Nestlé reformula sistema de bônus e submete até o CEO às novas regras

Grupo suíço passa a adotar seis níveis de avaliação para 271 mil funcionários e eleva teto de pagamento a 150% da meta para a faixa mais alta: ‘A ideia por trás dessa estrutura é realmente desenvolver as pessoas’, disse um porta-voz da empresa à Bloomberg News

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Bloomberg — A Nestlé reformulou seu plano de bônus, elevando o teto de pagamento para funcionários de melhor desempenho e reduzindo significativamente — ou até eliminando — os valores destinados aos de desempenho inferior neste exercício fiscal.

O grupo suíço de alimentos, que busca transformar sua cultura com foco maior em performance, passará a adotar seis classificações para seus 271 mil funcionários na definição dos bônus, ante os três níveis anteriores.

Os colaboradores classificados como “exemplares”, o nível mais alto, poderão receber até 150% da meta de bônus, acima do limite anterior de 130%.

Já aqueles na faixa mais baixa, “insatisfatória”, não receberão bônus ou terão direito, no máximo, a 50% da meta, segundo pessoas familiarizadas com o tema.

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A mudança representa uma guinada relevante para uma empresa historicamente conhecida por sua cultura mais conservadora. No passado, quase todos os funcionários costumavam receber ao menos 80% do bônus, mesmo os que apenas cumpriam os requisitos mínimos, disseram as fontes, que pediram anonimato para tratar de assuntos internos.

Um porta-voz da Nestlé confirmou o novo sistema e afirmou: “A ideia por trás dessa estrutura é realmente desenvolver as pessoas. Também queremos mudar a forma como elas se comportam”.

Philipp Navratil, recém-nomeado CEO, declarou pouco depois de assumir o cargo, em setembro, que pretendia resgatar a ambição e o crescimento de uma companhia cujas vendas vêm sendo fracas há anos. Segundo ele, todos na empresa — inclusive o próprio CEO — seriam avaliados pelos mesmos indicadores.

“Será fácil ver quem está se saindo bem e quem não está”, disse na ocasião. “Seremos implacáveis na avaliação de nosso pessoal.”

Na semana passada, a Nestlé projetou crescimento de vendas e lucros para este ano, mesmo ainda enfrentando demanda volátil, queda de volumes, custos elevados e o maior recall de fórmulas infantis de sua história. Navratil afirmou então que o crescimento interno real — indicador-chave de volumes acompanhado de perto por analistas e investidores — passará a ser o principal critério para o pagamento de bônus.

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Os funcionários já foram informados de que os resultados estarão mais diretamente ligados ao desempenho do grupo e das divisões, além de indicadores individuais.

A iniciativa da Nestlé, cujas ações acumulam queda de cerca de 31% desde o pico registrado em 2022, reflete um foco mais amplo em desempenho em meio à disputa por crescimento em mercados desafiadores.

A Unilever, por exemplo, cortou cerca de um quarto de seus 200 principais executivos para eliminar o que chama de “mediocridade”, passou a vincular os bônus anuais ao desempenho do departamento do gestor, e não mais ao resultado da companhia como um todo.

“É um sistema de recompensa muito, muito mais diferenciado do que tínhamos no passado”, afirmou o CEO Fernando Fernandez na conferência do Consumer Analyst Group, em Nova York, na semana passada.

Segundo ele, menos funcionários estão recebendo o valor máximo dos bônus e apenas 55% dos trabalhadores recebem entre 80% e 120% do pagamento, ante 90% anteriormente.

--Com a ajuda de Jillian Deutsch.

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