Bloomberg Línea — A JHSF Participações (JHSF3) anunciou a aquisição da Embassair, operadora que atua no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, em um movimento de expansão na aviação executiva internacional da comandada pela família Auriemo Neto.
O aeroporto é o principal terminal de aviação executiva da Flórida e fica localizado a cerca de 30 minutos de Downtown Miami, segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta segunda-feira (27).
A Embassair atua como uma operadora de base fixa ou FBO (Fixed Base Operator), dando apoio aos serviços de abastecimento de combustível, serviços aeronáuticos e atendimento a passageiros, além de hangaragem com potencial de expansão, em uma operação que funciona 24 horas por dia.
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O Opa-Locka está entre os principais destinos internacionais decolados a partir do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, em São Roque, criando um eixo Brasil–EUA em uma das rotas mais movimentadas da aviação executiva global.
“Miami é um dos principais destinos do nosso cliente”, escreveu o CEO Augusto Martins em publicação no LinkedIn ao detalhar a operação.
Segundo ele, a aquisição “nasce de uma leitura clara e consistente do comportamento” do público de alta renda atendido pelo grupo e reforça a vertical de renda recorrente, pilar que vem ganhando peso na estratégia da companhia, que possui R$ 18,6 bilhões em ativos totais.
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A operação foi viabilizada por meio de um veículo internacional, o JHSF Capital FBOs Fund LP, estruturado e gerido pela JHSF Capital, gestora do grupo, que passa a ter a companhia como cotista majoritária.
A JHSF Capital administra hoje 19 fundos e cerca de R$ 11,2 bilhões em ativos sob gestão, segundo o comunicado ao mercado divulgado pela companhia.
‘Triângulo do luxo’
A operação reflete uma consolidação que o setor de aviação executiva tem batizado de “triângulo do luxo”, a tríade formada por jatinhos, iates e carros de alto padrão que sintetiza o consumo de indivíduos ultra high net worth.
Em outubro, o grupo JHSF havia comprado participação majoritária na BYS International, empresa fundada em 2012 e especializada em charter, administração e compra e venda de grandes embarcações.
Na ocasião, a companhia justificou a entrada no mercado náutico citando estudo da Bain & Company segundo o qual o segmento de iates e jatos foi o que mais cresceu no mercado global de alta renda em 2024, com expansão de 13% em relação a 2023.
O mercado mundial de fretamento e serviços náuticos é estimado em US$ 12,4 bilhões, com expectativa de atingir US$ 22,7 bilhões em 2034, segundo a Global Market Insights.
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Com a Embassair e a BYS, a JHSF passa a oferecer aos seus clientes dois dos três vértices do “triângulo do luxo” dentro de casa (aviação executiva e mobilidade marítima) somados ao varejo de luxo do Shopping Cidade Jardim, à hospitalidade Fasano, aos clubes (incluindo o São Paulo Surf Club), à curadoria imobiliária no Boa Vista e à gestão de ativos.
A aposta da JHSF também dialoga com outros negócios recentes do grupo, como a compra do antigo Conrad de Punta del Este por US$ 160 milhões e o anúncio do JHSF Fasano Sardegna, na Itália, primeiro empreendimento do conceito integrado da companhia fora do Brasil.
Internamente, o grupo ainda discute a possibilidade de operar voos comerciais regulares no Catarina, tema sob análise no Ministério de Portos e Aeroportos.
A JHSF não está sozinha na disputa pelo share of wallet da mobilidade aérea dos ricos no Brasil. O Terminal BTG Pactual, em Guarulhos, completou recentemente seu primeiro ano de operação com demanda acima do projetado, como mostrou reportagem recente da Bloomberg Línea.
A carteira de companhias aéreas parceiras do terminal apoiado pelo banco brasileiro chegou a 22, com a incorporação recente da Qatar Airways e da TAAG, além de parceria com a Swiss International Air Lines.
O público se sobrepõe ao da JHSF: passageiros que chegam a Guarulhos em jatinhos buscam se conectar a voos de longa distância em primeira classe ou executiva.
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