Kalshi se une à XP e inicia pelo Brasil sua expansão global com mercado de previsões

Empresa de apostas começará a oferecer contratos do tipo ‘sim ou não’ atrelados à economia brasileira, em eventos como mudanças na inflação e nas taxas de juros do país, segundo a cofundadora Luana Lopes Lara

Por

Bloomberg — A plataforma de previsão de mercado Kalshi iniciou uma expansão para fora dos Estados Unidos pela primeira vez, em parceria com a XP para listar contratos de eventos.

A Kalshi começará a oferecer contratos do tipo “sim ou não” atrelados à economia brasileira, em eventos como mudanças na inflação e nas taxas de juros do país, disse a cofundadora Luana Lopes Lara. Esses contratos estarão disponíveis para investidores americanos da Kalshi e para alguns usuários da XP no Brasil, segundo executivos.

“Faz sentido para nós avançar por meio destes parceiros internacionais”, disse Lopes Lara, que é brasileira. “Eles já têm os clientes, têm a marca”.

A Kalshi disse, no ano passado, que espera se expandir internacionalmente para mais de 140 países. O negócio no Brasil é um dos primeiros movimentos concretos nessa direção.

Leia também: Como a brasileira Luana Lopes Lara ganhou holofote global com o mercado de previsões

O negócio da startup nos EUA cresceu exponencialmente no último ano, em grande parte devido à expansão de apostas esportivas na plataforma. Mas ela também oferece uma maneira de apostar em tudo, desde eleições até eventos geopolíticos.

A XP, a maior corretora do Brasil, tinha 4,8 milhões de clientes ativos em dezembro. A empresa opera um “supermercado de investimentos” semelhante ao da Charles Schwab nos EUA.

A XP foi pioneira no modelo no Brasil, mas, nos anos pós-pandemia, a negociação de ações contribuiu menos para o seu crescimento, à medida que os juros disparavam. A XP tem buscado diversificar suas ofertas, inclusive por meio de uma expansão para o private banking.

“Quando vimos os mercados de previsão, vimos mercados que poderiam ser não apenas inovadores, mas também disruptivos”, disse Lucas Rabechini, chefe de produtos financeiros da XP.

“Vemos muitas notas estruturadas e opções de juros sendo negociadas nos mercados tradicionais”, afirmou. “Nos mercados de previsão, vemos algo comparável em termos de ativos e retorno”.

Leia também: Por que os mercados de previsão precisam interromper apostas ligadas a guerras

As previsões estarão disponíveis inicialmente para clientes da Clear Corretora, uma das marcas da XP, que possuam uma conta internacional, e os produtos serão listados por meio da corretora da empresa nos EUA. Ser pioneira nos mercados de previsão é “central” para a XP, disse Rabechini.

O Brasil ainda não possui regulamentação específica para mercados de previsão, mas plataformas como as da Kalshi e da Polymarket já hospedam contratos relacionados ao país. A B3 também planeja entrar nesse mercado, de acordo com o jornal Valor Econômico.

O Ministério da Fazenda acompanha de perto essa evolução do mercado e iniciou conversas preliminares sobre o assunto, afirmou em comunicado.

“Vemos o Brasil da forma como os EUA eram anos atrás em relação aos mercados de previsão”, disse Lopes Lara. “É o nosso segundo país, então poderemos avançar muito mais rápido do que fizemos nos EUA quando começamos”, acrescentou.

Veja mais em bloomberg.com