Bloomberg Línea — Pouco mais de dois anos depois da entrada da Equatorial (EQTL3) como acionista de referência, a Sabesp (SBSP3) tem ganhado mais velocidade para investir.
A aceleração já se reflete no volume de obras. Atualmente, cerca de 1.300 frentes estão em andamento no estado de São Paulo, com ações que avançam do interior para a Baixada Santista, litoral norte e região metropolitana, afirma o diretor executivo de engenharia e operação, Roberval Tavares, em entrevista à Bloomberg Línea.
Tavares afiram que, antes da chegada da Equatorial, a Sabesp investia cerca de R$ 4 bilhões por ano, o que, segundo ele, representava 30% dos investimentos em saneamento no Brasil. Em 2025, a companhia investiu R$ 15 bilhões.
“Antes, a Sabesp não tinha esse volume de recursos. Com a entrada do acionista de referência, houve a possibilidade de obter melhores empréstimos, elevar a geração de caixa e ter mais eficiência na gestão.”
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Ele conta que a curva de evolução dos projetos está acontecendo em todo o interior do estado, passando para a Baixada Santista e Litoral Norte, com tecnologias diferentes sendo aplicadas em cada região. A contratação das obras para a região metropolitana de São Paulo, bem como os cronogramas, estão encaminhados para serem executados em dois anos.
A Sabesp é responsável pelo fornecimento de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 376 municípios paulistas, com 30 milhões de habitantes atendidos.
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No período de 2025 a 2029, o plano da operadora de saneamento é investir um total de R$ 70 bilhões, sendo o programa de despoluição do Rio Tietê responsável por quase metade dos recursos. “A nova forma de gerir [a companhia] permite investir mais”, diz.
O novo conjunto de obras da companhia na Região Metropolitana inclui a implantação de 112 estações elevatórias de esgoto e 460 quilômetros de tubulações, além da ampliação de unidades de tratamento. No total, a empresa informa que as obras vão beneficiar cerca de 650 mil imóveis na região, onde vivem cerca de 1,75 milhão de pessoas.
No período de 2023 a 2026, foram construídas 39 estações elevatórias e 7 novas estações de tratamento de esgoto, além de 1.032 quilômetros de tubulações e 1,2 milhão de domicílios com esgoto encaminhado para tratamento.
Rio Tietê
Tavares aponta três fontes de poluição do Rio Tietê: o esgoto lançado, os efluentes industriais tratados inadequadamente e a chamada carga difusa, levada pela chuva a partir da poluição do ar e de resíduos no solo e nas ruas.
O processo de recuperação começa nos bairros, diz a empresa. Quando o esgoto deixa de ser lançado diretamente nos córregos e passa a ser coletado e encaminhado para tratamento, esses cursos d’água deixam de transportar matéria orgânica para os grandes rios.
Conforme Tavares, é esse movimento que vem possibilitando condições para a recuperação gradual das águas e que será ampliado com o novo ciclo de investimentos.
De acordo com o executivo, quando o esgoto não chega aos cursos d’água, evita-se o acúmulo de poluição no rio, ampliando a capacidade de recuperação do Tietê.
Ele acrescenta que o Tietê é a “coluna vertebral” do sistema hídrico de São Paulo, representando a soma de vários outros rios que chegam até ele e já estão despoluídos, com presença de vida aquática e água limpa.
Tavares cita o Rio Pinheiros como um de seus afluentes, onde foi feito um trabalho de 2019 a 2022 que transformou a vida aquática e reduziu o cheiro na parte superior do corpo d’água.
“Se os pequenos estiverem bem, vamos ter um Rio Tietê muito melhor, com a sociedade vendo os benefícios diretos”, afirma.
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