Revolut intensifica aposta nos EUA com pedido de licença bancária e novo CEO regional

‘Os Estados Unidos são um pilar fundamental de nossa estratégia de crescimento global’, disse Nik Storonsky, fundador da fintech. Cetin Duransoy liderará as operações americanas da Revolut

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Bloomberg — A Revolut solicitou uma licença bancária nos Estados Unidos e nomeou um ex-executivo da Visa como CEO para o país, à medida que a gigante da tecnologia financeira com sede em Londres lança seus ambiciosos planos de expansão no maior mercado do mundo.

A empresa, avaliada pela última vez em US$ 75 bilhões em novembro, buscou o sinal verde do Office of the Comptroller of the Currency e da Federal Deposit Insurance Corporation para operar em todos os 50 estados como Revolut Bank US, de acordo com um comunicado na quinta-feira (5).

Uma carta patente de banco nacional dos EUA permitirá que a Revolut acesse diretamente os sistemas de pagamento do Federal Reserve, aceite depósitos de clientes com seguro federal de até US$ 250.000 por conta e ofereça empréstimos pessoais e cartões de crédito. Isso representa uma mudança fundamental em relação ao modelo operacional atual da fintech, que depende de vários bancos parceiros para fornecer serviços no mercado americano.

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“Os Estados Unidos são um pilar fundamental de nossa estratégia de crescimento global”, disse Nik Storonsky, fundador e CEO da Revolut, no comunicado, acrescentando que a entrada no país é um “marco importante” para a empresa.

Cetin Duransoy, que ocupou cargos sênior na Visa e na Capital One e, mais recentemente, dirigiu a plataforma de poupança Raisin nos EUA, liderará as operações americanas da Revolut como CEO regional. Ele se junta a uma equipe executiva existente e a uma força de trabalho local de pouco menos de 200 pessoas, um número que, segundo a empresa, crescerá com o tempo após a obtenção da licença.

A Revolut está entre uma série de fintechs de todo o mundo que vêm disputando licenças bancárias formais nos EUA, buscando capitalizar o que muitos líderes empresariais veem como um clima regulatório permissivo no segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca. A rival Wise é outra candidata a uma licença para realizar algumas atividades bancárias nos EUA, enquanto o Nubank obteve aprovação condicional da OCC no início deste ano.

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Mesmo no final do ano passado, a Revolut ainda estava explorando a aquisição de um banco americano para ajudar a acelerar sua expansão no país.

“Esse é um dos benefícios de obter a licença, pois reduz o número de intermediários que usaremos no processo, mas também reduz o custo”, disse Sid Jajodia, diretor bancário global da empresa, em uma entrevista separada.

Tendo aumentado sua base de clientes para mais de um milhão de contas nos EUA, a Revolut vem intensificando os investimentos no mercado, comprometendo-se a investir US$ 500 milhões ao longo de três a cinco anos. Em uma tentativa de aumentar sua visibilidade no país, a empresa intensificou seus esforços de marketing, incluindo a oferta de viagens gratuitas de metrô para os nova-iorquinos.

Além de um escritório no distrito financeiro de Nova York, a empresa planeja estabelecer um novo centro em Stamford, Connecticut, disse Jajodia. A empresa também pretende buscar a aprovação do Fed para estabelecer uma holding no momento oportuno.

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A Revolut havia discutido planos para solicitar uma licença bancária nos EUA já em 2021, mas pausou esses esforços para se concentrar em garantir uma licença no Reino Unido. Em meados de 2024, obteve uma aprovação condicional britânica, que ainda permanece em uma “fase de mobilização” restritiva.

Fundada em 2015, a Revolut se tornou uma das maiores fintechs e de crescimento mais rápido do mundo, com mais de 70 milhões de clientes globais e uma meta de aumentar esse número para 100 milhões. Ela lançou suas primeiras operações bancárias completas fora da Europa no mês passado, no México.

A Bloomberg News informou na semana passada que a empresa está considerando uma nova venda de ações no segundo semestre deste ano, embora Jajodia tenha dito que tal movimento não está “em nenhum momento no horizonte”.

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