Com troca de CFO, Oncoclínicas busca novo perfil para reestruturação, diz J.P.Morgan

Maurício Hasson assume o comando de finanças e relações com investidores da rede de oncologia no lugar de Isaac Quintino antes da próxima fase da reestruturação da dívida de R$ 5,1 bilhões

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Bloomberg Línea — A Oncoclínicas (ONCO3) busca um perfil diferente para conduzir a próxima fase de sua reestruturação financeira, avalia o J.P.Morgan em relatório.

A rede de oncologia anunciou a troca do CFO na última segunda-feira (14). Maurício Hasson assume a diretoria financeira e de relações com investidores da companhia.

Ele substitui Isaac Quintino, que ocupava o cargo de forma interina desde o mês de abril e ficará na empresa apenas até o fim da transição.

Com mais de 14 anos de experiência em cargos equivalentes, Hasson tem passagem anterior pela própria Oncoclínicas entre 2015 e 2016.

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É a segunda troca no comando financeiro em menos de um ano, num momento em que a Oncoclínicas negocia a reestruturação de sua dívida com credores.

Quintino estava há oito anos na companhia e acompanhou etapas centrais de sua trajetória, incluindo o IPO, uma oferta subsequente de ações e integrações de fusões e aquisições.

Para o J.P.Morgan, a experiência prévia de Hasson na empresa deve reduzir os riscos típicos de uma sucessão nesse momento.

O banco pondera, porém, que o desfecho da reestruturação, o risco de diluição acionária e a capacidade de geração de caixa seguem como os fatores que vão determinar o futuro da ação, negociada a R$ 1,14 em 11 de setembro.

O aperto de liquidez, segundo o relatório do banco, já vem limitando o volume de tratamentos oferecidos pela rede.

Em 2025, as unidades de quimioterapia e radioterapia da Oncoclínicas atenderam 294 mil pacientes, dos quais 76 mil chegaram a receber tratamento efetivo, segundo dados da própria companhia.

Oncoclínicas

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Renegociação de R$ 5,1 bi

A dívida em negociação soma cerca de R$ 5,1 bilhões em obrigações financeiras quirografárias e créditos intercompany, segundo fato relevante enviado pela companhia em julho.

O pedido de recuperação extrajudicial veio depois de meses de pressão sobre o caixa, agravada pela restrição de acesso a recursos aplicados no Banco Master e pelo colapso da Unimed FERJ, uma das suas fontes pagadoras.

No primeiro trimestre deste ano, a Oncoclínicas teve prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, mais do que triplicando a perda registrada no mesmo período de 2025.

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A empresa também reportou Ebitda negativo de cerca de R$ 50 milhões e fluxo de caixa livre negativo de R$ 401 milhões, encerrando o trimestre com R$ 124 milhões em caixa, de acordo com dados públicos da companhia. No acumulado do ano passado, o prejuízo somou R$ 1,5 bilhão.

Em agosto, a Justiça deferiu o processamento da recuperação extrajudicial, com stay period de 180 dias e proteção contra cobranças de credores.

Na sequência, a companhia apresentou uma versão atualizada do plano de reestruturação, incorporando termos já negociados, embora as condições finais ainda estejam em aberto, segundo fato relevante.

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O plano prevê alternativas como aporte de capital pelos acionistas, conversão de parte da dívida em ações, substituição de passivos por novos financiamentos e alongamento de prazos de pagamento.

Paralelamente, a Oncoclínicas negocia uma dívida de R$ 1,05 bilhão com a Oncoprod, sua principal fornecedora de medicamentos. As obrigações com clientes, fornecedores e colaboradores ficaram fora do escopo da recuperação extrajudicial.

Saída do Goldman Sachs

Fundada em Belo Horizonte em 2010, a Oncoclínicas viveu ascensão e queda diante de Wall Street. O Goldman Sachs entrou como acionista em 2015, com 20% do capital, e liderou o IPO da companhia em 2021, quando a ação saiu a R$ 19,75, cada.

A saída do Goldman do capital da Oncoclínicas não foi opcional. Uma lei americana chamada Volcker Rule, criada depois da crise financeira de 2008, proíbe bancos de manter participações relevantes em empresas por tempo indeterminado. A regra funciona como um cronômetro: o banco tem até dez anos para reduzir sua fatia a, no máximo, 5% do capital da companhia investida.

No caso do Goldman, esse prazo se esgotou em março de 2025. Àquela altura, a Oncoclínicas já enfrentava dificuldades financeiras, e não havia comprador disposto a pagar um preço razoável pelas ações do banco.

Para cumprir a lei sem vender no prejuízo, o Goldman recorreu a um instrumento chamado total return swap. Na prática, o banco transferiu a propriedade formal de parte de suas ações à gestora Centaurus, mas manteve o direito de receber os ganhos econômicos caso os papéis fossem vendidos no futuro por um preço melhor.

Formalmente o Goldman deixava de ser dono das ações, mas continuava exposto ao resultado financeiro delas. Essa engenharia gerou um litígio na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), sobre se a operação obrigaria a Centaurus a fazer uma OPA, oferta pública para comprar ações de outros acionistas minoritários. Em agosto, a CVM determinou que a gestora apresentasse uma OPA, mas a decisão ainda cabe recurso.

A Latache, gestora que antes representava fundos do Banco Master no conselho da Oncoclínicas, aproveitou essa reorganização para comprar ações da companhia e hoje é a maior acionista, com 14,59% do capital. Em julho, o Goldman já havia reduzido sua exposição a 0,70%.

Paralelamente, a Oncoclínicas vendeu sua fatia na joint venture saudita por US$ 6,55 milhões e fechou acordo de R$ 90 milhões com a Unimed Leste Fluminense para encerrar uma execução judicial.

A ação, que chegou à mínima histórica de R$ 0,53 neste ano, recua 2,80%, cotada a R$ 1,04, por volta das 14h40.

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