Bloomberg — O CEO da Berkshire Hathaway, Greg Abel, disse que usará todo o seu salário para adquirir ações do conglomerado enquanto estiver no cargo.
Com esse objetivo, Abel adquiriu cerca de US$ 15,3 milhões em ações nesta semana, segundo um documento regulatório. Ele afirmou que seu compromisso de continuar fazendo isso após a divulgação dos resultados anuais da empresa a cada ano deverá somar “centenas de milhões” de dólares em recompras de ações ao longo de sua carreira.
“O alinhamento absoluto com nossos acionistas, nossos parceiros e nossos proprietários é fundamental”, disse Abel em entrevista à CNBC na quinta-feira.
“Eu já possuo algumas ações, mas o objetivo era continuar demonstrando esse alinhamento com eles.”
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A Berkshire também retomou a recompra de ações na quarta-feira, com Abel dizendo que a decisão veio depois de os executivos concluírem que o “valor intrínseco” desses papéis estava acima do preço de mercado.
O movimento fez as ações da Berkshire subirem até 2,3% em Nova York na quinta-feira após o anúncio.
“O anúncio da recompra é um sinal bem-vindo, tanto por reconhecer o valor das ações quanto pela oportunidade de alocar capital à medida que a empresa gera lucros operacionais significativos em 2026 e continua administrando uma reserva de caixa única de US$ 370 bilhões”, disse Macrae Sykes, gestor de portfólio do Gabelli Financial Opportunities Fund.
Abel, que assumiu o comando do conglomerado com sede em Omaha, Nebraska, no início deste ano, prometeu manter intactos os princípios e valores que ajudaram seu lendário antecessor, Warren Buffett, a transformar uma fábrica têxtil falida em um conglomerado de US$ 1 trilhão.
O compromisso de longo prazo do novo CEO reforça essa percepção.
“O compromisso de Greg Abel com um investimento pessoal anual acredito que ajudará muito a construir o mesmo tipo de vínculo forte que Buffett tinha com os acionistas”, disse Christopher Davis, sócio-fundador da Hudson Value Partners.
“A entrevista de hoje confirmou que nosso investimento nas ações da Berkshire está em mãos muito capazes.”
Ainda assim, além do sentimento positivo de curto prazo entre investidores, um crescimento duradouro no preço das ações da Berkshire depende da capacidade de Abel de melhorar os fundamentos da empresa, segundo Cathy Seifert, analista da CFRA Research.
“Até vermos isso, esse movimento pode ser apenas um salto temporário, porque as ações não estão extremamente subavaliadas”, disse Seifert.
As ações da Berkshire haviam caído no início da semana depois que a empresa divulgou seus resultados do quarto trimestre no sábado.
O lucro operacional da companhia recuou 30% no período, impulsionado por uma queda de 54% no resultado de subscrição de seguros.
Os acionistas analisavam esses resultados em busca de sinais de como Abel abordaria as recompras de ações, já que o conglomerado havia se abstido de fazê-las por seis trimestres consecutivos.
Abel usou sua primeira carta anual aos investidores, na semana passada, para reafirmar a política de retorno aos acionistas da Berkshire, praticamente descartando a possibilidade de pagamento de dividendos.
“Nós reteremos um dólar se virmos a oportunidade de criar mais de um dólar para nossos acionistas — e esse tem sido o teste”, disse Abel.
“Portanto, se não atendêssemos a esse critério, pagaríamos um dividendo.”
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A decisão de voltar a recomprar ações não impedirá a Berkshire de buscar outras oportunidades para utilizar sua enorme reserva de caixa, disse Abel.
“Também existe a questão: ‘Compramos nossas próprias ações?’ E, quando analisamos empresas, ‘Compramos empresas inteiras também?’ E depois há a opção de ‘Compramos participações acionárias?’”, disse Abel.
“Cada uma dessas alternativas, com o volume de capital que temos, pode ser feita de forma independente. Portanto, quando estamos recomprando nossas ações, isso não tira espaço de nenhuma das outras decisões.”
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