Patria reforça aposta na Colômbia ao liderar aporte de US$ 60 milhões em startup

A gestora amplia sua presença em um dos principais ecossistemas de inovação da América Latina em meio ao avanço dos investimentos em tecnologia na região

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Bloomberg — A gestora brasileira de ativos alternativos Patria Investments liderou uma rodada de financiamento de US$ 60 milhões, combinando dívida e participação acionária, para a Duppla, startup colombiana de financiamento habitacional. Trata-se do primeiro investimento de venture capital da gestora no país vizinho.

A operação faz parte da estratégia mais ampla de expansão da empresa na Colômbia, onde enxerga um grande mercado consumidor e uma demanda reprimida por serviços essenciais, afirmou Diego Chona, sócio e líder de investimentos de private equity da Patria.

A gestora busca “se tornar uma catalisadora de startups” no país andino, disse Chona em entrevista. Segundo ele, os investimentos em venture capital ajudarão a construir um portfólio completo, que abrange desde startups e empresas em estágio de crescimento até operações de private equity.

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O investimento pode ser um sinal positivo para o presidente eleito Abelardo de la Espriella, que assumirá o cargo em agosto após prometer, durante a campanha eleitoral deste ano, retomar o crescimento econômico e estimular o investimento privado. A vitória do advogado conservador em junho alimentou expectativas de recuperação dos investimentos no país, rico em recursos naturais.

A Duppla oferece uma alternativa para a compra da casa própria por colombianos que têm dificuldade para obter financiamento imobiliário tradicional. Pelo modelo da empresa, os clientes fazem um pagamento inicial equivalente a pelo menos 15% do valor do imóvel e passam a alugá-lo por um período inicial de cinco anos, enquanto a Duppla financia o restante.

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Durante esse período, os clientes podem aumentar suas contribuições com o objetivo de se qualificarem para um financiamento imobiliário convencional ao fim do contrato de aluguel. Atualmente, a empresa atende cerca de 300 famílias e pretende ampliar esse número para 1.500 até o fim de 2027, segundo o cofundador da Duppla, Cristian Villamizar.

Apenas cerca de 3% dos adultos colombianos tinham um financiamento habitacional em 2024, o que evidencia o alcance limitado das hipotecas tradicionais em um país onde milhões de pessoas têm renda variável ou informal, histórico de crédito formal reduzido ou problemas anteriores nos registros de crédito que dificultam a aprovação de empréstimos. As taxas de financiamento imobiliário na Colômbia estão entre as mais elevadas da região, com média de 16,1% em 2023, segundo a União Interamericana para a Habitação.

“Esse é um modelo que pode ajudar a reduzir essa lacuna” para os colombianos que não conseguem acessar um financiamento imobiliário, afirmou Chona.

A Patria participou da rodada por meio da parcela em participação acionária. A operação foi assinada no fim de junho e entrou em vigor em 29 de julho. Também participaram as gestoras de venture capital Cometa e Nazca, o grupo de serviços financeiros Skandia Colombia e a empresa de investimentos Grupo Pegasus.

Expansão na Colômbia

Conhecida principalmente pelos investimentos em private equity, crédito, mercado imobiliário, infraestrutura e mercados públicos, a Patria entrou no segmento de venture capital após adquirir a brasileira Igah Ventures, em 2022.

Desde então, a gestora tem realizado uma série de aquisições na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa, como parte da estratégia para se tornar uma das 30 maiores gestoras de recursos do mundo. Atualmente, administra mais de US$ 59 bilhões em ativos.

A empresa tem mais de US$ 7 bilhões investidos ou sob gestão na Colômbia e pretende dobrar sua exposição em private equity no país, para US$ 1,4 bilhão, nos próximos três a cinco anos, afirmou Chona. Os principais focos são os setores de saúde, infraestrutura, agricultura e logística, além de oportunidades em data centers, alimentos e cibersegurança na Colômbia e em outros mercados.

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A expansão ocorre apesar do elevado custo do crédito e das incertezas em torno do cenário regulatório e fiscal colombiano. O investimento estrangeiro direto caiu para US$ 11,5 bilhões no ano passado, ante mais de US$ 17 bilhões em 2022.

Segundo Chona, a Patria tem buscado identificar o que funcionou no Brasil e replicar esse modelo na Colômbia.

“Nós nos vemos mais como empreendedores do que como investidores financeiros”, afirmou. Segundo ele, o objetivo da gestora é construir empresas que ampliem o acesso da população a serviços essenciais.

Em novembro de 2025, a Patria assinou um acordo vinculante para adquirir as operações da Banmédica, da UnitedHealth Group, no Chile e na Colômbia.

A transação inclui a operadora colombiana Aliansalud EPS, a empresa de planos de saúde Colmédica e os hospitais Clínica del Country e Clínica La Colina. A conclusão do negócio ainda depende de aprovações regulatórias.

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