Transporte de carga a 2 °C: como a DHL quer dobrar operação farmacêutica no Brasil

A divisão Global Forwarding aposta no potencial de crescimento do setor para avançar no transporte de cargas sensíveis à temperatura; expansão ocorre em meio ao boom de ‘canetas emagrecedoras’

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Bloomberg Línea — A DHL Global Forwarding, divisão de serviços de agenciamento de cargas aéreas e marítimas da multinacional, aposta no potencial de crescimento do setor farmacêutico para avançar no transporte de cargas sensíveis à temperatura, conhecido por sua complexidade e alto valor agregado.

O movimento ocorre em meio à expansão significativa das vendas de medicamentos como Mounjaro (Eli Lilly) e Ozempic e Wegovy (Novo Nordisk), conhecidos como “canetas emagrecedoras”.

Até o final de 2026, a meta para a vertical Service Center é dobrar a quantidade de contêineres movimentados por mês no Brasil. Segundo a companhia, esse ritmo reflete o dinamismo do segmento de desenvolvimento, produção e distribuição de farmacêuticos sensíveis à temperatura e com rigor regulatório, o chamado Life Sciences & Healthcare (LSH).

De acordo com o CEO da DHL Global Forwarding, Eric Brenner, o Brasil é um dos mercados de ciências da vida e saúde que mais cresce no mundo e, neste cenário, a empresa projeta expansão constante e gradual da operação local.

“Até 2028, nossa meta é alcançar um nível operacional comparável à nossa bem-sucedida operação na Bélgica, consolidando ainda mais o Brasil como um hub estratégico para a distribuição de cargas farmacêuticas em toda a região”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

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A DHL e a empresa suíça SkyCell inauguraram, em parceria, um novo centro de serviços voltado à logística farmacêutica na América do Sul, próximo ao Aeroporto de Guarulhos.

A estrutura dará suporte aos contêineres inteligentes utilizados no transporte aéreo de medicamentos, vacinas e outros produtos sensíveis à temperatura.

Segundo a DHL, a iniciativa aumenta a disponibilidade local dos materiais, reduz o tempo de atendimento para embarques internacionais e fortalece os principais corredores logísticos entre o Brasil, Europa, América do Norte e Ásia.

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A tecnologia da SkyCell mantém medicamentos entre 2 °C e 8 °C por até 270 horas, com taxa de desvio térmico inferior a 0,05%, com a promessa de mais segurança no transporte de produtos de alto valor e alta sensibilidade.

Ele observa que a unidade em Guarulhos foi projetada com capacidade para preparar, pré-resfriar e certificar simultaneamente os contêineres inteligentes da SkyCell.

“Essa infraestrutura nos proporciona a agilidade necessária para lidar tanto com os volumes regulares quanto com os picos de demanda do setor farmacêutico da América do Sul, com total previsibilidade”, diz.

Para Brenner, este é um dos principais motores de crescimento do grupo e pilar central da “Estratégia 2030”, que conta com um investimento global de € 2 bilhões planejado para logística do setor de saúde.

Demanda global

Brenner enxerga uma demanda global sem precedentes por soluções de descarbonização, rastreabilidade de ponta a ponta e garantia contra desvios térmicos (excursões de temperatura, no jargão do setor) para vacinas e produtos biológicos.

“O Brasil acompanha esse nível de sofisticação e apresenta um enorme potencial tanto nas operações de importação quanto de exportação”, esclarece o executivo.

Segundo ele, o principal obstáculo para expansão do mercado continua sendo o custo de oportunidade, associado às barreiras regulatórias e aduaneiras. Brenner explica que, em outros mercados, a tecnologia da SkyCell é utilizada simultaneamente em rotas internacionais e domésticas, maximizando as economias de escala.

No Brasil, entretanto, os equipamentos ingressam sob um regime aduaneiro especial, chamado admissão temporária, o que restringe a sua utilização no mercado doméstico.

“A resolução dessas restrições regulatórias é essencial para liberar plenamente o potencial competitivo do Brasil no setor de logística”, avalia.

Em paralelo, o cenário global de gargalos logísticos em algumas regiões, como no Oriente Médio, inevitavelmente geram um efeito cascata nas cadeias de suprimentos.

“Para equipamentos especializados e insumos farmacêuticos, o principal impacto tem sido o aumento da pressão sobre os tempos de trânsito e uma maior volatilidade nas rotas de transporte aéreo e de transbordo em toda a Europa, particularmente via Alemanha”, afirma.

Para lidar com esse cenário, o executivo aponta que é necessário que os operadores logísticos implementem planos de contingência robustos e tenham capacidade de realizar redirecionamentos dinâmicos, garantindo a integridade da cadeia de frio de ponta a ponta.

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