Bloomberg — A Revolut abrirá em breve sua sede na Europa Ocidental em Paris, já que a empresa de fintech do Reino Unido, avaliada pela última vez em US$ 75 bilhões, busca alimentar seu crescimento por meio da expansão no continente.
A empresa assinou um contrato de aluguel de 10 anos para um espaço no histórico distrito comercial de Bourse, na capital francesa, de acordo com um comunicado na quarta-feira.
O escritório fica próximo à estação de metrô Sentier, um bairro às vezes chamado de “Vale do Silício parisiense”.
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O neobanco se mudará para o 116 Rue Reaumur no início de 2027 e acabará ocupando seis andares do edifício, que não fica muito longe de onde está localizado o órgão de fiscalização bancária local, a Autoridade Francesa de Supervisão Prudencial e Resolução (ACPR).
“É o melhor dos dois mundos - finanças tradicionais de um lado e tecnologia do outro”, disse Beatrice Cossa-Dumurgier, CEO da Revolut para a Europa Ocidental, em uma entrevista. “Isso é realmente quem somos e o que queremos transmitir.”
A Revolut pretende ocupar um total de 2.400 metros quadrados (25.833 pés quadrados) do espaço aberto da propriedade, que apresenta uma fachada do século XIX e se assemelha a uma butique parisiense.
A França é um dos maiores mercados da Revolut em termos de crescimento. A fintech tem 7 milhões de clientes no país e quer aumentar para 10 milhões até o final de 2027.
O banco digital quer se tornar o principal banco para os trabalhadores europeus, mas também capturar mais bancos comerciais.
Os rivais nessa tarefa incluem o BoursoBank - o banco digital francês de propriedade da Societe Generale, que recentemente atingiu quase 9 milhões de clientes.
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O novo escritório da Revolut abrigará a equipe de Paris e da Europa Ocidental, onde a empresa se comprometeu a contratar mais de 400 funcionários. Uma grande parte dos cargos na França está na área de risco e conformidade - um foco importante desde que a fintech apresentou seu pedido de licença bancária no país no ano passado.
Isso ocorre depois que a empresa se comprometeu a investir 1 bilhão de euros (US$ 1,2 bilhão) na França nos próximos três anos.
A obtenção de uma licença bancária francesa fortaleceria sua capacidade de fornecer serviços financeiros, especialmente empréstimos hipotecários e soluções de poupança.
A empresa já é um banco europeu licenciado e regulamentado pelo Banco Central da Lituânia e pelo Banco Central Europeu.
“Ainda estamos trabalhando com os órgãos reguladores franceses e europeus”, disse Cossa-Dumurgier, acrescentando que “não vemos nenhum obstáculo”.
A empresa também está procurando atrair mais clientes de alto patrimônio líquido à medida que trabalha para aprofundar sua oferta de riqueza.
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A fintech, que finalmente obteve sua licença bancária britânica completa no mês passado, contratou recentemente Perrine Kaltwasser como seu diretor de riscos. A executiva trabalhou anteriormente no credor francês La Banque Postale, na ACPR e também no Banco Central Europeu.
Cossa-Dumurgier está na empresa há quase um ano. O ex-CEO do Societe Generale, Frederic Oudea, entrou logo depois como presidente das operações da empresa na Europa Ocidental.
Cossa-Dumurgier disse que, em última análise, o objetivo da Revolut é localizar sua oferta em cada mercado “e tornar-se o primeiro destino para os salários franceses, mas também para os salários alemães, italianos, etc.”.
A Revolut se tornou uma das startups mais valiosas da Europa. A empresa entregou £4,5 bilhões (US$ 6 bilhões) em receita anual no ano passado. Em setembro, ela iniciou um processo que permite que os funcionários vendam ações com uma avaliação de US$ 75 bilhões, informou a Bloomberg.
A empresa tem mais de 70 milhões de clientes em todo o mundo, superando alguns dos maiores bancos europeus, embora a base de depósitos de clientes e as receitas da Revolut sejam, em média, muito menores.
A Revolut também solicitou recentemente um alvará bancário nos EUA e “espera ver progresso” nesse pedido este ano, disse o diretor financeiro Victor Stinga no mês passado.
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