Bloomberg — O Grupo IG4 Capital busca tentar conseguir controle na prestadora de serviços médicos Oncoclínicas por meio da obtenção de mais de 50% dos direitos de voto, segundo pessoas a par do assunto que falaram com a Bloomberg News. Isso daria à gestora de ativos alternativos um papel no resgate de mais uma empresa brasileira de grande porte em dificuldades financeiras.
Pela proposta apresentada na semana passada, os acionistas cederiam ao IG4 o direito de exercício de voto, mantendo a titularidade econômica das ações — incluindo o direito de receber dividendos —, disseram as pessoas.
Na semana passada, a Oncoclínicas anunciou um acordo com parte de seus credores para uma recuperação extrajudicial de uma dívida de R$ 5,1 bilhões, tornando-se a mais recente de uma série de empresas brasileiras a buscar uma reestruturação em meio à pressão das taxas de juros de dois dígitos.
A operadora de centros de tratamento de câncer, sediada em São Paulo, enfrentou dificuldades após uma série de aquisições elevarem seu endividamento.
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O controle dos votos permitiria ao IG4 trabalhar na reestruturação da dívida da Oncoclínicas e, simultaneamente, gerir a empresa de forma a melhorar sua eficiência e focar nas clínicas, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas ao discutir uma proposta que não é pública.
O IG4 já desempenha um papel importante na recuperação da gigante petroquímica Braskem e busca participar da renegociação da dívida da produtora de açúcar e etanol Raízen.
Em sua oferta não vinculante, o IG4 informou aos acionistas que injetaria cerca de R$ 500 milhões de dinheiro novo na Oncoclínicas por meio de debêntures conversíveis em ações.
A proposta só se tornaria vinculante se o conselho da Oncoclínicas concedesse um período de exclusividade de 60 dias ao IG4, dando à gestora tempo para realizar uma diligência detalhada, disseram as fontes. O valor dos títulos a serem emitidos poderá sofrer alterações após essa diligência, disseram.
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As debêntures conversíveis teriam prioridade sobre outras dívidas — em moldes semelhantes ao financiamento conhecido como DIP (debtor-in-possession). Esse ponto precisaria ser negociado com credores como parte do atual processo de recuperação extrajudicial da empresa, segundo as pessoas. O aporte permitiria à Oncoclínicas manter suas operações e aliviar a escassez de medicamentos, disseram as pessoas.
A Oncoclínicas informou que seu plano de reestruturação pode envolver um aporte de capital pelos acionistas da empresa, a conversão de certos créditos em participação acionária ou em nova dívida, e um cronograma de amortização para esses créditos.
O IG4, fundado há 10 anos por uma equipe de quatro especialistas em reestruturação de empresas, diz enxergar as vítimas do severo ciclo de crédito brasileiro como uma oportunidade em potencial, dada a sua experiência em negociações complexas de dívidas.
No caso da Braskem e da Raízen, a gestora busca participar de processos que envolvem um endividamento combinado de R$ 127 bilhões.
O IG4 possui experiência no setor de saúde. O grupo fundou e desenvolveu a Opy Health, empresa brasileira focada em infraestrutura e serviços para hospitais, a qual incorporou algumas unidades hospitalares em dificuldades adquiridas pelo IG4.
Em agosto de 2023, o IG4 vendeu sua participação para um fundo estruturado pelo BTG Pactual. Apesar da mudança de controle acionário, o IG4 continua a gerir ativamente a Opy Health.
--Com a colaboração de Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski.
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