Sephora abre 13ª unidade em São Paulo e avança no país com foco na alta renda

Subsidiária da LVMH consolida sua expansão em ecossistemas de compras qualificados da região metropolitana; estabelecimento de 301 metros quadrados busca aproximar o portfólio de fragrâncias e skincare do cotidiano da classe média paulistana

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Bloomberg Línea — A Sephora inaugurará sua 13ª unidade em São Paulo na próxima sexta-feira (29), no Bourbon Shopping, localizado na zona oeste da capital, de acordo com nota do centro comercial enviada nesta segunda-feira (25).

O movimento reflete a aceleração da estratégia de capilaridade física da maior rede de varejo de beleza de prestígio do mundo, que alcança a marca de 46 pontos de venda no mercado brasileiro.

Fundada em 1973 em Paris, a Sephora opera mais de 3.000 lojas físicas em 35 países e está no Brasil desde 2012.

A expansão ocorre em um momento de consolidação de canais presenciais no país, impulsionada por demandas de consumidores de alto poder aquisitivo localizados em polos de consumo qualificado.

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A nova unidade terá 301 metros quadrados no shopping, entre os bairros de Perdizes e Pompeia. A região registra um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,957, ficando atrás apenas de Moema (0,961) e Pinheiros (0,960) entre os com maior índice de desenvolvimento humano da capital, segundo dados do Atlas do Desenvolvimento Humano (PNUD/Ipea).

No interior da loja, a arquitetura do projeto será alinhada ao padrão adotado nas unidades dos EUA, oferecendo serviços interativos como masterclasses de marcas exclusivas, além de espaços voltados a cuidados pessoais.

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O portfólio vai concentrar marcas globais exclusivas da rede, incluindo as linhas Fenty Beauty, Rare Beauty e Kylie Cosmetics, operando em categorias que abrangem desde fragrâncias até cuidados com a pele.

A abertura na zona oeste paulistana transforma-se em plataforma para estreitar a relação com consumidores paulistas de alto engajamento, afirmou o diretor de varejo da Sephora Brasil, Décio Bueno, no mesmo comunicado.

O avanço pelas capitais acompanha o plano estratégico desenhado para o ano, que ganhou tração após o encerramento da campanha de verão. A meta de alcançar novas praças e acelerar a capilaridade nacional foi ressaltada pela managing director da Sephora na América Latina, Andrea Orcioli, em perfil no LinkedIn após a rede inaugurar sua 45ª unidade do país, em Vitória (ES), em fevereiro.

O Brasil no balanço global da LVMH

O plano de expansão física no Brasil acompanha a estratégia global da holding francesa LVMH, embora o conglomerado não desagrege os dados específicos da América Latina em seus balanços trimestrais, agrupando a região, que soma mais de 80 lojas físicas, na categoria contábil de “Outros Países”.

Apesar de o mercado local não ter um recorte isolado nos relatórios de curto prazo, o investimento em praças com exposição subdesenvolvida foi apontado pela liderança internacional como um dos motores para sustentar o avanço orgânico da divisão de Selective Retail, que cresceu 4% no período, detalhou a CFO global da holding, Cécile Cabanis, em teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026.

Esse direcionamento de capital para mercados com potencial de expansão geográfica responde à relevância do cenário macroeconômico doméstico.

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O setor de Beleza e Cuidados Pessoais representa cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, o que posiciona o Brasil como o terceiro maior mercado consumidor desse segmento em escala global, apontam os indicadores da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos).

Em 2025, o dinamismo dessa cadeia produtiva levou a indústria nacional de cosméticos a atingir um marco histórico ao superar, pela primeira vez desde o início da série histórica in 1997, a marca de US$ 1,061 bilhão em exportações de produtos acabados, complementa a entidade.

Concorrência na alta renda e tráfego digital

O adensamento da Sephora ocorre em meio a uma acirrada competição em shoppings voltados à alta renda, como o Iguatemi São Paulo, na avenida Faria Lima.

Nesses ecossistemas premium, a disputa se desloca para a atração de marcas de alta perfumaria que operam em canais próprios. Por exemplo, o complexo do Iguatemi abriga uma loja exclusiva da nova-iorquina Le Labo, conhecida pelo perfume Santal 33, um de seus principais produtos, cuja distribuição é mantida fora do catálogo da Sephora.

No ambiente digital, contudo, o desempenho operacional da Sephora dá sustentação ao avanço multicanal e justifica a abertura de pontos físicos. A marca lidera o indicador de “principicidade” (intensidade de uso e fidelidade do consumidor em plataformas digitais) no segmento de cuidados pessoais no Brasil, registrando uma média de 13 sessões mensais por usuário no aplicativo.

Os dados constam em relatório temático de varejo publicado em abril pelo banco BTG Pactual com base em métricas da plataforma de inteligência digital SensorTower.

Esse patamar de recorrência digital supera com folga os canais mobile de grandes companhias nacionais consolidadas no mercado de massa, como a Natura (NATU3), que registra 9 sessões mensais, e o e-commerce Beleza na Web, com 8 acessos por usuário.

A abertura no Bourbon Shopping captura esse fluxo qualificado de consumidores de alta renda. A chegada da operação de prestígio fortalece a curadoria do empreendimento, avalia no mesmo comunicado Roberto Manuel Zaffari, diretor da AIRAZ, a administradora de shoppings do Grupo Zaffari.

Essa estratégia de ancoragem por marcas de alta conversão acompanha a dinâmica de grandes holdings de real estate, que utilizam lojistas globais para consolidar a ocupação física e qualificar o tráfego de visitantes em ativos líderes de mercado, conforme apontou a CFO da Allos (ALOS3), Daniella Guanabara, em entrevista à Bloomberg Línea.

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