JHSF paga US$ 160 mi pelo antigo Conrad de Punta del Este e reforça aposta no Uruguai

Grupo da família Auriemo compra de operadora chilena em reorganização judicial o hotel-cassino mais tradicional do balneário uruguaio; plano prevê shopping com 50 lojas, hotel Fasano, cassino reformado e unidades residenciais no lugar do complexo inaugurado em 1997

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Bloomberg Lína — A JHSF (JHSF3) pagou US$ 160 milhões pelo antigo hotel-cassino Conrad, de Punta del Este, um dos maiores complexos de hospitalidade e entretenimento do Uruguai.

O valor foi divulgado pela Enjoy ao regulador de mercado do Chile. A operadora de hotéis e cassinos chilena, em processo de reorganização judicial, se desfez do ativo mais valioso que tinha fora do país para saldar dívidas com credores internacionais.

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Do outro lado da mesa estava a JHSF, o grupo paulistano da família Auriemo que reúne o Grupo Fasano, shoppings premium, o aeroporto executivo Catarina e endereços residenciais de luxo como a Fazenda Boa Vista. No Uruguai há mais de 15 anos, o grupo encontrou uma oportunidade para expandir sua atuação no país.

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Inaugurado em 1997 sob a bandeira Conrad, o Enjoy Punta del Este definiu o padrão de cassino-resort nas Américas. O complexo ocupa um dos terrenos mais cobiçados do balneário uruguaio, na orla da Playa Mansa, onde o mar calmo e as mansões vizinhas compõem o cenário preferido da elite financeira do cone sul.

A imprensa da região o trata como um ecossistema de entretenimento de luxo num único endereço. São 292 quartos, casino de 4.000 m², 75 mesas de jogo, sete restaurantes, spa, clube noturno e capacidade para eventos de até 5.000 pessoas.

A operação foi confirmada pela JHSF em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A companhia não divulgou o valor da transação, mas o número foi apresentado pelo vendedor chileno, via comunicado da Enjoy à CMF, seu regulador de mercado.

A Enjoy havia investido mais de US$ 300 milhões no complexo desde 2013 , mais do dobro do que a JHSF pagou agora.

Segundo o comunicado da JHSF enviado à CVM, o plano é transformar o complexo num desenvolvimento multiuso: shopping com 50 lojas predominantemente internacionais, hotel Fasano, cassino reformado e unidades residenciais.

O shopping interno será rebatizado como CJ Punta, marca com que o grupo opera no varejo de luxo no Brasil, e receberá marcas como Balmain, Pucci, Chloé, Celine e Brunello Cucinelli, segundo o jornal argentino La Nacion.

O projeto repete o modelo do complexo Catarina, que reúne outlet, aeroporto executivo nos arredores de São Roque (interior paulista), hotel e residências numa única plataforma.

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A operação foi assinada pela JHSF Península, holding controladora, e não pela companhia listada na B3. A JHSF Capital, braço de gestão com R$ 10,3 bilhões sob gestão, poderá montar um veículo para atrair coinvestidores, diluindo o desembolso próprio sem abrir mão do controle do projeto.

Uruguai na estratégia

O Uruguai se consolidou na última década como destino de capital e residência para bilionários latino-americanos. Os fundadores do Mercado Livre, do Nubank e da Globant, empresas que juntas valem US$ 150 bilhões, escolheram o país para viver, segundo a Bloomberg Línea em 2024.

Além do Hotel Fasano Punta del Este, a JHSF desenvolve no país o condomínio Las Piedras, projeto residencial de ultra-luxo em La Barra com lotes de três a cinco hectares e campo de golfe assinado por Arnold Palmer.

O lançamento do Fasano La Barra já constava entre as prioridades de expansão internacional da JHSF, ao lado de Miami, Londres, Cascais e Sardenha. Punta del Este é, há anos, prioridade dessa estratégia, não complemento.

O negócio ocorre em um momento de crescimento do grupo. Os negócios de renda recorrente (shoppings, hotéis, aeroporto e clubes) cresceram 26,6% no ano, atingindo R$ 1,3 bilhão em receita líquida, segundo o BB Investimentos.

O lucro anual de R$ 1,87 bilhão, porém, tem 40% originado de apreciação contábil de propriedades para investimento, não de geração de caixa, observou a equipe do BB. A posição de caixa líquido de R$ 2,3 bilhões, revertida de dívida de R$ 1,4 bilhão no fim de 2024, inclui recebíveis da venda do portfólio de incorporação com entrada prevista para 2026.

As ações JHSF3 acumulavam alta de quase 200% nos 12 meses encerrados ontem (13). A transação ainda depende de aprovação da Comissão de Promoção e Defesa da Competência do Uruguai.

O acordo prevê a transferência de 100% das ações da Baluma, empresa sediada no Uruguai e proprietária do empreendimento, que integra o grupo Enjoy.

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