriente Médio prejudicou as vendas nos três meses até junho e também deve pesar sobre os negócios no trimestre atual.
As ações caíram até 2,5% no início do pregão em Paris, antes de recuperar parte da perda. Elas registravam queda de 7,5% neste ano até o fechamento da quarta-feira.
A Pernod e suas concorrentes estão enfrentando uma turbulência em mercados críticos, à medida que os consumidores moderam cada vez mais o consumo de bebidas alcoólicas e optam por produtos mais baratos.
Interrupções no abastecimento decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, bem como o impacto das políticas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, também aumentaram as pressões de custo sobre consumidores e produtores.
Leia também: Brown-Forman e Pernod Ricard encerram tratativas de fusão após impasse entre famílias
A empresa sediada em Paris vem enfrentando uma demanda fraca na China, particularmente entre suas marcas premium, após o governo de Pequim ter restringido a prática de presentear por parte de autoridades. Ela também está se recuperando da restrição temporária imposta pela China às vendas isentas de impostos de conhaque, em retaliação às tarifas da União Europeia sobre veículos elétricos chineses.
A Pernod e algumas de suas concorrentes internacionais vêm considerando uma consolidação para ajudar a enfrentar seus desafios. Em abril, a Pernod e a Brown-Forman, proprietária da Jack Daniel’s, encerraram as negociações de fusão após não conseguirem chegar a termos mutuamente aceitáveis. A Brown-Forman também rejeitou uma oferta de aquisição não solicitada no valor de US$ 15 bilhões da rival norte-americana Sazerac.
Alexandre Ricard, presidente do conselho e diretor executivo da Pernod, rejeitou a sugestão de que a empresa estaria retomando as discussões com a Brown-Forman sobre um possível acordo.
Leia também: Pernod Ricard quer avançar no ultra luxo do Brasil com uísque de até R$ 40 mil
“Concordamos em discordar”, afirmou Ricard na quinta-feira, em entrevista por telefone. As duas empresas estão “agora focadas em nossas respectivas estratégias de criação de valor”, acrescentou ele.
Em sua apresentação de resultados na quinta-feira, a Pernod destacou a gestão ativa do portfólio como uma prioridade, incluindo “fusões e aquisições que geram valor”.
Assim como a Diageo, sua concorrente britânica no setor de bebidas alcoólicas, a Pernod vem reduzindo custos. A empresa reduziu sua força de trabalho de aproximadamente 20.000 funcionários em cerca de 18% desde 2023, eliminando aproximadamente 3.600 cargos, informou na quinta-feira, acrescentando que está a caminho de concluir um programa de redução de custos de 1 bilhão de euros (US$ 1,2 bilhão) um ano antes do previsto, em 2028.
Ricard se recusou a especificar se haveria mais cortes de empregos.
“Sei exatamente para onde estou indo e, em resumo, vamos concretizar esse programa de eficiência de 1 bilhão de euros”, afirmou ele, acrescentando que “isso não vai acontecer por magia”.
“No fim das contas, do ponto de vista dos acionistas, como chegaremos lá é assunto meu”, afirmou.
Veja mais em bloomberg.com