Bloomberg Línea — O Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões, alta de 10,4% em 12 meses, e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 24,8% no consolidado, um patamar que segue entre os mais altos do sistema bancário global.
O Itaú manteve inalteradas as projeções (guidance) para 2026, que preveem crescimento da carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5%, expansão da margem financeira com clientes entre 5,0% e 9,0%, custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões e avanço das despesas não decorrentes de juros entre 1,5% e 5,5%.
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Em relação ao trimestre anterior, no entanto, o resultado ficou praticamente estável, com leve queda de 0,3%, reflexo da distribuição antecipada de dividendos feita ao final de 2025. Ajustado por esse efeito, o crescimento trimestral teria sido de 3,2%.
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A carteira de crédito alcançou R$ 1,5 trilhão, com expansão de 9,0% em 12 meses excluindo o efeito cambial. O destaque ficou com o crédito imobiliário a pessoas físicas (+11,2%), o consignado privado, que cresceu 63% no período, e o cartão de crédito (+8,2%).
No segmento de empresas, o avanço foi puxado por linhas de programas governamentais voltadas a micro, pequenas e médias empresas, exatamente o segmento que apresenta o ciclo de normalização da inadimplência mais sensível.
“Começamos 2026 em um cenário que exige cautela e disciplina no crédito”, afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do banco, em comunicado.
“Nos últimos ciclos, antecipamos ajustes para proteger nossos clientes nos momentos mais complexos. É essa visão preventiva que nos dá segurança hoje para seguir apoiando famílias e empresas”, completou.
Alta da inadimplência de PME e curta
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo quinto trimestre consecutivo, uma estabilidade celebrada pelo banco como prova da qualidade da originação.
Houve, porém, movimentos distintos por segmento. No Brasil, o indicador de micro, pequenas e médias empresas subiu para 1,9%, alta de 0,1 ponto percentual no trimestre e em 12 meses, em meio ao fim das carências dos programas governamentais, o mesmo segmento que o banco apontou como motor de crescimento da carteira no período.
A inadimplência curta, de 15 a 90 dias, também deu sinais de pressão: o índice consolidado avançou 0,1 ponto percentual no trimestre, e o de pessoas físicas no Brasil saltou 0,23 ponto percentual, fechando em 3,0%.
O banco atribui o movimento à sazonalidade típica do início do ano, quando há concentração de gastos das famílias, somada ao calendário com menos dias úteis no trimestre.
Como boa parte da margem financeira do banco é apropriada por dia corrido (juros incidem diariamente sobre saldos), trimestres mais curtos rendem menos receita mecanicamente, sem que nada tenha mudado no negócio.
Já o NPL Creation, que mede a entrada de novos créditos vencidos, subiu 25% em 12 meses, de R$ 7,7 bilhões para R$ 9,7 bilhões. No mesmo período, o write-off, a baixa contábil de créditos considerados irrecuperáveis, cresceu praticamente no mesmo ritmo, atingindo R$ 9,7 bilhões no trimestre, alta de 17,4% sobre o quarto trimestre.
Como o write-off retira da carteira ativa os créditos problemáticos, parte da estabilidade do indicador agregado é mecânica, não operacional. No varejo brasileiro, a inadimplência curta (15 a 90 dias) de pessoas físicas avançou 0,23 ponto percentual no trimestre.
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A margem financeira com clientes cresceu 4,5% em 12 meses, sustentada pelo crescimento da carteira e pelo melhor mix de produtos. Olhando para o quarto trimestre, a margem ficou quase estável (-0,7%), de R$ 31,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões, com efeito calendário pesando.
Já a margem com mercado recuou 11,2% no comparativo anual, pressionada pelo maior custo do hedge do índice de capital. As receitas com serviços e seguros subiram 5,3% no ano, com avanço de 17,2% em seguros, mas registraram queda de 5,7% no trimestre, em movimento sazonal típico do início do ano.
CFO: execução consistente da estratégia
Pelo lado das despesas, o índice de eficiência no Brasil atingiu 34,9%, o melhor patamar histórico para um primeiro trimestre. As despesas não decorrentes de juros somaram R$ 16,2 bilhões, alta de 4,8% em 12 meses, puxadas por tecnologia e pelos efeitos do acordo coletivo de trabalho. O banco fechou 162 agências no trimestre e reduziu o quadro em 925 colaboradores.
“Os resultados refletem a execução consistente da estratégia do banco”, destacou Gabriel Amado de Moura, CFO da instituição. “Mantivemos níveis confortáveis de capital e liquidez, apoiados por uma gestão rigorosa de riscos.”
Já o índice de capital principal (CET1), o colchão de segurança contra perdas, caiu para 12,0%, contra 12,3% em dezembro e 12,6% um ano antes, no menor nível em um ano. O índice de Basileia recuou para 14,8%, ante 15,7% no mesmo período de 2025.
A redução é explicada em parte por mudanças regulatórias relacionadas a riscos de crédito e operacional, mas também pelo pagamento de juros sobre capital próprio e pela recompra de ações.
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