Preço da faculdade cai no ensino presencial, mas sobe em híbrido e online, diz JPMorgan

Levantamento com mais de 125 mil ofertas coletadas em sites de educação e na plataforma QueroBolsa, mostra estratégias opostas nas matrículas do segundo semestre: Yduqs aumenta mensalidades em até 27,5%; Cogna corta 9,4%

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Bloomberg Línea — As mensalidades de cursos presenciais de graduação no Brasil voltaram a cair, ainda que levemente, no início do período de matrículas do segundo semestre deste ano, interrompendo meses de altas, enquanto as modalidades híbrida e a distância mostraram recuperação de preços.

É o que aponta o monitor de mensalidades (tuition tracker) do JPMorgan referente a junho, primeiro relatório de uma série que acompanha a evolução dos tickets ao longo do ciclo de captação de novos alunos, que começa em junho para a maioria das instituições e ganha volume em julho e agosto.

Os preços do ensino presencial recuaram 0,2% em junho na comparação anual. As mensalidades do modelo híbrido avançaram 8,8%, e as do online subiram 3,5%, revertendo as quedas registradas em janeiro, fevereiro e março.

Os números vêm do índice de mensalidades do banco, construído com dados da plataforma QueroBolsa, que reúne ofertas de mais de 600 marcas de ensino, cerca de 357 instituições em 114 cidades.

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O interesse nesse tipo de levantamento tem uma razão prática. As companhias só divulgam seus preços médios nos balanços trimestrais. Os resultados do segundo trimestre do setor de educação são esperados para o mês de agosto.

O rastreamento dos valores anunciados publicamente na internet, coletados várias vezes por mês, funciona como um termômetro quase em tempo real do poder de precificação de cada empresa durante os ciclos de matrícula.

Para o investidor, é uma forma de antecipar tendências de receita antes dos resultados oficiais.

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O relatório, assinado pelos analistas Marcelo Santos e Livea Mizobata, também monitora os preços praticados nos sites das três maiores companhias listadas do setor, e o comportamento entre elas foi bastante desigual.

Outras empresas de capital aberto, como Ser Educacional (SEER3), Vitru (VTRU3) e Cruzeiro do Sul (CSED3), ficam de fora do rastreamento individual, ainda que suas marcas possam estar capturadas no índice geral via QueroBolsa.

Aumentos e descontos

A Yduqs (YDUQ3) apresentou o desempenho mais forte. Com base em cerca de 100 mil ofertas analisadas, a mediana das mensalidades do presencial subiu 27,5% em junho, seguida pelo híbrido, com alta de 20,9%, enquanto o online ficou estável. Estados como Rio Grande do Norte, com avanço de 66% no online, e Santa Catarina, com 33% no presencial, puxaram os aumentos.

Na Anima (ANIM3), a partir de aproximadamente 4 mil ofertas, o presencial avançou 4,8% e o híbrido, 8,1%. O ponto fraco foi o ensino a distância, com queda de 16,7%, ainda que este seja o menor segmento da companhia.

Entre as marcas, Universidade Potiguar (+12,2%), de Natal (RN), e Universidade São Judas (+14%), de São Paulo, lideraram os reajustes no presencial.

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Já a Cogna (COGN3) combinou forte expansão no híbrido, de 14%, com retração no presencial (-9,4%) e no online (-2,7%), segundo levantamento de cerca de 23 mil ofertas.

A queda do presencial reflete a Anhanguera, única marca do grupo monitorada na modalidade, com recuos maiores em São Paulo (-15%) e Minas Gerais (-9%). No recorte por marca, chamam atenção os saltos do híbrido na Unopar (+56,6%), uma das maiores operações de ensino a distância do grupo, de Londrina (PR) e na rede mineira Pitágoras (+52,8%).

O JPMorgan pondera que a análise tem limitações. O tracker captura apenas mensalidades de calouros, enquanto a maior parte da receita vem de alunos já matriculados, e o uso da QueroBolsa introduz viés de um site de descontos. Mudanças de mix também podem afetar os tickets reportados.

O banco tem recomendação overweight (equivalente a compra) para Cogna e Yduqs e neutra para Anima. Nos preços de fechamento de 1º de julho, COGN3 valia R$ 2,29; YDUQ3, R$ 8,90; e ANIM3, R$ 2,68.

Captação fraca e caixa forte no 1º tri

O levantamento de preços de junho chega depois de um primeiro trimestre de captação fraca, já retratado nos balanços divulgados em maio.

A entrada de novos alunos caiu em ritmo de dois dígitos na maior parte das companhias, com recuos na casa de 14% a 17% em Cogna, Yduqs, Cruzeiro do Sul (CSED3) e Ser Educacional (SEER3), puxados pelo ensino a distância após as mudanças regulatórias. Anima e Vitru (VTRU3) tiveram quedas mais contidas, de 2,2% e 3%.

A receita, porém, resistiu, sustentada por preços e pelos segmentos presenciais. A Anima faturou R$ 1,120 bilhão no trimestre, alta de 8% em base anual, e superou em cerca de 5% as estimativas de lucro do Santander e do consenso de mercado. A Cogna reportou receita de R$ 2,146 bilhões, crescimento de 32%, com Ebitda ajustado de R$ 680 milhões, e o resultado foi classificado pelo banco como melhor do que se temia.

O outro destaque do trimestre foi o caixa. A Cogna reduziu o endividamento líquido em 2% na comparação trimestral, mesmo após pagar R$ 119 milhões em dividendos, e a Anima cortou a dívida em 2,5%, apesar de desembolso de R$ 45 milhões com aquisições.

Para o Santander, a geração de caixa livre, estimada entre 15% e pouco mais de 20% do valor de mercado da maior parte das empresas neste ano, segue como o principal argumento dos otimistas com o setor.

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