Bloomberg Línea — A Natura (NATU3) reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 444,5 milhões no primeiro trimestre, para, em um cenário que a administração defendeu como “desafiador”.
Entre as razões para a baixa, está uma demora maior que a esperada em retomar o crescimento da marca Natura no Brasil. A marca enfrenta uma queda de consumo no país diante do aumento do endividamento das famílias.
“O consumo da categoria de beleza vinha de um momento muito exuberante há um ano atrás, e, como noticiamos em outras ocasiões, esse consumo freou e está crescendo muito pouco em volume. É algo que me preocupa”, afirmou João Paulo Ferreira, CEO da Natura, em coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12) para comentar os resultados da varejista.
Sem crescimento de mercado garantido, a estratégia da Natura passa a depender de ganhos sobre os concorrentes.
“Se o mercado cresce pouco em volume, a gente precisa buscar espaços para ganhar mais da concorrência”, afirmou Ferreira, destacando que a companhia está mapeando categorias e regiões onde pode ser mais competitiva.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O Nordeste aparece como uma das prioridades depois de aparecer como região de maior vulnerabilidade no trimestre, com queda no tamanho e na produtividade da rede de consultoras na região.
“O Nordeste é uma região muito importante para nós e precisamos adaptar nosso sortimento de produtos ao perfil do consumidor nordestino”, disse.
Entre os produtos, Ferreira mencionou o body splash como um exemplo de onde a companhia pode ganhar espaço. “[É uma opção] que vem se destacando possivelmente como uma reação ao poder de consumo mais limitado e ao desejo de consumir perfumaria”, afirmou.
Do lado das despesas, a Natura está mais perto de finalizar os custos de seu processo de reestruturação após a companhia abandonar a ambição global e reforçar o foco na América Latina – incluindo a fusão de estruturas administrativas da Natura e da Avon na região.
O processo de reestruturação foi o principal detrator do resultado da empresa no trimestre. A rentabilidade ficou em 7,3%, mas a CFO Sílvia Vilas Boas ressaltou que as despesas não recorrentes de 4,7 pontos percentuais distorcem o número. Sem os efeitos associados à reestruturação, o indicador teria sido de 12%.
Com 75% da reorganização já concluída – e a maior parte das rescisões contabilizadas no primeiro trimestre –, a expectativa da companhia é que os benefícios da reestruturação apareçam de forma mais expressiva a partir do segundo trimestre, com uma curva significativamente menor de custos não recorrentes.
A Natura aposta também na implementação do novo modelo operacional como estratégia de eficiência. “Decidimos antecipar a implementação do novo modelo para que estivéssemos com a estrutura mais leve para enfrentar o cenário macroeconômico”, afirmou a CFO a jornalistas.
“O balanço que nós vamos ter durante o ano é de muito controle de despesa, capturando os benefícios da reorganização, mas sem deixar de investir em alavancas que vão suportar essa retomada do crescimento”, disse.
Leia também
Natura reposiciona Avon e se prepara para brigar com marcas de ‘nativos digitais’
Além da Amazônia: Natura mira novos bioativos da Antártida com aporte em startup