Bloomberg Línea — O Santander Brasil (SANB11) deu início à temporada de balanços entre os grandes bancos ao divulgar seus resultados nesta quarta-feira (29).
A operação brasileira do grupo espanhol registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — uma retração de 1,9% na comparação anual e de 7,3% frente ao quarto trimestre do ano anterior.
O resultado veio abaixo da projeção de R$ 4,03 bilhões estimada pelo consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), principal métrica de rentabilidade do setor bancário, recuou após dois trimestres consecutivos de alta. O indicador atingiu 16,0% no primeiro trimestre, queda de 1,6 ponto percentual (p.p.) frente ao quarto trimestre de 2025 e de 1,5 p.p. na comparação anual.
A margem financeira bruta somou R$ 15,812 bilhões, com recuo de 0,7% na comparação anual, pressionada pelo desempenho da margem com o mercado. Em base trimestral, no entanto, o indicador avançou 3,1%.
Leia também: Santander aposta em ‘gamificação’ de benefícios em meio à disputa pela alta renda
A margem financeira com o mercado encerrou o período negativa em R$ 771 milhões, uma piora frente ao ganho de R$ 97 milhões registrado no mesmo trimestre de 2025.
Segundo o banco, o resultado foi impactado pela sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros ao longo do ano. A comparação trimestral, no entanto, mostra uma recuperação expressiva ante os R$ 1,486 bilhão negativos do período anterior, acompanhando a recente queda nas taxas.
O resultado geral foi parcialmente sustentado pela margem financeira com clientes, que somou R$ 16,584 bilhões, avanço de 4,8% na comparação anual, beneficiada, segundo o banco, por maiores volumes, melhora no mix e disciplina de precificação, com reflexo positivo no spread.
Na base trimestral, porém, houve recuo de 1,4%, pressionado pelo menor número de dias úteis e pelo efeito do diferimento de comissões migradas para a margem.
As despesas gerais totalizaram R$ 6,633 bilhões, estáveis frente ao trimestre anterior e com alta de apenas 0,9% em 12 meses, abaixo da inflação do período. O banco destacou o uso intensivo de tecnologia como vetor de ganhos de produtividade e otimização de processos.
Crédito e inadimplência
A carteira ampliada de crédito encerrou março de 2026 em R$ 705,6 bilhões, crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com leve recuo de 0,4% frente ao trimestre anterior, influenciado pela sazonalidade em cartões e pela variação cambial.
A inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,3%, com alta de 0,2 p.p. no trimestre e de 0,6 p.p. em 12 meses, concentrada especialmente em pessoa física nas faixas de menor renda e em pequenas e médias empresas.
As provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 6,344 bilhões, avanço de 3,9% frente ao trimestre anterior e queda de 0,7% na comparação anual. O Santander atribuiu o recuo anual à gestão ativa de riscos e à melhora no mix do portfólio, com maior participação de operações de menor risco.
No acumulado do ano, as units do Santander (SANB11) recuam 12,78%, contra alta de 17,49% do Ibovespa.
Leia também
Mario Leão deixará Santander Brasil e será substituído por Gilson Finkelsztain, da B3
Santander Brasil vai transferir sede para novo ‘campus’ em São Paulo a partir de 2028