Bloomberg — A Porsche confirmou suas perspectivas de lucro para o ano, à medida que a fabricante do 911 se empenha em se tornar mais enxuta para recuperar as margens prejudicadas pelas tarifas dos EUA e pela fraca demanda na China.
O novo CEO, Michael Leiters, informou aos acionistas na assembleia anual da Porsche, realizada na terça-feira (23), que planeja reduzir a linha de modelos da empresa e aprofundar a cooperação com a Volkswagen para cortar custos de desenvolvimento.
“Nosso portfólio tornou-se complexo demais — mesmo em comparação com nossos concorrentes”, afirmou Leiters, que assumiu o cargo em janeiro. “Se houver menos modelos competindo entre si, isso deverá ter efeitos significativos sobre nossa eficiência de capital.”
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A Porsche reiterou sua previsão de uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% neste ano.
Embora isso esteja muito aquém das margens de dois dígitos a que os investidores estavam acostumados, é uma boa notícia diante das dificuldades enfrentadas pelo setor de carros de luxo na Alemanha.
Na semana passada, a BMW reduziu drasticamente sua previsão de margem no setor automotivo para apenas 1%, em meio à queda na demanda e às crescentes pressões geopolíticas.
As ações da Porsche reverteram as quedas anteriores e subiram até 1,1% em Frankfurt. As ações registram alta de cerca de 6% neste ano.
A iniciativa de Leiters para reduzir a complexidade surge em um momento em que a Porsche enfrenta uma queda acentuada nas vendas na China e as consequências das tarifas de importação dos EUA.
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A marca oferece atualmente cerca de 85 variantes de seis modelos principais, de acordo com seu site. Entre elas estão várias versões do veículo elétrico Taycan, como a perua Sport Turismo e o Cross Turismo, de características mais robustas.
O CEO está preparando cortes adicionais de custos e já manteve conversas sobre esse programa com representantes sindicais, conforme declarou ao Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung neste mês.
O executivo, que anteriormente dirigiu a McLaren, afirmou que a Porsche deseja chegar a um acordo antes das férias da fábrica em julho. Quaisquer novas medidas viriam somar-se aos planos anteriores de eliminar cerca de 3.900 postos de trabalho até 2029.
A Porsche já tomou algumas medidas drásticas, incluindo o cancelamento ou o adiamento de alguns veículos elétricos e a adição de mais modelos com motores de combustão e sistemas de propulsão híbridos.
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A montadora também substituiu a maioria dos membros de seu conselho administrativo. Ela divulgará mais detalhes sobre sua estratégia em um evento dedicado aos mercados de capitais no dia 7 de outubro.
As dificuldades da Porsche têm implicações para todo o grupo Volkswagen.
A marca tem sido tradicionalmente um dos principais motores de lucro da VW, ajudando a compensar os retornos mais modestos nas operações voltadas para o mercado de massa.
Seu declínio aumenta a pressão sobre o CEO do grupo, Oliver Blume, que se afastou da gestão da Porsche para se concentrar em conduzir a maior montadora da Europa por uma ampla reestruturação.
As montadoras alemãs — e a Porsche em particular — foram duramente atingidas por uma desaceleração na China, onde os fabricantes locais intensificaram a concorrência e minaram o poder de fixação de preços das marcas de luxo estrangeiras. A empresa também teve que absorver o impacto das tarifas dos EUA, que pesaram sobre as exportações para seu maior mercado individual.
Leiters afirmou que o objetivo da empresa é tornar a Porsche mais focada e eficiente, sem diluir o apelo da marca. Reduzir sobreposições internas, acrescentou ele, deve ajudar a liberar recursos para veículos e tecnologias com maior potencial de lucratividade.
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