Bloomberg Línea — Segmentação de público, automatização e inteligência artificial são alguns dos fatores que devem impulsionar o crescimento da Roche Diagnóstica em 2026.
O grupo suíço vê espaço para aumento de receita mesmo diante dos volumes já significativos de exames realizados todos os anos no país. No ano passado, o faturamento da divisão de diagnóstico da companhia alcançou R$ 1,5 bilhão.
“Estamos lançando muitas inovações. Neste ano, queremos crescer e alcançar R$ 1,7 bilhão”, disse o CEO da Roche Diagnóstica, Carlos Martins, em entrevista à Bloomberg Línea.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Aproximadamente 70% do faturamento da divisão no país é proveniente do setor privado, sendo o restante do poder público. Na avaliação de Martins, existe potencial para avanço da Roche Diagnóstica na rede de saúde pública do Brasil.
“Nosso foco é continuar ampliando o trabalho com as autoridades de saúde para que o ecossistema público também possa absorver essas inovações. Cerca de 75% da população depende do SUS”, relata.
Leia mais: Como esta startup de saúde mental planeja cobrir 10 milhões de beneficiários até 2030
O executivo vê o investimento em diagnóstico pelo poder público no Brasil em níveis abaixo dos países desenvolvidos. Ele cita como exemplo nações como a Itália, Alemanha, França e até Estados Unidos investindo cerca de 2% da verba total da saúde em materiais de diagnóstico. No Brasil, ele relata que esse patamar é de apenas 0,5% do orçamento de saúde.
“Se investirmos mais em prevenção, os problemas de saúde serão mais simples de resolver. Quando você precisa tratar o paciente que já está com a doença, o custo é maior e no final toda a população paga uma conta mais cara”, avalia.
Atualmente, a Roche possui mais de 5 mil produtos na divisão diagnóstica. Martins conta que o setor vem passando por uma profunda transformação. “O diagnóstico já está mudando e nós, como líderes [do mercado], temos a responsabilidade de trazer novas tendências.”
Neste contexto, as inovações da empresa não se restringem a reagentes laboratoriais e incluem, por exemplo, sistemas preditivos com sensores incorporados às máquinas e ligados aos softwares que detectam o nível de desgaste de determinados componentes.
Com esse sistema, as equipes da Roche recebem uma mensagem automática e se deslocam até o cliente com a indicação exata da máquina e do módulo que vai ter um problema em breve se não ocorrer a manutenção.
“Os clientes querem que tenhamos essa capacidade, eles esperam que façamos isso, o que evita paradas custosas, sendo um dos nossos grandes diferenciais”, diz.
O grupo vem desenvolvendo e implementando sistemas de automatização em áreas que, até o momento, eram totalmente manuais. Segundo Martins, isso trará velocidade à operação.
Inteligência artificial
A Roche já trabalha com ferramentas de inteligência artificial em algumas áreas de serviços e cadeias de suprimentos. Martins afirma que isso deve crescer.
A farmacêutica lançou em novembro, no Brasil, um novo sensor de medição de glicemia para gestão de pacientes com diabetes. O diferencial em relação aos concorrentes do mercado é a tecnologia de IA para prever a curva de glicemia até 7 horas à frente, o que pode ser decisivo se o paciente estiver dormindo – principalmente em casos de diabetes tipo 1 e crianças. O dispositivo é colocado no braço do usuário.
“Essa solução de IA muda o jogo de forma completa. O produto já está fazendo um sucesso tremendo e uma parte significativa do crescimento virá desse sensor”, esclarece Martins. O aparelho tem preço sugerido de R$ 299.
Segundo o executivo, o Brasil tem uma participação relevante nas operações do grupo. Em 2025, a Roche Diagnóstica entregou 31 bilhões de testes globalmente. No Brasil, esse volume atingiu 1,6 bilhão de unidades.
Na visão de Martins, os riscos de mercado envolvendo a atividade estão mais concentrados na saúde da população do que propriamente na empresa. “O setor vai ter um crescimento natural, mas existe um risco para o sistema de saúde do país, se não houver investimento público em prevenção e diagnóstico.”
Leia também:
A Memed queimou caixa por 14 anos. Agora tem lucro e mira R$ 100 milhões em receita
Na Bemobi, CEO aposta no setor de saúde para manter expansão após subir 78% na bolsa
Apple recua de plano de serviço de saúde com IA e reestrutura abordagem de bem-estar