Mitre prepara entrada no Minha Casa Minha Vida após recorde de vendas na alta renda

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Fabrício Mitre detalha o plano da incorporadora paulistana para estrear no MCMV como sócia passiva; lançamentos devem ocorrer no início de 2027

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Bloomberg Línea — Com quase seis décadas de atuação na média e alta renda, a incorporadora Mitre Realty (MTRE) se prepara para entrar no segmento econômico com o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

A estratégia da Mitre prevê atuar como sócia passiva em projetos desenvolvidos por um parceiro especializado, cujo nome deve ser revelado nas próximas semanas.

A companhia já adquiriu dois terrenos com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 600 milhões, enquadrados na faixa 3 do programa, e projeta lançamentos para o início de 2027.

“Acreditamos muito nesse mercado e temos uma estratégia interessante para entrar nele como sócio passivo. Pretendemos aumentar ainda mais o landbank nesse segmento até o final do ano”, afirmou Fabrício Mitre, CEO da incorporadora, em entrevista à Bloomberg Línea.

A entrada no MCMV ocorre em um momento de mercado mais desafiador para o segmento de média renda – que responde por 30% do negócio da Mitre –, que vem enfrentando pressão crescente num ambiente de juros altos.

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Os outros 70% do negócio estão focados na alta renda, que foi responsável pelo VGV recorde alcançado no primeiro trimestre deste ano. A Mitre somou R$ 917 milhões em VGV no período, inteiramente concentrado num único empreendimento de alto padrão em Pinheiros.

A expectativa da empresa é manter o DNA focado no segmento, apesar da diversificação em MCMV. Para o restante de 2026, a Mitre prevê mais dois lançamentos de alta renda, somando cerca de R$ 800 milhões em VGV, com possibilidade de um terceiro projeto no quarto trimestre.

Em lucro líquido, a Mitre alcançou a marca de R$ 18,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 63,6% superior ao mesmo período do ano passado.

A margem bruta ajustada atingiu 34,9% no trimestre, alta de 1,3 ponto percentual sobre o mesmo período do ano passado. O indicador apresentou o sétimo avanço consecutivo desde o início de 2024, quando a companhia operava com margens comprimidas. A margem bruta contábil ficou em 28,5%, avanço de 2 pontos percentuais na mesma base de comparação.

“Temos visto uma melhora consistente dos índices operacionais. Desde janeiro de 2024, nossa margem já subiu 7 pontos percentuais e voltou para as margens históricas da companhia”, afirmou o CEO.

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