Bloomberg — A Telefónica atendeu às estimativas dos analistas em relação ao lucro do segundo trimestre e elevou uma meta-chave de fluxo de caixa, após um crescimento contínuo na Espanha e no Brasil.
O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização cresceu 6,4%, para 2,9 bilhões de euros (3,34 bilhões de dólares), nos três meses encerrados em 30 de junho, informou a operadora de telecomunicações com sede em Madri em comunicado divulgado nesta quarta-feira.
Esse valor se compara a uma estimativa média dos analistas de € 2,9 bilhões, de acordo com uma pesquisa da Bloomberg.
A operadora elevou sua projeção de fluxo de caixa operacional ajustado após arrendamentos — um de seus principais indicadores de geração de caixa — para 2026. Agora, espera-se que ele cresça mais de 3%, acima da projeção anterior de mais de 2%.
O desempenho na Espanha, o maior mercado da Telefónica, continuou a melhorar, com menor rotatividade de clientes e um aumento no número de assinantes de TV impulsionado pela Copa do Mundo, o que contribuiu para um aumento de 2,3% no Ebitda ajustado.
As ações apresentaram poucas variações no início do pregão em Madri nesta quarta-feira.
Analistas da Bernstein, incluindo Ulrich Rathe, descreveram os resultados financeiros para 2026 como “sólidos”, observando que a Espanha “merece atenção” por ter alcançado níveis recordes de baixa rotatividade de clientes diante da forte concorrência.
Leia também: Telefónica vende unidade mexicana por US$ 450 milhões e avança saída da região
Sob a liderança do presidente e diretor executivo Marc Murtra, que assumiu o cargo no ano passado, a Telefónica reduziu suas projeções de dividendos e de fluxo de caixa livre.
A empresa também se retirou da maioria dos mercados latino-americanos de língua espanhola. A reestruturação ainda não conquistou os investidores, e as ações caíram mais de 5% desde sua nomeação em janeiro de 2025, em comparação com um ganho de 10% no índice europeu de telecomunicações.
Embora o crescimento seja forte no Brasil e tenha se mantido estável na Espanha, o maior mercado da operadora, a Telefónica vem enfrentando dificuldades na Alemanha após perder um importante contrato de atacado que tem sido difícil de compensar.
Na semana passada, a unidade alemã anunciou planos para cortar 1.100 empregos, cerca de 15% da força de trabalho, e fechar 60 lojas.
Leia também: Vivo supera market cap da Telefónica, em sinal de desafio da controladora espanhola
Espera-se que o plano custe 420 milhões de euros e gere uma economia de 185 milhões de euros por ano a partir de 2028. A subsidiária alemã também tem sido alvo de escrutínio por parte de um fundo de hedge que exige maior transparência em relação às transações financeiras internas.
A VMO2, joint venture da Telefónica no Reino Unido com a Liberty Global Ltd., vem enfrentando dificuldades devido à queda nas receitas e nos lucros. A Moody’s rebaixou sua classificação de crédito no início de 2026 devido ao alto nível de endividamento da empresa e à queda do EBITDA. A Nexfibre, joint venture de fibra óptica da VMO2 com a InfraVia, concordou em fevereiro em adquirir a rival Netomnia Ltd., dependendo da aprovação regulatória.
Murtra tem sido um defensor persistente da consolidação do setor de telecomunicações europeu, instando os reguladores a flexibilizarem sua postura em relação às fusões para que as operadoras ganhem escala. A Telefónica, em diversas ocasiões, teria explorado possíveis acordos com a Vodafone Espanha, da Zegona Communications plc, e com a 1&1, da United Internet AG, na Alemanha, bem como com a Liberty no Reino Unido.
A empresa está buscando um comprador para sua unidade de TV a cabo, da qual é coproprietária com o bilionário espanhol Amancio Ortega, segundo o jornal Cinco Días.
Veja mais em bloomberg.com