Bloomberg — A Vale considera uma estreia no mercado de títulos da China ainda neste ano, possivelmente seguindo os passos do governo brasileiro na captação de investidores chineses.
A China é o principal consumidor do minério de ferro da Vale, respondendo por cerca de 50% da receita da mineradora. Isso torna “natural” que a Vale busque o mercado do país, afirmou o CFO Marcelo Bacci. O país asiático vem trabalhando para desenvolver seu mercado doméstico de dívida, e o Banco Popular da China afirmou em junho que acolhe em bom tom os emissores brasileiros.
“Estamos preparando a empresa para isso”, disse Bacci durante uma entrevista na quarta-feira (9) ao programa Bloomberg Open Interest, da Bloomberg TV, acrescentando que a venda dos títulos poderia ocorrer “possivelmente ainda em 2026”.
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A Vale está de olho na China ao mesmo tempo em que o governo brasileiro tem como meta levantar cerca de 10 bilhões de yuans (US$ 1,48 bilhão) em sua primeira operação com panda bonds, a ser realizada ainda neste ano.
A iniciativa faz parte de um esforço para ampliar as fontes de financiamento do Brasil, reduzir sua dependência da dívida denominada em dólares e fortalecer os laços financeiros com Pequim sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva.
O diretor financeiro da Vale afirmou que o mercado de títulos doméstico chinês ainda está em desenvolvimento para emissores internacionais, e que o tamanho típico das emissões tende a ser pequeno, em torno de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões cada, com prazos curtos para os títulos.
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“Normalmente, as empresas estão buscando prazos de dois, três ou cinco anos. Estamos sondando o terreno para ver se é possível ir além disso”, afirmou.
IPO da divisão de metais básicos
Bacci afirmou que uma oferta pública inicial (IPO) de sua subsidiária de cobre e níquel não é uma prioridade pelo menos nos próximos um a dois anos. Embora o minério de ferro continue sendo o principal produto da Vale, a empresa está se movendo para se tornar uma participante mais diversificada.
Os ativos de cobre estão desempenhando um papel cada vez mais importante em seu portfólio de projetos, impulsionados pela demanda da transição energética, com a Vale acelerando projetos no Brasil. O foco, por enquanto, é aumentar a produção nos próximos anos, disse Bacci.
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A valorização da Vale permanece próxima da parte inferior do ranking entre empresas diversificadas do setor, provavelmente refletindo a dependência da mineradora brasileira do minério de ferro, escreveram analistas da Bloomberg Intelligence em uma nota divulgada esta semana.
A Vale Base Metals tem como meta dobrar a produção de cobre para 700.000 toneladas até 2035. O CEO Shaun Usmar assumiu o comando em 2024 para reestruturar o negócio de cobre e níquel e prepará-lo para uma possível abertura de capital, com a meta de deixar o negócio “pronto para a IPO” por volta do meio do ano, afirmou ele em março deste ano.
Bacci afirmou que a Vale dispõe de capital suficiente para o crescimento no setor de metais básicos, mas, caso o mercado de cobre permaneça forte, a empresa poderá reconsiderar uma abertura de capital.
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“Se o mercado continuar na trajetória atual, poderá haver oportunidades para um maior crescimento, incluindo fusões e aquisições, que poderiam justificar uma oferta pública inicial no futuro”, afirmou.
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