Uso de IA em exploração deve gerar ganho de até US$ 5 bi, diz CEO da Aramco

Modelos e as soluções de IA ajudaram a estatal saudita a aumentar a produtividade de alguns de seus depósitos ou a reduzir os custos, exigindo a perfuração de menos poços por barril produzido, disse o CEO Amin Nasser em um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos nesta terça-feira (20)

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Bloomberg — A Aramco prevê ganhos financeiros maiores do que os esperados com o uso de inteligência artificial e tecnologia avançada em 2025, já que a produtora de petróleo saudita se beneficia de economias como custos menores de perfuração e manutenção e maior produtividade em seus poços.

O produtor de petróleo estatal saudita espera alcançar entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões em valor realizado de tecnologia em 2025, disse o CEO Amin Nasser em um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20). Isso se compara a US$ 6 bilhões em valor total realizado em 2023 e 2024, disse ele.

A Aramco descreve esses ganhos como uma medida da capacidade da IA e de outras tecnologias para ajudá-la a reduzir as despesas de capital, aumentar a receita ou diminuir as despesas operacionais.

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A empresa conseguiu usar a IA nas operações de produção para mapear e entender melhor os depósitos de petróleo e gás sob as areias do deserto da Arábia Saudita e sob as águas offshore, disse Nasser.

Os países do Golfo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estão investindo os lucros de sua riqueza de hidrocarbonetos em novos setores, como tecnologia e data centers, e comprando os chips mais rápidos do mundo.

Mesmo enquanto trabalham para desenvolver novos setores que sustentarão o crescimento econômico quando o mundo eventualmente se afastar do petróleo, eles estão usando a tecnologia para expandir sua capacidade de bombear petróleo e gás nas próximas décadas.

“Queremos que o setor de energia seja mais inteligente na capitalização da IA”, disse Nasser.

“Temos os aplicativos e os talentos. O mais importante é a qualidade dos dados”, disse ele, ao acrescentar que a Aramco pode contar com quase 100 anos de amostras geológicas e experiência para informar seus modelos.

Por exemplo, os modelos e as soluções de IA ajudaram a Aramco a aumentar a produtividade de alguns de seus depósitos ou a reduzir os custos, exigindo a perfuração de menos poços por barril produzido, disse Nasser.

A tecnologia também simplificou a manutenção, ajudando a melhorar a confiabilidade e, em alguns casos, permitindo que a empresa gaste menos com materiais anticorrosivos em dutos, ao entender melhor a função desses ativos, disse ele.

A Aramco quer trabalhar com hyperscalers para comercializar alguns aplicativos de IA que está desenvolvendo para uso em todo o setor de energia, disse ele. A Aramco divulgará os lucros do ano inteiro no próximo mês e fornecerá números atualizados sobre seus ganhos com tecnologia.

A empresa também está se beneficiando de seu braço de capital de risco de US$ 7,5 bilhões que visa investimentos em tecnologia relacionada ao setor que pode ser desenvolvida e usada pela empresa.

A empresa também fez uma parceria com o investidor soberano saudita, o Fundo de Investimento Público, na Humain, campeã de IA do país, para desenvolver mais soluções tecnológicas, disse Nasser.

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