Bloomberg Línea — A incorporadora Benx, do grupo Bueno Netto, aposta na arte como estratégia permanente para seus empreendimentos em um mercado cada vez mais competitivo.
O grupo tem investido em curadoria, exposições e formação de artistas como um plano de identidade de seus projetos.
A proposta de diferenciação vai além de metragem e acabamento e inclui projetos de arquitetura, paisagismo e ativação cultural, com obras de arte e até galeria como elementos dos empreendimentos.
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“A tendência é que os empreendimentos passem a disputar não apenas localização, mas também capacidade de gerar experiência urbana, identidade e impacto positivo no entorno”, disse o fundador da Bueno Netto, Adalberto Bueno Netto, à Bloomberg Línea.
“A Benx entende que projetos imobiliários de grande porte, especialmente de alto padrão, precisam entregar identidade, permanência e relação real com a cidade.”
Segundo o executivo, a arte aparece de formas diferentes em cada projeto e o objetivo é que seja incorporada na concepção dos empreendimentos. “Não se trata apenas de instalar obras em áreas comuns.”
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O projeto mais emblemático neste sentido é o Parque Global, empreendimento de uso misto avaliado em mais de R$ 14 bilhões.
Localizado na zona sul da capital paulista, engloba cinco torres residenciais de alto padrão; um centro oncológico operado pelo Einstein; um hotel Emiliano; além de escola, shopping center e integração com o transporte público por meio da futura Linha 17-Ouro do Metrô.
O terreno, de 218 mil m², está localizado entre o Shopping Cidade Jardim e o Parque Burle Marx. “O Parque Global é hoje a expressão mais ampla dessa visão”, diz Bueno Netto.
Na área residencial, cada torre recebeu uma curadoria artística própria, com obras de nomes como Ângelo Venosa, João Farkas, Graciela Hasper, Laura Vinci, entre outros.
O projeto como um todo inclui ainda a aquisição e instalação de obras de arte, curadoria, exposições, programação cultural contínua, além de formação de público e apoio a artistas por meio do Parque Global Cultural.
A frente é dirigida por Dinda Bueno Netto e Kátia d’Avillez e inclui uma galeria de arte no empreendimento, aberta ao público.
De acordo com Dinda, o projeto não se limita a expor artistas já reconhecidos e inclui iniciativas voltadas à profissionalização e à circulação de novos talentos. O muralista SENK, por exemplo, artista nascido no Vale do Jequitinhonha, passou pelo programa e agora já atua internacionalmente.
“A arte inserida em projetos imobiliários traz reflexão. Valoriza empreendimentos por meio de espaços de convivência, cultura e educação”, diz Dinda.
Segundo Bueno Netto, o Parque Global foi pensado sob a lógica de “cidade dentro da cidade”, antecipando uma demanda crescente por empreendimentos mais completos, sustentáveis e conectados ao entorno urbano.
O projeto de paisagismo foi assinado pelo suíço Enzo Enea. O botânico Ricardo Cardim participou das iniciativas ligadas à recuperação ambiental e à valorização da flora brasileira.
Segundo a Benx, foi implantado um corredor com 414 ipês-roxos ao longo da Marginal Pinheiros, na altura do Morumbi, como parte do projeto.
A arte também integra o conceito do empreendimento 280 Art Boulevard, cuja curadoria é assinada por Marc Pottier e inclui uma escultura externa escolhida por um concurso.
Mercado promissor
A Benx registrou um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,2 bilhões no ano passado.
Na visão de Bueno Netto, o segmento de alto padrão segue resiliente e deve continuar aquecido, especialmente em cidades globais como São Paulo.
“Existe uma busca cada vez maior por projetos mixed-use, com serviços integrados, hospitalidade, segurança, saúde, conveniência e forte presença de áreas verdes”, pondera.
Outro movimento importante apontado pelo executivo é a valorização de empreendimentos que criem experiências urbanas, com arquitetura autoral, paisagismo sofisticado e integração cultural.
“Também cresce a demanda por projetos que ofereçam exclusividade sem abrir mão de convivência e conexão com a cidade”, acrescenta.
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