Bloomberg Línea — O CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, reconheceu nesta quarta-feira (5) que o cenário de endividamento das famílias brasileiras é observado com cautela pelo banco, mas reforçou que os indicadores de crédito do Itaú seguem descolados da deterioração observada no mercado.
“A inadimplência tem subido de forma acentuada, mas isso não tem acontecido nas nossas carteiras”, disse Maluhy a jornalistas em entrevista coletiva para comentar os resultados do banco.
O índice de inadimplência acima de 90 dias do Itaú no Brasil ficou em 1,9% no trimestre, patamar estável em relação ao trimestre anterior – e menos da metade dos 4,7% registrados pelo Banco Central para o total da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O aumento do endividamento das famílias tem sido acompanhado de perto pelo mercado bancário. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que 80,4% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida. Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias equivale a 49,8% da renda anual.
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“Temos uma preocupação com o cenário macroeconômico, juros e nível de endividamento. Não estamos imunes”, disse Maluhy. “Mas temos uma carteira super bem posicionada e sem nenhuma perspectiva de piora com os dados e informações” disponíveis atualmente.
O executivo atribuiu a resiliência do banco à composição do portfólio. O Itaú tem historicamente uma fatia de mercado maior em clientes de média e alta renda, e, a exemplo dos pares, aprofundou a relação nesses segmentos considerados estratégicos após o pico de inadimplência do período pós-pandemia.
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Maluhy afirmou, no entanto, que o ajuste de portfólio realizado nos últimos anos já foi concluído e que o banco não está mais em um processo de redução de risco (de-risking). “Naqueles segmentos em que a gente se propõe a crescer, a gente tem conseguido crescer dois dígitos, e até mais, em todos os produtos”, disse.
Segundo o CEO, o Itaú reforçou o crescimento no trimestre tanto em crédito imobiliário quanto em consignado privado, produtos que o banco tem priorizado na oferta aos clientes em detrimento de linhas mais caras, como o crediário.
Entre as linhas para pessoas físicas, o crédito imobiliário avançou 13,3% em um ano, para R$ 152,2 bilhões, enquanto o consignado cresceu 11,7%.
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Revisão do guidance
Em meio à postura cautelosa, o Itaú revisou o guidance de receita com serviços e seguros para 2026, elevando o piso da projeção anterior ao patamar que antes era o teto do intervalo.
A expectativa de crescimento para 2026 passou da faixa entre 5,0% e 9,0% para entre 2,0% e 5,0%, refletindo, segundo o banco, uma volatilidade no mercado de capitais superior à projetada no início do ano.
Segundo Maluhy, essa linha tem relação direta com o nível de atividade econômica e consolida negócios de varejo, atacado, asset management e banco de investimento em uma única demonstração de resultado, o que dificulta isolar a origem da desaceleração.
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O CEO afirmou que o ajuste partiu da constatação de que “a nossa melhor projeção fica abaixo do range” anterior, o que levou o banco a atualizar o intervalo com a informação mais recente disponível ao mercado.
Segundo o executivo, a combinação desses fatores levou a uma desaceleração no resultado agregado da linha de serviços e seguros, mas o efeito tem sido parcialmente compensado pelo crescimento da carteira de crédito, por resultados de tesouraria e pela contribuição das operações do banco fora do Brasil.
Em reação ao resultado, as ações do Itaú (ITUB4) subiam 2,42% por volta de 12h30. No ano, os papéis acumulam ganhos de 9,89%, com o valor de mercado do banco na casa dos R$ 474 bilhões.