Luxo em recuperação: vendas da Burberry crescem no tri, mas mercado segue cauteloso

As ações chegaram a cair mais de 7% em Londres, apesar do crescimento das vendas, à medida que investidores passaram a cobrar sinais de uma recuperação

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Bloomberg — O crescimento das vendas da Burberry decepcionou os investidores que buscavam mais evidências de que a marca de moda britânica é capaz de manter o ritmo de sua recuperação sob a liderança do diretor executivo Joshua Schulman.

As vendas nas mesmas lojas aumentaram 5% no trimestre encerrado em junho, com crescimento em todas as linhas pela primeira vez em três anos, informou a Burberry nesta sexta-feira.

Esse resultado ficou, em linhas gerais, em linha com as estimativas dos analistas, enquanto o crescimento de 12% nas Américas superou amplamente as expectativas. As vendas recuaram na Europa e no Oriente Médio.

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As ações da Burberry chegaram a cair 7,3% em Londres antes de recuperar parte da perda, no entanto, revertendo os ganhos dos últimos dois dias, impulsionados pelo otimismo em relação ao desempenho superior da rival Richemont na China e nos EUA.

A reação reflete preocupações de que a próxima etapa da recuperação da Burberry sob a liderança de Schulman possa ser mais difícil.

Ele iniciou uma reestruturação da marca de luxo britânica há dois anos, reduzindo estoques, baixando preços e voltando o foco em seus itens emblemáticos. Sua estratégia para melhorar a exposição dos produtos, inclusive com manequins e expositores de lenços, ajudou a atrair clientes antigos e novos.

Mas os principais fatores para a recuperação dos lucros, incluindo a reestruturação de custos, já ficaram para trás, afirmaram analistas da Jefferies, incluindo James Grzinic, em uma nota. Isso faz com que “a futura recuperação das margens dependa, em grande parte, de um desempenho superior nas vendas comparáveis nas mesmas lojas”, afirmaram.

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“A bola está agora no campo da administração para sustentar a recuperação, adicionando um toque especial e dinamismo a ela”, afirmaram os analistas da Bernstein, Luca Solca e Maria Meita, em uma nota.

A marca de luxo britânica adotou um tom otimista, destacando as vendas de suas roupas de chuva e informou que sua campanha “Portraits of an Icon”, com celebridades como Teyana Taylor e Wu Lei, atraiu novos clientes.

Embora a empresa seja conhecida por seus agasalhos, como trench coats e cachecóis, a marca tem se voltado para outras peças sazonais, lançando uma linha de trajes de banho em parceria com a marca britânica Hunza G. Ela também realizou lojas pop-up com amostras de suas linhas de fragrâncias.

A Burberry está se beneficiando de uma “estratégia de produtos muito deliberada”, afirmou Schulman aos analistas durante uma teleconferência.

Os clientes da Geração Z na China estão adquirindo itens da Burberry, enquanto a Coreia do Sul se tornou um ponto positivo, com vendas 11% maiores no trimestre.

A região da Ásia-Pacífico cresceu menos do que o esperado, já que o Japão recebeu menos turistas provenientes da China.

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A queda nos gastos com turismo é a principal consequência da guerra no Oriente Médio, afirmou a diretora financeira Kate Ferry aos repórteres durante uma teleconferência. Embora a Burberry esteja menos exposta do que outras varejistas de luxo — com o Oriente Médio representando cerca de 2% das vendas —, o impacto prejudicou as vendas em toda a região, que inclui a Europa. A queda de 3% foi maior do que os analistas esperavam.

A Burberry informou que planeja abrir uma nova loja na sofisticada rua comercial de Milão, a Via Montenapoleone, em 2028.

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